Uma menina de 3 anos de idade está em acompanhamento ambulat...
Uma menina de 3 anos de idade está em acompanhamento ambulatorial devido à anemia leve, hipocrômica e microcítica. A mãe refere que ela amamentou ao seio materno exclusivo até os seis meses de idade, que a filha tem bom apetite e se alimenta com variedade de frutas, grãos e carne, diariamente. Já fez uso de sulfato ferroso por 6 meses sem melhora do eritrograma. Reticulócitos 2% e RDW 15%. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável para esse caso?
Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda o diagnóstico diferencial das anemias microcíticas e hipocrômicas em pediatria. É fundamental reconhecer as características laboratoriais e clínicas que orientam para diagnóstico além da deficiência de ferro, considerando causas hereditárias.
Justificativa da alternativa correta (D) Talassemia):
A paciente apresenta anemia microcítica e hipocrômica persistente, mesmo com uso correto e prolongado de sulfato ferroso e dieta equilibrada em ferro, além de reticulócitos não elevados (2%) e RDW próximo do limite (15%). Segundo o Manual de Orientações para o Diagnóstico e Tratamento das Talassemias Beta do Ministério da Saúde:
"O hemograma é imprescindível no rastreio de talassemia, sobretudo quando a anemia microcítica e hipocrômica não responde à reposição de ferro."
Os achados laboratoriais apontam para talassemia menor ou traço talassêmico, pois estas anemias costumam apresentar microcitose com RDW normal a discretamente aumentado. O diagnóstico confirmatório é feito pela eletroforese de hemoglobina.
Análise crítica das alternativas incorretas:
- A, B, C) Deficiência de G6PD: Esta condição resulta em anemia hemolítica episódica (crises agudas desencadeadas por exposição a oxidantes, infecção ou favas), geralmente com reticulocitose acentuada e icterícia, não cursando com anemia microcítica persistente.
- E) Deficiência de vitamina B12: Tipicamente manifesta-se como anemia macrocítica (VCM elevado), além de quadros neurológicos inespecíficos quando grave. Não se associa à anemia microcítica.
Dicas para provas:
Ao ler questões de anemia que não respondem à ferroterapia, pense em hemoglobinopatias como talassemia. Fique atento ao RDW: ele é geralmente mais aumentado nas anemias ferroprivas do que nas talassemias. O perfil dos exames, ausência de resposta ao ferro e compatibilidade clínica são sinais-chave.
Destaques das diretrizes:
O Ministério da Saúde cita: "Com a suspeita de talassemia, o exame recomendado é a eletroforese de hemoglobina para identificar hemoglobinas normais e anormais."
Resumo final: Diante de anemia microcítica e hipocrômica persistente, sem resposta à ferroterapia, com RDW pouco alterado, o diagnóstico mais provável é talassemia. A abordagem exige diferenciação criteriosa com exames específicos, seguindo protocolos nacionais e internacionais.
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