Para o autor, conforme leitura feita em um artigo, a corrupç...

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Q2715692 Português

Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10:


A ética coletiva e o jeitinho brasileiro


Ricardo Semler, homem de negócios bem sucedido, em seu best-seller ‘Virando a Própria Mesa’, alega que “é impossível ser industrial neste país sem ser corrupto”, tantos e tamanhos são os esquemas que envolvem essa atividade que não resta alternativa senão fazer parte deles ou perecer.

De certa forma, embora a exorbitante carga tributária a que estão submetidas as empresas brasileiras não deixe dúvidas do quanto a afirmativa se aproxima da realidade, é fato também que todo o restante da sociedade se utiliza dessa mesma lógica para justificar suas ações despidas de qualquer sentido de ética. E isso se generalizou de tal forma que não podemos mais falar sequer de ações pontuais, mas de uma cultura que se instalou e passou a fazer parte do cotidiano das pessoas que sequer conseguem fazer a distinção entre certo e errado, entre ético e não ético no convívio social.

A corrupção é mera consequência desse padrão moral no qual somos iniciados desde a mais tenra idade. A desonestidade, o engano e a falta de caráter é algo intrínseco e altamente difundido na maioria das atividades que se desenvolvem neste país. Daí porque me posiciono como um ferrenho combatente do tal "jeitinho brasileiro".

Se fizermos uma pesquisa nas ruas, será bem provável que muitos digam ser da mesma opinião, mas na prática do dia-a-dia as mesmas pessoas que fazem tal afirmativa cometem atos que vão desde conseguir um lugar na frente de uma fila ou calar-se ao receber um benefício indevido da previdência, até se manter na folha de pagamento de empresa pública na qual nunca desenvolveu qualquer atividade. E todos se acham plenamente justificados na crença de que "estou pegando de volta um pouco do muito que o governo me tira!". Não resta dúvida de que esse tipo de pensamento aplaca muitas consciências a partir do momento em que reconhecemos que o governo fica longe de cumprir a sua parte.

Só que isso não se pode constituir em fator decisivo para a perda generalizada de referenciais e de renúncia absoluta ao sentido de valores pelas pessoas. Vou mais longe quando se trata de avaliar essa prática quando utilizada com conotação de malandragem.

Se ainda existe a vontade de enganar, a real intenção de ser malandro, ainda há esperança de que o processo seja revertido, pois a pessoa sabe que está cometendo um ilícito, tem o conhecimento de que está utilizando um recurso desleal ou desonesto. O mais grave – e é o que já está amplamente difundido na cultura deste país – é quando os indivíduos perdem a noção de que tais atitudes se constituem em ações desonestas.

Eu tenho muito mais medo dos indivíduos aéticos do que dos antiéticos, porque estes últimos têm consciência plena de que estão cometendo um ato ilícito, e isso faz o divisor de águas. Quando se perde a noção entre o lícito e o ilícito, como acontece no Brasil, e a população acha muito comum cometer o pequeno "delito nosso de cada dia", aí sim, tem-se o maior indicador de que a moral pública sofreu uma derrocada significativa, e não se sabe mais se isso poderá ser revertido um dia.

O contexto está degenerado de tal forma, com seu esquema de valores tão deturpado, que tudo passa a ser válido, desde que o final seja considerado "uma boa causa".

Li certa vez um artigo que classifica a corrupção em vários níveis e mostra que ela já começa dentro de casa, quando se usa até a carteira de estudante de um irmão para pagar "meia" no cinema. E o comportamento tolerante, a complacência usual das pessoas com a corrupção do cotidiano é que se configura inaceitável.

O país do "jeitinho" é a mais verdadeira das nossas realidades! Afinal, o negócio é levar vantagem em tudo, certo? Enquanto não nos cobrarmos, cada um de si mesmo, – até que isto se torne uma prática comum – uma postura ética de tolerância zero, nada vai mudar.


Fonte: BOLDSTEIN, Luiz Roberto. Disponível em:< www.diferencialbr.com.br>.

Para o autor, conforme leitura feita em um artigo, a corrupção começa:

Alternativas

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Gabarito Comentado – Interpretação de Texto

Tema Central: Esta questão aborda interpretação de texto, especificamente a captação de informação explícita no texto. O candidato deve localizar e compreender o trecho que aponta onde a corrupção tem início, segundo o artigo citado pelo autor.

Justificativa da Alternativa Correta (D – Em casa):
No texto, destaca-se a afirmação: “Li certa vez um artigo que classifica a corrupção em vários níveis e mostra que ela já começa dentro de casa, quando se usa até a carteira de estudante de um irmão para pagar ‘meia’ no cinema.”

Assim, fica claro e explícito que a corrupção, conforme o artigo mencionado, começa em casa. A resolução exige que o candidato esteja atento às informações diretas do texto. Segundo Ingedore Koch (A Coerência Textual), a coerência se manifesta quando há relação lógica entre ideias – e aqui, a sequência mostra desde a origem cotidiana dos desvios até seus desdobramentos sociais.

Por que as alternativas A, B, C e E estão erradas?

  • A) No trabalho: O texto não aponta o trabalho como ponto inicial, embora cite exemplos do ambiente profissional, eles aparecem como consequência, não como origem.
  • B) Na escola: Apesar de mencionar carteiras de estudante, a situação ocorre em casa, não na escola. Atenção: essa pode ser uma pegadinha, pois pode confundir quem lê rapidamente.
  • C) Em festas: Não há qualquer ligação da corrupção originando-se em festas no texto; opção totalmente deslocada.
  • E) Na política: O texto critica a cultura geral, mas explicita que a corrupção começa no convívio familiar, antes de chegar à esfera política.

Dicas para outras questões:
Em questões desse tipo, busque palavras-chave (como “começa”, “inicia”, “origem”) e não se guie apenas por opiniões prévias ou senso comum. Leia até o fim do trecho para evitar confusões. Lembre-se: informação explícita prevalece – se está escrito claramente, é o que vale!

Resumo da regra: “Para interpretação textual, utilize a coerência e identifique as relações lógicas – sempre se baseando nas informações apresentadas explicitamente pelo autor.” (Koch, A Coerência Textual)

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