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Com base no mesmo assunto
Ano: 2026
Banca:
Instituto UniFil
Órgão:
Prefeitura de Ponta Grossa - PR
Provas:
Instituto UniFil - 2026 - Prefeitura de Ponta Grossa - PR - Arquiteto
|
Instituto UniFil - 2026 - Prefeitura de Ponta Grossa - PR - Fiscal de Tributos II |
Q4318624
Português
Texto associado
Leia o texto para responder a questão.
O Brasil entra em campo, a Política vai para o banco
Copa do Mundo domina debates nas redes sociais,
enquanto temas políticos ficam para escanteio
A máxima de que “o brasileiro esquece de tudo durante
a Copa do Mundo” sempre habitou o senso comum, mas, na era
das redes sociais e do monitoramento em tempo real, essa
premissa pode ser testada em números absolutos e relativos.
A chegada da Copa do Mundo de 2026, sediada na
América do Norte, oferece um laboratório perfeito para
entender como a atenção digital do país se comporta diante de
um megaevento.
A análise de dados de plataformas como Google Trends,
YouTube e X (antigo Twitter) revela que a política não
desaparece por completo, mas perde sua centralidade,
tornando-se um assunto de nicho enquanto a bola rola.
Os dados mostram uma virada estrutural na atenção do
brasileiro a partir do dia 11 de junho de 2026, data de início do
torneio.
No período pré-Copa, entre 1º de maio e 10 de junho, o
interesse de busca no Google pelo termo “Copa do Mundo”
mantinha um índice médio de 6.4 (em uma escala relativa de 0
a 100), enquanto o termo ”política” registrava movimentação
constante.
A partir do apito inicial, o cenário se inverteu
drasticamente: o interesse médio pela Copa saltou para 77.3,
um aumento de 1.110%, atingindo o pico máximo de 100 no
dia 28 de junho. Simultaneamente, o índice de busca orgânica
por “política” caiu para praticamente zero, evidenciando um
deslocamento massivo da curiosidade nacional.
A migração de atenção, contudo, não significa um
apagão político absoluto nas redes sociais, mas sim uma
mudança de comportamento e de volume.
Em uma análise de 1.642.734 posts monitorados no
X (antigo Twitter), Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn,
durante o período de 25 de junho a 1º de julho de 2026, a
distribuição temática revela a magnitude do
deslocamento: 711.213 posts tratavam de Copa do
Mundo (43,3%), enquanto 931.521 posts abordavam
política (56,7%).
Embora a política ainda mantenha uma ligeira vantagem
em volume absoluto, o ritmo de crescimento da Copa é
exponencial nos dias de jogos decisivos.
A resiliência da política nas redes sociais durante a Copa
não é homogênea; ela se concentra em subtemas específicos.
A análise detalhada de termos no Google Trends e no
YouTube mostra que assuntos institucionais perdem força
rapidamente: o interesse pelo Supremo Tribunal Federal (STF)
caiu 32% durante o torneio, e as buscas relacionadas ao
Congresso Nacional recuaram 34%.
No entanto, temas com maior carga eleitoral,
como ”eleições 2026”, mantiveram-se estáveis, apresentando
uma queda quase imperceptível de apenas 1%. Isso pode
indicar que o brasileiro médio pode ignorar o noticiário
institucional do dia a dia, mas a militância digital engajada
continua operando.
No X (antigo Twitter), plataforma historicamente
central para o debate público e político, a dinâmica de
convivência entre os dois temas é visível.
A amostra de 187.372 publicações recentes coletadas na
virada do mês de junho para julho, demonstra que política
sustenta um volume robusto de publicações, enquanto a Copa concentra cerca de 80% da volumetria da Política. Contudo, em
datas de pico do torneio, como o dia 29 de junho, dia de Brasil
e Japão, o volume de publicações sobre a Copa do Mundo
explodiu, alcançando e até ultrapassando momentaneamente o
fluxo contínuo de conversação política.
Historicamente, esse padrão de comportamento digital
não é inédito, mas apresenta nuances.
Na Copa do Mundo de 2022, no Qatar, realizada
excepcionalmente entre novembro e dezembro — logo após o
segundo turno das eleições presidenciais brasileiras —, o
interesse pela Copa teve que competir com o rescaldo de uma
das eleições mais polarizadas da história recente.
Naquela ocasião, o índice médio de interesse pela Copa
no Google foi de 23.9, com picos apenas nos dias de jogos do
Brasil. Em 2026, com o torneio retornando ao seu calendário
tradicional de meio de ano e distante do ápice do calendário
eleitoral, a “limpeza” da pauta digital em favor do futebol
parece ser mais eficiente e imediata.
Em suma, os dados confirmam que o brasileiro não
desliga completamente seus perfis políticos durante a Copa do
Mundo, mas a atenção digital é sim alterada. O interesse
orgânico e a curiosidade de massa migram de forma
avassaladora para o evento esportivo, enquanto a política fica
restrita a bolhas de engajamento contínuo e a temas
estritamente eleitorais.
A Copa funciona como um “freio de arrumação” na
pauta nacional, onde o debate institucional perde tração,
provando que, no país do futebol, a política até pode entrar em
campo todos os dias, mas é obrigada a ir para o banco de
reservas quando a Seleção joga.
Disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/colunas/renato-dolci/politica/obrasil-entra-em-campo-a-politica-vai-para-o-banco/
O autor utiliza o exemplo da Copa do Mundo de 2022
no Qatar para reforçar um argumento sobre a edição
de 2026. É correto inferir que a “limpeza” da pauta
digital em favor do futebol em 2026 é mais imediata
porque