Em processos psicodiagnóstico, sobretudo de base psicanalít...
Em processos psicodiagnóstico, sobretudo de base psicanalítica, há o levantamento de hipóteses sobre níveis de funcionamento e de desenvolvimento da organização da personalidade, o que não se trata de diagnóstico nosológico. A indicação desse tipo de diagnóstico é fundamental, não apenas na avaliação, mas no planejamento de trabalho clínico vindouro. Sobre a identificação desses níveis de funcionamento psicótico, borderline e neurótico, indique o que seja correto.
I. Na avaliação das defesas principais, a diferença entre funcionamento psicótico e neurótico é que no primeiro há formas primitivas de introjeção e projeção, divisão, dissociação negação entre outras. Tais defesas envolvem processos pré-verbais e préracionais. E no segundo há defesas mais maduras. Repressão é a principal defesa, sendo as primitivas acessadas em situações de grande estresse.
II. Com relação à avaliação do nível de integração da identidade, no funcionamento borderline, a integração do self pode ser descontínua. Pessoas nessa condição podem ficar desorientadas em face de descreverem, ou rasos ao fazer o mesmo sobre outras pessoas. Desdenham complexidades. Não alcançam função reflexiva. Já no funcionamento neurótico, há graves problemas no senso de identidade, não alcançam discussão sobre existência satisfatória e se descrevem a si a outras pessoas de forma vaga.
III. Em relação à transferência e contratransferência, no nível de funcionamento neurótico, o terapeuta geralmente não sente necessidade de complacência, enquanto no funcionamento psicótico tais pacientes podem levar à contratransferência positiva, que se desdobram em proteção e posição paternal. Apreciam ainda a sinceridade e esforços pedagógicos e alívio reenquadramento de suas preocupações.
A assertiva correta é
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Resposta: Alternativa C — I e III apenas.
Tema central: níveis de funcionamento da organização da personalidade (psicótico, borderline, neurótico) em avaliação psicodinâmica. Importância: orientam hipóteses clínicas e o planejamento terapêutico sem transformar-se em diagnóstico nosológico.
Resumo teórico progressivo:
Nível psicótico: defesas primitivas (projeção, introjeção, cisão/splitting, negação, dissociação), processos pré-verbais e pré-racionais, prejuízo de testagem da realidade mais marcante (Kernberg; Gabbard).
Nível borderline: identidade instável/discontinuada, capacidade reflexiva fragilizada (mentalização comprometida sob estresse), flutuações afectivas e uso frequente de defesas primitivas/intermediárias (Kernberg; Fonagy).
Nível neurótico: defesas mais maduras (repressão, deslocamento, racionalização), preservação da testagem da realidade, identidade mais integrada e maior capacidade para reflexão e simbolização.
Por que I está correta: A assertiva descreve adequadamente a diferença entre funcionamento psicótico (defesas primitivas, processos pré-verbais/pré-racionais) e o funcionamento neurótico (defesas mais maduras; repressão como defesa central). Isso está alinhado com a literatura psicodinâmica clássica (Kernberg).
Por que III está correta: No nível neurótico o paciente costuma preservar limites e não evocar necessidade patológica de "complacência" do terapeuta. Pacientes em nível psicótico frequentemente provocam contratransferência intensa — muitas vezes de proteção, resgate ou posicionamento paternal — exigindo do terapeuta contenção, atitude clara e limites; intervenções concretas e reenquadramento podem ser úteis, desde que com cautela (Gabbard; Bateman & Fonagy).
Por que II está errada: II inverte os perfis: atribui ao borderline um relato raso sobre outras pessoas e ausência de função reflexiva (parcialmente verdadeiro), mas descreve o neurótico como tendo graves problemas de identidade e descrições vagas — isto é falso. O neurótico tende a ter identidade relativamente integrada e maior capacidade de reflexão; os problemas de identidade graves são característicos do nível borderline.
Dica de prova: procure palavras-chave que indiquem gravidade e tipo de defesa (pré-verbais/pré-racionais, cisão, repressão, capacidade reflexiva). Alternativas que trocam os perfis (inversão) costumam ser a pegadinha.
Referências resumidas: Kernberg (1984); Fonagy et al. (mentalization literature); Gabbard (psicodinâmica clínica).
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