Pode-se afirmar que ainda não foi alcançada uma unificação ...
Pode-se afirmar que ainda não foi alcançada uma unificação de teorias do funcionamento e de intervenção com grupos. Os trabalhos com grupos quase sempre combinam conhecimentos sobre o campo grupal com a de uma determinada escola psicoterapêutica de tratamento individual. A escola psicanalítica tem tido grande capacidade contributiva nessa esfera, sobretudo na com a perspectiva dos grupos operativos, de PichónRivière. Sobre tais contribuições desta escola, indique o que seja correto.
I. Há de se fazer uma diferenciação entre a simples emergência de fenômenos grupais e um processo grupal terapêutico. Isto porque fenômenos grupais têm caráter ubíquo, e ocorrem em quaisquer grupos. Já os grupos de caráter operativo ou terapêuticos se relacionam a condições, como a reunião em torno de uma tarefa e de um objetivo comuns, o que já coloca contornos de haver um tipo e direção de transformação.
II. Em todo grupo coexistem forças contraditórias permanentemente em jogo, de coesão e desintegração. A coesão do grupo se refere aos sentimentos de “pertencência", ou alinhamento ao foco do grupo; e à percepção de ser reconhecido pelos outros como um membro efetivo, a pertinência. A coesão grupal também diz respeito à incapacidade do grupo em perder indivíduos e de absorver outros tantos.
III. O campo grupal se processa no plano da intencionalidade, que se refere à razão pela qual os indivíduos integrantes estão voltados para o êxito da tarefa proposta. Subjaz a esse plano um conjunto de desejos reprimidos, ansiedades e defesas, e que podem se configurar de sentimentos de dependência, luta e fuga contra os medos, ou de uma expectativa messiânica. Por isso, é condição sinequa non para um efetivo trabalho com grupos terapêuticos o trabalho em torno de fantasias, ansiedades e identificações.
A alternativa correta é:
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Resposta correta: B - I e III apenas.
Tema central: trata-se das contribuições da escola psicanalítica, em especial de Pichón-Rivière, ao trabalho com grupos — conceitos como grupo operativo, campo grupal, intenções, fantasias e ansiedades coletivas.
Resumo teórico objetivo: Pichón-Rivière distingue o campo grupal (conjunto de relações e dinâmicas psíquicas que emergem entre membros) do grupo operativo/terapêutico (reunião com tarefa e objetivo comum que orientam transformação). O trabalho terapêutico com grupos exige atenção às fantasias, ansiedades e identificações que sustentam a ação coletiva. Autores complementares: Bion (suposições básicas) e a própria literatura sobre grupos operativos.
Por que I é correta: afirma a distinção entre fenômenos grupais ubíquos e o processo terapêutico/operativo orientado por tarefa e objetivo — exatamente o núcleo da ideia de grupo operativo. Grupos existem em muitos contextos, mas nem todo grupo produz transformação terapêutica; é a orientação por tarefa/objetivo que marca o trabalho operativo.
Por que III é correta: o campo grupal inclui intenções conscientes (tarefa) e um nível inconsciente (fantasias, ansiedades, defesas). Pichón-Rivière e a tradição psicanalítica sustentam que trabalhar essas fantasias e identificações é condição essencial para a eficácia terapêutica — daí o termo sine qua non.
Por que II é incorreta: a primeira parte (existência de forças de coesão e desintegração) está correta. O erro está na definição de coesão: coesão refere-se a sentimentos de pertencimento e reconhecimento, mas não implica uma "incapacidade" do grupo de perder ou absorver membros. A frase torna o conceito absoluto e rígido — pegadinha comum: termos absolutos (incapacidade total) sinalizam incorreção.
Estratégias para interpretação: busque termos absolutos ou generalizadores (sempre, incapacidade, nunca) como sinais de atenção. Diferencie descrição de fenômenos (o que ocorre em qualquer grupo) da condição terapêutica específica (tarefa, objetivo, trabalho sobre fantasias). Recorde autores-chave (Pichón-Rivière, Bion) para ancorar respostas.
Dica prática: ao ler alternativas, se uma afirmação mistura um elemento correto com outro claramente exagerado ou absoluto, desconfie — provavelmente torna a proposição falsa.
Referências sugeridas: Pichón-Rivière (teoria dos grupos operativos) e Bion (basic assumptions) — consulte manuais de psicoterapia em grupo para aprofundar.
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II. A coesão grupal também diz respeito à incapacidade do grupo em perder indivíduos e de absorver outros tantos.
A coesão grupal é justamente o oposto.
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