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Q1311389 Medicina
Uma paciente do sexo feminino de 47 anos, etilista crônico, com historia prévia de hemotransfusão e uso de drogas injetáveis, apresenta há 10 dias um quadro de hiporexia, astenia, icterícia, colúria e TGO de 436U/L e TGP de 501 U/L. O diagnóstico inicial indica provável hepatite aguda. No que se refere a análise dos resultados dos marcadores sorológicos das hepatites virais. Entre as alternativas a seguir, qual àquela que melhor se correlaciona ao quadro clínico apresentado?
Alternativas

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Tema central da questão:
O foco é a interpretação dos marcadores sorológicos das hepatites virais em um contexto de suspeita de hepatite aguda, especialmente diante de fatores de risco, quadro clínico icterícia e alterações marcadas das transaminases (TGO/TGP elevadas).

Justificativa da alternativa correta (B):
A alternativa B está correta ao afirmar: “O exame de anti-HCV negativo não pode excluir a hepatite aguda pelo vírus C.”

Explicando: nas fases iniciais da infecção pelo vírus da hepatite C, o anticorpo anti-HCV pode demorar semanas até se tornar detectável (soroconversão tardia). Portanto, um resultado negativo não exclui a hipótese diagnóstica. Segundo o Manual Técnico para Diagnóstico das Hepatites Virais, Ministério da Saúde:

“O anti-HCV geralmente surge por volta de 2 semanas após a infecção aguda, mas, algumas vezes, pode aparecer mais tardiamente; entretanto, o RNA-VHC é positivo mais precocemente.”

Assim, diante de suspeita clínica e anti-HCV negativo, está indicado pesquisar RNA-HCV ("PCR para HCV") para não perder casos agudos!

Análise das alternativas incorretas:

A) A presença de anti-HBc IgM indica infecção aguda por hepatite B. Já anti-HVA IgG indica imunidade ou infecção passada por hepatite A, e não infecção aguda. A combinação NÃO indica infecção aguda simultânea por A e B.

C) Anti-HBs isolado demonstra imunidade à hepatite B, normalmente após vacinação (sem contato com o vírus selvagem) ou infecção prévia resolvida. Não necessariamente expressão de contato anterior com o vírus.

D) O diagnóstico de hepatite A aguda requer o achado de anti-HVA IgM (indicador de infecção recente). O anti-HVA IgG indica exposição anterior ou imunidade, não infecção aguda.

Estratégias para provas:
Sempre relacione marcador sorológico ao momento da infecção (aguda x passada x imunidade); desconfie de alternativas que misturem conceitos distintos ou confundam IgG com IgM! Atenção às pegadinhas na diferenciação dos anticorpos!

Obras e evidências:
Além dos protocolos do Ministério da Saúde, as abordagens do Harrison’s Principles of Internal Medicine e UpToDate reforçam a necessidade da pesquisa de RNA-HCV nas situações de discordância clínica e laboratório sorológico negativo inicial.

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Comentários

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Diante do quadro clínico apresentado, com alterações hepáticas significativas e sintomas de hepatite aguda, a análise dos marcadores sorológicos das hepatites virais indica a presença de anti-HCV negativo, não excluindo a possibilidade de hepatite aguda pelo vírus C. Portanto, a alternativa correta é a B. A presença de anti-HBc IgM e anti-HVA IgG poderiam indicar uma infecção simultânea pelos vírus das hepatites A e B, mas não explicariam completamente os sintomas apresentados pela paciente. O encontro de anti-HBs isoladamente indica apenas contato anterior com o vírus da hepatite B e a presença de anti-HVA IgG não confirma a hepatite aguda pelo vírus A.

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