A reclamação constitucional

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Q2542776 Direito Constitucional
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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O entendimento do STF na Rcl 4.374/PE, aplicável ao caso, conduz ao gabarito C. As normas que eliminam as demais são: Lei nº 13.105/2015, art. 988, caput: “Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para:” — há previsão no CPC, afastando A; Lei nº 11.417/2006, art. 7º, § 1º: “Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas.” — na hipótese de violação de súmula vinculante, esse requisito afasta B; Lei nº 13.105/2015, art. 985, § 1º: “Não observada a tese adotada no incidente, caberá reclamação.” — a previsão específica relativa ao IRDR é legal, afastando D.

Tema central: Controle incidental na reclamação
Análise das alternativas
A
Errada
A negação de previsão no CPC/2015 contraria sua disciplina expressa nos arts. 988 a 993. O art. 988, caput, da Lei nº 13.105/2015 estabelece: “Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para:”. Portanto, existe previsão legal no Código.
B
Errada
A dispensa genérica de esgotamento administrativo contraria o art. 7º, § 1º, da Lei nº 11.417/2006: “Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas.” Esse requisito aplica-se à reclamação por violação de súmula vinculante contra omissão ou ato administrativo. Não deve ser estendido indistintamente a toda reclamação, mas basta para tornar falsa a dispensa afirmada pela alternativa.
C
Certa
A alternativa C corresponde ao entendimento interpretativo firmado pelo STF na Rcl 4.374/PE: no julgamento de reclamação cabível por fundamento próprio, pode ser examinada a constitucionalidade da norma que sustenta o ato ou a decisão impugnados. A questão constitucional funciona como antecedente necessário à resolução da reclamação, caracterizando controle difuso incidental. Isso não autoriza transformar a reclamação em via autônoma cujo pedido principal seja a declaração de inconstitucionalidade.
D
Errada
O erro está na fonte normativa, não na existência da hipótese de cabimento. A reclamação para assegurar a observância de tese de IRDR tem previsão específica nos arts. 985, § 1º, e 988, IV, do CPC, e não expressamente na Constituição. O art. 985, § 1º, da Lei nº 13.105/2015 dispõe: “Não observada a tese adotada no incidente, caberá reclamação.”
Pegadinha da questão
A questão distingue o controle incidental admitido na reclamação de um pedido principal autônomo de inconstitucionalidade. Também apresenta uma hipótese verdadeira de cabimento em D, mas atribui sua previsão específica à Constituição, e generaliza em B uma dispensa incompatível com o requisito aplicável à violação de súmula vinculante por ato administrativo.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a inconstitucionalidade é questão incidental necessária à solução de reclamação cabível por fundamento próprio ou se foi formulada como pedido principal autônomo.
  • Na reclamação por violação de súmula vinculante contra omissão ou ato administrativo, confira o esgotamento das vias administrativas exigido pela Lei nº 11.417/2006.
  • Separe a existência da hipótese de cabimento de sua fonte normativa: a previsão específica relativa ao IRDR está no CPC.

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ), reafirmou o entendimento de que a reclamação não é o meio processual adequado para questionar a não aplicação, em primeira ou segunda instância, de teses firmadas pela corte em julgamento sob o rito dos recursos repetitivos.

A reclamação constitucional não trata de instrumento adequado para o controle da aplicação dos entendimentos firmados pelo STJ em recursos especiais repetitivos. As hipóteses de cabimento da reclamação foram elencadas nos incisos do caput do art. 988. O § 5º do art. 988 trata sobre situações nas quais não se admite reclamação. O § 5º do art. 988 foi introduzido no CPC pela Lei nº 13.256/2016 com o objetivo justamente de proibir reclamações dirigidas ao STJ e STF para o controle da aplicação dos acórdãos sobre questões repetitivas. Essa parte final do § 5º é fruto de má técnica legislativa.

Se for admitida reclamação nessa hipótese isso irá em sentido contrário à finalidade do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, diante dos litígios de massa.

O meio adequado e eficaz para forçar a observância da norma jurídica oriunda de um precedente, ou para corrigir a sua aplicação concreta, é o recurso, instrumento que, por excelência, destina-se ao controle e revisão das decisões judiciais.

STJ. Corte Especial. Rcl 36476-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/02/2020 (Info 669)

Art. 988 (...)

§  5º É inadmissível a reclamação:

(...)

II – proposta para garantir a observância de acórdão de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos, quando não esgotadas as instâncias ordinárias.

O erro da alternativa D está na expressão "por previsão expressa constitucional". Pois não é a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 que trata sobre a RECLAMAÇÃO para garantir observância de tese jurídica firmada em acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas. Mas, sim, o Código de Processo Civil, no artigo 988, IV.

sobre a letra B:

RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL:

Contra decisão judicial - o cabimento da reclamação constitucional é imediato.

Contra decisão de órgão administrativo - somente é possível a reclamação após o esgotamento da esfera administrativa.

LEI Nº 11.417/06:

Art. 7º Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação.

§ 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas.

A C está correta porque quando se ajuíza reclamação o indivíduo não deseja pura e simplesmente defender a tese que foi ofendida de forma abstrata, busca, outrossim, assegurar um direito subjetivo seu que foi violado graças ao desrespeito à referida tese. É por isso que a alternativa fala em questão prejudicial.

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