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Q2542765 Português
Tecnologia, inovação e trabalho são feitos de gente

    É evidente a mudança significativa na forma de trabalho, já que a tecnologia está cada vez mais presente no nosso dia a dia. Tem-se falado muito sobre transformação digital, algoritmo, metaverso, mas nos deparamos com questões voltadas para pessoas que não estão sendo observadas como deveriam.
    Há um deficit educacional gigantesco no Brasil, além da carência de profissionais da área de tecnologia da informação (TI). Segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a TI precisará de aproximadamente 420 mil profissionais até 2024, mas o sistema educacional brasileiro só capacita 46 mil pessoas com perfil tecnológico por ano. Precisamos investir em educação tecnológica, mas não só isso, também precisamos dar oportunidades.
    Estamos falando de tecnologias incríveis nas mãos de poucos. Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva e a empresa PwC, mais de 33,9 milhões de brasileiros não têm sequer acesso à internet. Com a chegada do 5G, as escolas privadas que estão nas grandes cidades serão beneficiadas de forma muito mais rápida com a realidade virtual, por exemplo, mas as crianças que estudam em escolas públicas, no interior, não têm a mesma oportunidade.
    A tecnologia é importante, é um fator primordial. Mas, no fundo, temos carência em diversos aspectos quando falamos de Brasil, inclusive uma necessidade extrema de pessoas querendo falar com pessoas. Os bancos digitais estão mudando suas configurações para que os clientes possam ser atendidos por pessoas e não por robôs. É uma dicotomia que estamos passando, visto que nunca vivemos momentos tão intensos de disrupção digital como agora, sem precedentes históricos. A nossa realidade hoje é completamente diferente e impulsionada por essa transformação digital.
    Estamos vendo fins de empregos formais, passando a focar em times com outras habilidades, expertises, exigindo criatividade e capacidade de resolver problemas complexos, alfabetização em dados, equidade e meio ambiente. Temas antes desconsiderados que hoje estão provocando essa grande mudança no mercado de trabalho. Isso implica a necessidade de haver pessoas capacitadas, capazes de tomar decisões, com senso crítico apurado e em condições de agir em ambientes turbulentos e incertos. Por isso afirmamos que a inovação é feita por pessoas. Gente que sente e se emociona com as questões do seu entorno. Gente que tem empatia e se solidariza com os problemas dos colegas. Gente que valoriza a ética. A mudança é a constante em nossa vida, mas compreender que o momento não é só tecnologia nos colocará mais empáticos com todos que estão à nossa volta.
    A tecnologia é o meio, um suporte que, de acordo com a Lei de Moore, se modifica e dobra a cada dois anos. Por sua vez, as pessoas se modificam e crescem. Ampliam o seu conhecimento a cada nova experiência, o aprendizado é incremental e se amplia a cada nova vivência. E altera também em contato com outras pessoas, com viagens, com leituras, com a própria vida. Cada indivíduo modifica a sua realidade e, ao mesmo tempo, é modificado por ela: um ato recíproco. Essas mudanças apresentam uma velocidade exponencial na tecnologia, alteram o nosso ambiente e pessoas são necessárias para conduzir os processos. Desconsiderar as pessoas e sua importância nesse contexto é eliminar a inovação e a tecnologia.


(OROFINO, Maria Augusta. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2022/11/5054357-artigo-tecnologia-inovacao-e-trabalho-sao-feitos-de-gente.html. Acesso em: abril de 2024.)
A escolha da pessoa do discurso identificada no texto em análise a partir dos verbos empregados e pronomes demonstra: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Tema central: Análise da pessoa do discurso e seu impacto na impessoalidade/subjetividade do texto, com foco na interpretação da escolha de pronomes e formas verbais no texto argumentativo.

Comentário:

No texto, observa-se o uso predominante da primeira pessoa do plural ("precisamos investir", "afirmamos que", "nos colocará…"), indicando que a autora se inclui no grupo sobre o qual fala, construindo um vínculo com o leitor. Esse recurso estilístico, conforme explica Evanildo Bechara em sua “Moderna Gramática Portuguesa”, é típico de uma exposição que busca engajamento, sem ser totalmente pessoal ou totalmente impessoal.

A alternativa correta é a letra B, pois o uso da 1ª pessoa do plural permite à autora apresentar seu ponto de vista de modo parcialmente impessoal, diluindo a individualidade do discurso e incluindo o coletivo.

Justificativas das alternativas:

A) Incorreta. Impessoalidade caracteriza textos em 3ª pessoa ou formas verbais impessoais; aqui, a autora se inclui no discurso, conferindo certa subjetividade.
B) Correta. A 1ª pessoa do plural sugere exposição parcialmente impessoal, pois há tentativa de englobar o leitor, mas sem o subjetivismo da 1ª pessoa do singular.
C) Incorreta. A exposição é menos “pessoal” do que se fosse em 1ª pessoa do singular. O termo “objetiva” não se alinha à ideia de pessoalidade transmitida na alternativa.
D) Incorreta. Fala-se em subjetividade, mas o emprego predominante da 1ª pessoa do plural, e não da 3ª, desfaz o argumento da alternativa.

Dica de prova: Atenção à pessoa do discurso, pois a banca costuma explorar as consequências do uso de “nós”, “eu” ou “eles” para construir impessoalidade, subjetividade ou coletividade em textos argumentativos.

Referências: Cunha & Cintra (Nova Gramática), Bechara (Moderna Gramática Portuguesa). Ambos reforçam que formas de 1ª pessoa do plural suavizam o tom pessoal, sem eliminar engajamento coletivo.

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GAB: letra B.

A alternativa correta é a letra B:

B. Exposição do ponto de vista de maneira parcialmente impessoal, utilizando a 1ª pessoa do plural.

EXPLICAÇÃO

O texto é parcialmente impessoal porque, embora apresente opiniões e argumentos da autora, ele busca construir um tom coletivo ao usar a 1ª pessoa do plural. Isso confere uma perspectiva inclusiva, trazendo o leitor para o discurso sem torná-lo excessivamente pessoal.

  1. "Precisamos investir em educação tecnológica"
  • O uso de "precisamos" implica que a autora está inserida em um grupo que inclui os leitores e a sociedade em geral. Essa escolha distancia o texto de uma opinião puramente pessoal e aponta para um objetivo comum.
  1. "Estamos falando de tecnologias incríveis nas mãos de poucos"
  • "Estamos" reforça que a análise não é exclusiva da autora, mas uma visão compartilhada com o público, ampliando o escopo do discurso.
  1. "Temos carência em diversos aspectos"
  • O verbo "temos" aponta para uma constatação que inclui a autora e a coletividade, o que demonstra parcial impessoalidade, já que a crítica não está direcionada a um indivíduo específico, mas ao cenário brasileiro.

POR QUE É IMPESSOAL?

O texto não é completamente impessoal, pois reflete claramente a visão e os valores da autora, como o destaque para a educação tecnológica e a inclusão digital. Entretanto, o uso da 1ª pessoa do plural cria um tom de neutralidade estratégica, englobando o leitor e dando maior peso ao argumento, como se fosse um consenso coletivo e não apenas a opinião da autora.

Portanto, a escolha da 1ª pessoa do plural permite ao texto ser didático e engajador, ao mesmo tempo que evita uma abordagem demasiadamente pessoal.

1ª pessoa do singular → Pessoal

1ª pessoa do plural → Parcialmente impessoal

3ª pessoa do singular → Impessoal

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