No primeiro parágrafo, ao diferenciar o lilás de outras ton...

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Q3915804 Português
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O lilás é uma cor que parece carregar, ao mesmo tempo, delicadeza e estranhamento: não grita como o vermelho, não se impõe como o preto, mas chama atenção por um tipo de presença silenciosa. Por isso, costuma marcar objetos e cenas que querem sugerir transição, sonho, imaginação ou cuidado. Em muitos contextos visuais, o lilás aparece como ponte entre o azul e o rosa, criando uma sensação de suspensão, como se a imagem estivesse entre a realidade e a lembrança.

Na natureza, o lilás se destaca em flores e paisagens que viram referência afetiva: lavandas, lilases, hortênsias e campos que, quando vistos em conjunto, produzem uma impressão quase cinematográfica. Essa cor também surge em crepúsculos e reflexos do céu, quando a luz muda de forma rápida e o olhar percebe nuances que parecem raras. Não é à toa que o lilás, em narrativas e descrições, frequentemente acompanha momentos de pausa, contemplação e mudança de ciclo.

No campo cultural, o lilás aparece como símbolo em diferentes movimentos e tradições, assumindo significados ligados à memória, à dignidade e à afirmação identitária. É uma cor recorrente em campanhas e manifestações públicas, em detalhes de vestuário e em elementos de design que buscam comunicar valores sem depender de frases longas. Ao mesmo tempo, o lilás foi incorporado pela moda, pela estética pop e pela linguagem digital, tornando-se marca de estilos que transitam entre o retrô e o futurista. 

Também há coisas marcantes de cor lilás no cotidiano: embalagens de produtos de cuidado pessoal, cadernos, canetas, capas, luzes decorativas, ambientes com iluminação suave e objetos que procuram transmitir calma. Em muitos espaços, o lilás é usado para diminuir a sensação de rigidez e tornar o ambiente mais acolhedor, como se a cor tivesse uma função de “amortecer” o mundo. Assim, o lilás permanece como um recurso expressivo que, mesmo discreto, consegue fixar lembranças e dar identidade a cenas e objetos.
No primeiro parágrafo, ao diferenciar o lilás de outras tonalidades, o autor afirma que ele "não grita como o vermelho". Ao atribuir uma ação tipicamente humana (gritar) a um ser inanimado (uma cor), o texto emprega o recurso estilístico denominado:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a atribuição de ação humana a um elemento inanimado: no trecho "não grita como o vermelho", a cor recebe o verbo "gritar", e o próprio comando explicita essa associação. Isso caracteriza prosopopeia e conduz ao gabarito A.

Tema central: Prosopopeia
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o enunciado descreve o mecanismo semântico da prosopopeia: atribuir ação, traço ou comportamento humano a ser inanimado. Em "não grita como o vermelho", a cor recebe o verbo "gritar", que designa conduta própria de ser animado/humano. Por isso, há personificação, nomeada na alternativa como prosopopeia.
B
Errada
Pleonasmo exige redundância vocabular ou semântica, com repetição de ideia. Em "não grita como o vermelho", não há duplicação de conteúdo nem reforço redundante; há atribuição figurada de ação humana a uma cor. Portanto, o funcionamento expressivo do trecho não é pleonástico.
C
Errada
Eufemismo pressupõe suavização de uma ideia desagradável, chocante ou socialmente áspera. No trecho, o autor não abranda nenhum conteúdo desse tipo; usa "gritar" para caracterizar figuradamente a intensidade associada a uma cor. O recurso é de personificação, não de abrandamento semântico.
D
Errada
Dissonância não corresponde ao procedimento de atribuir ação humana a ser inanimado. A questão pede a nomeação de uma figura de linguagem específica, ativada pelo verbo humano aplicado a uma cor. Esse critério exclui a alternativa D.
Pegadinha da questão
A banca explora a possibilidade de o candidato reconhecer que há linguagem figurada, mas não identificar o mecanismo exato: prosopopeia. Também pode haver confusão entre o nome técnico "prosopopeia" e o termo mais lembrado "personificação", que aqui designam o mesmo processo.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado disser que um ser inanimado recebe ação humana, procure a figura de personificação/prosopopeia.
  • Não marque uma figura genérica só porque o trecho é expressivo; confira qual é o mecanismo exato produzido pela linguagem.
  • Exclua pleonasmo se não houver redundância de sentido e exclua eufemismo se não houver suavização de ideia desagradável.

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