O Ministério Público ajuíza ação de improbidade contra ex-S...

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Q4196264 Direito Administrativo
O Ministério Público ajuíza ação de improbidade contra ex-Secretário Municipal de Saúde. Segundo a inicial, ele autorizou pagamento emergencial a fornecedor sem pesquisa suficiente de preço e sem parecer jurídico conclusivo, mas os medicamentos foram entregues, não houve prova de enriquecimento pessoal e a auditoria não identificou dano ao erário. A inicial sustenta que a conduta foi gravemente negligente e que, por si só, demonstraria improbidade. Em reunião com o Prefeito, a Procuradoria avalia os efeitos da reforma da Lei de Improbidade Administrativa e a necessidade de diferenciar irregularidade administrativa, culpa grave, dolo e prejuízo efetivo.

Considerando o elemento subjetivo exigido para a configuração de improbidade administrativa, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Lei nº 8.429/1992, art. 1º, §§ 1º, 2º e 3º, com redação da Lei nº 14.230/2021: "§ 1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais.

§ 2º Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente.

§ 3º O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa." Como o enunciado descreve apenas negligência grave, sem prova de dolo, não se configura improbidade administrativa, o que torna correta a alternativa A.

Tema central: Dolo na improbidade administrativa
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque, após a reforma promovida pela Lei nº 14.230/2021, a Lei de Improbidade passou a exigir dolo para a configuração dos atos tipificados nos arts. 9º, 10 e 11. A mera culpa na gestão contratual, ainda que qualificada como grave, não satisfaz o requisito legal. O dado decisivo do enunciado é que a acusação se apoia na gravidade da negligência, e não na demonstração de vontade livre e consciente de alcançar resultado ilícito tipificado.
B
Errada
Está errada porque a ausência de dano ao erário não impede, por si só, o exame de violação aos princípios administrativos. A base legal aplicável é a Lei nº 8.429/1992, art. 11, caput e § 4º: os atos desse artigo dependem de ação ou omissão dolosa enquadrada em uma das condutas legais e "independem do reconhecimento da produção de danos ao erário e de enriquecimento ilícito dos agentes públicos". Portanto, o erro da alternativa é transformar a falta de dano em obstáculo absoluto, o que a lei não autoriza.
C
Errada
Está errada porque admite culpa grave como suficiente para improbidade, mas a redação vigente da LIA afasta essa possibilidade. O art. 1º, §§ 1º a 3º, exige conduta dolosa tipificada e exclui a responsabilização por mero exercício da função sem comprovação de ato doloso com fim ilícito. Logo, falha de planejamento ou negligência grave não substituem o dolo exigido pela lei.
D
Errada
Está errada porque a falta de parecer conclusivo não gera automaticamente improbidade nem autoriza presumir lesão ao erário. Para os atos do art. 10, a Lei nº 8.429/1992 exige: "qualquer ação ou omissão dolosa, que enseje, efetiva e comprovadamente, perda patrimonial". A própria base informa que não houve dano identificado pela auditoria, de modo que falta o requisito de perda patrimonial efetiva e comprovada, além de não se poder substituir esse requisito por dano presumido.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre irregularidade administrativa ou culpa grave e improbidade administrativa, como se a gravidade da falha bastasse por si só após a reforma da LIA.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro filtre o elemento subjetivo: após a Lei nº 14.230/2021, improbidade exige dolo, não bastando culpa, ainda que grave.
  • Se a imputação for de lesão ao erário, confira se há perda patrimonial efetiva e comprovada; dano presumido não basta.
  • Se a hipótese for art. 11, não exija dano ao erário, mas exija dolo e enquadramento em uma das condutas legais.

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Comentários

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O Tema 309 da Repercussão Geral do Supremo Tribunal Federal estabelece a exigência de dolo para a configuração de atos de improbidade administrativa e valida a contratação direta de serviços advocatícios. O julgamento do caso líder ocorreu no Recurso Extraordinário (RE) 656558.

Vale pontuar: A ausência de dolo específico impede a condenação por improbidade administrativa, mas não afasta a obrigação de ressarcir o erário diante de comprovado dano. A despeito da atipicidade superveniente da conduta, por falta de dolo específico, persiste a condenação com base na efetiva lesão ao erário, de modo que é imperioso o prosseguimento da demanda visando, tão somente, o ressarcimento dos danos experimentados pelo ente público.

STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 1.994.350-SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 22/9/2025 (Info 28 - Edição Extraordinária).

Gaba A, como apontado pelos colegas. Em complemento.

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TEMA 309/STF: O dolo é necessário para a configuração de qualquer ato de improbidade administrativa (art. 37, § 4º, da Constituição Federal), de modo que é inconstitucional a modalidade culposa de ato de improbidade administrativa prevista nos arts. 5º e 10 da Lei nº 8.429/92, em sua redação originária.

TEMA 1199/STF: É necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação dos atos de improbidade administrativa, exigindo-se - nos artigos 9º, 10 e 11 da LIA - a presença do elemento subjetivo - DOLO.

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LIA

Art. 1º. (...) § 1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais.

(...)

§ 3º O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa.

(...)

Art. 17-C. (...) § 1º A ilegalidade sem a presença de dolo que a qualifique não configura ato de improbidade. 

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@softlaw41

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