O dinheiro é um bom servo, mas um
péssimo patrão. Sendo usado para o nosso bem e
para o bem do próximo é uma bênção, mas, usado
de forma egoísta, só para o nosso deleite e de
forma avarenta, só para explorar o próximo, é
uma maldição. Certamente, o problema não é ter
dinheiro, mas o dinheiro nos ter; não é guardar
dinheiro no banco, mas entronizá-lo no coração.
O dinheiro é necessário, pois sem ele não
suprimos nossas necessidades nem podemos
socorrer os necessitados. Porém, o dinheiro, por
mais volumoso, não pode nos oferecer felicidade
nem segurança. É ledo engano pensar que о
dinheiro é fonte de alegria ou imaginar que o
dinheiro nos blinda dos perigos da vida. О
dinheiro é volátil. É insensatez, portanto, confiar
na instabilidade da riqueza. O dinheiro,
outrossim, não pode comprar as coisas mais
importantes. O dinheiro pode nos dar momentos
felizes, mas não pode adquirir para nós
felicidade. Pode nos dar uma casa, mas não um
lar; pode nos dar conforto, mas não saúde; pode
nos dar alimento, mas não apetite; pode nos dar
bajuladores, mas não amigos; pode nos dar um
rico funeral, mas não a vida eterna.
O dinheiro pode ser conquistado por nós
com o suor do nosso rosto ou pode ser deixado
para nós como herança dos nossos pais. Pode vir
do trabalho das nossas mãos ou das mãos
daqueles que laboraram antes de nós. O dinheiro,
porém, não pode ser levado por nós. O homem
mais rico não pode levar sequer um mísero
centavo de toda a sua fortuna. Não há gaveta em
caixão nem caminhão de mudança em enterro.
Mesmo possuindo um império econômico, ao
morrer, o homem deixa tudo. O dinheiro só pode
ir conosco até à sepultura. Tudo o que
granjeamos e recebemos é deixado aqui mesmo.
As riquezas da terra não realizam nenhuma
marcha conosco além da sepultura.
O amor do dinheiro é raiz de todos os
males. Muitos caem nos laços da cobiça e
atormentam a sua alma com muitos flagelos. Há
aqueles que até mesmo se desviam da fé e
mergulham sua alma em doída angústia e pesada
tribulação. Por amor ao dinheiro, muitos vivem e
morrem, casam-se e descasam, matam e mandam
matar, corrompem e são corrompidos. Por amor
ao dinheiro, o homem se bestializa e declara
guerra ao seu próximo. (...)
LOPES, Hernandes Dias. Uma insatisfação crônica.
Disponível em <https://www.hernandesdiaslopes.com.br/umainsatisfacao-cronica>.
"O dinheiro pode ser conquistado por nós com
o suor do nosso rosto ou pode ser deixado para
nós como herança dos nossos pais."
As formas verbais destacadas no trecho acima
indicam ações: