Qual a importância do diagnóstico da leucoplasia verrucosa p...
Gabarito comentado
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Tema central: a leucoplasia verrucosa proliferativa (LVP) é uma desordem potencialmente maligna oral de alto risco, multifocal e progressiva, com elevada taxa de transformação para carcinoma verrucoso e carcinoma espinocelular. Por isso, reconhecer o diagnóstico muda seguimento e conduta.
Alternativa correta: D – Associação com malignização
A LVP apresenta curso crônico, recidivante e expansivo, frequentemente em mulheres, muitas vezes não fumantes, com placas brancas verrucosas que aumentam em número e extensão. Estudos e diretrizes (WHO 2022; UpToDate; Neville) descrevem taxas de transformação maligna cumulativas de 40–70% ao longo de anos, com progressão para carcinoma verrucoso e/ou carcinoma espinocelular. Assim, o diagnóstico precoce implica vigilância estreita, biópsias seriadas e tratamento oportuno para reduzir risco de câncer e detectar transformação em fase inicial.
Como reconhecer (estratégia em prova): ao ler “LVP” ou “leucoplasia multifocal, verrucosa, progressiva”, associe imediatamente a alto potencial de malignização. Não confunda com leucoplasias simples, cujo risco é menor.
Achados diagnósticos essenciais: lesões multifocais, persistentes, verrucosas, em mucosa jugal, gengiva e dorso de língua; evolução por anos; histologia variável (de hiperqueratose a displasia), exigindo mapeamento com múltiplas biópsias e acompanhamento longitudinal. Excluir candidíase e queratoses friccionais. Fonte: WHO Classification of Head and Neck Tumours (2022); UpToDate (Oral leukoplakia).
Por que as outras alternativas estão incorretas?
- A – Hepatites B e C: não há evidência de associação específica entre LVP e HBV/HCV. A literatura cita relação discutível entre líquen plano oral e HCV, não com LVP. Portanto, conceito deslocado.
- B – HPV: embora alguns estudos detectem DNA de HPV em lesões orais, a relação causal consistente da LVP com HPV não está estabelecida. HPV está claramente ligado a câncer orofaríngeo e lesões papilomatosas, não sendo eixo central da LVP segundo WHO/UpToDate.
- C – “PB micose” (micose profunda/paracoccidioidomicose): micoses profundas podem gerar lesões orais, porém não há vínculo etiopatogênico com LVP. Alternativa sem respaldo em diretrizes.
Conduta prática (resumo): cessar fatores de risco; seguimento trimestral; biópsias repetidas das áreas suspeitas; considerar excisão cirúrgica, laser CO₂ ou terapias adjuvantes conforme extensão, sabendo que a recidiva é frequente. Educação do paciente e vigilância prolongada são mandatórias. Referências: WHO 2022; Neville, Oral & Maxillofacial Pathology, 4ª ed.; UpToDate 2024; Warnakulasuriya et al.
Pegadinha comum: associar automaticamente lesões orais brancas ao HPV. Em LVP, o ponto-chave é o alto risco de transformação maligna, não a etiologia viral.
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