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Q1053146 Português

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O gosto na era do algoritmo

      Às segundas-feiras pela manhã, os usuários do Spotify (serviço de transferência de dados via internet que dá acesso a músicas e outros conteúdos de artistas) recebem uma lista personalizada de músicas que lhes permite descobrir novidades. O sistema se baseia em um algoritmo cuja evolução e usos aplicados ao consumo cultural são infinitos. De fato, plataformas de transmissão de dados cinematográficos, como a Netflix, começam a desenhar suas séries de sucesso rastreando os dados gerados por todos os movimentos dos usuários para analisar o que os satisfaz. O algoritmo constrói assim um universo cultural adequado e complacente com o gosto do consumidor, que pode avançar até chegar sempre a lugares reconhecíveis.

     O algoritmo, sustentam seus críticos, nos torna chatos, previsíveis, e empobrece nossa curiosidade por explorar o acervo cultural. Ramón Sangüesa, coordenador do Data Transparency Lab (Laboratório de Transparência de Dados), consegue ver vantagens, mas também riscos. “Esses sistemas se baseiam no passado para predizer o futuro. A primeira dificuldade é conseguir a massa crítica para que tenhamos mais dados e as projeções sejam melhores. Mas sempre se corre o risco de ficar em uma mesma área de recomendação. No consumo cultural, o perigo está na uniformização do gosto, o que chamamos de filtro bolha. E assim vão sendo criados comportamentos padronizados”, afirma.

      A questão, no entanto, é se os limites impostos na aprendizagem pelos sistemas fechados de computação são equiparáveis aos erros e possíveis idiotices que cometemos durante anos formando nosso próprio gosto. O escritor Eloy Fernández Porta não vê grande diferença. Segundo ele, antes do Spotify e fora dele o gosto já vinha determinado por critérios de acesso, aceitação, atualidade e distinção. “Sempre vivemos a música em um algoritmo, o que acontece é que em vez de chamá-lo de matemática o chamamos de espontaneidade. O algoritmo do Spotify não me parece menos confiável do que a fórmula caótica que cada ouvinte inventou. Nem menos humano: quando fazemos analogias erradas ou nos empenhamos em recomendar o primeiro disco de Vincent Gallo, nossas sinapses estão dando os mesmos maus passos”, afirma.

(Daniel Verdú. https://brasil.elpais.com/brasil/. 09.07.2016. Adaptado)

Quanto à regência da norma-padrão, em “nossa curiosidade por explorar o acervo cultural”, o vocábulo destacado pode ser substituído, sem prejuízo do sentido, por:
Alternativas

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Tema central: Regência Nominal

A questão aborda a regência do substantivo “curiosidade”, isto é, a escolha correta da preposição que liga o substantivo ao seu complemento. Segundo a norma-padrão, a regência nominal estabelece as relações sintáticas entre nomes (substantivos, adjetivos, advérbios) e seus termos dependentes, por meio de preposições específicas (Ferreira, 1980; Bechara, 2009).

Justificativa da alternativa correta:

No trecho “nossa curiosidade por explorar o acervo cultural”, a preposição “por” pode ser substituída por “de” sem prejuízo do sentido, pois ambas são regências aceitáveis ao substantivo “curiosidade”, conforme os principais dicionários de regência:

  • “Curiosidade de” indica o objeto do interesse: Curiosidade de explorar novos mundos.
  • “Curiosidade por” expressa desejo/interesse: Curiosidade por ciências ocultas.

Assim, “nossa curiosidade de explorar o acervo cultural” está de acordo com a norma culta e é plenamente compreensível e correta, tal como “por”.

Análise das alternativas incorretas:

A) aIncorreta. A preposição “a” não estabelece regência aceitável com “curiosidade” nesse uso. Não se diz “curiosidade a explorar”.

C) comIncorreta. “Com” expressa companhia ou instrumento, não complementa “curiosidade” adequadamente (“curiosidade com” não é usual).

D) sobreIncorreta. “Sobre” indicaria assunto/tema, mas não é tradicional na regência de “curiosidade”; ficaria mais adequado com “curioso sobre”.

E) através deIncorreta. “Através de” indica meio, caminho, instrumento, não o objeto do interesse/despertar da curiosidade.

Dica de prova e estratégia: Ao analisar regência nominal, sempre considere formas consagradas pelo uso e respaldadas pelos dicionários especializados (como Bechara ou Cunha & Cintra). Evite trocas livres de preposição, pois muitas vezes uma sutil inadequação compromete o respeito à norma culta em provas!

Conclusão: A alternativa B) de é correta; substitui “por” sem prejuízo de sentido, de acordo com a regência nominal padrão.

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Comentários

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Gabarito B

“nossa curiosidade por explorar o acervo cultural”

Quem tem curiosidade "por" ou a preposição "de". Logo, são equivalentes.

Regência nominal de CURIOSIDADE

Há três possibilidades: de, em e por.

Exemplos:

Tenho curiosidade de saber quem ficou com o dinheiro do INSS.

Temos curiosidade em todas as matérias.

As crianças não tiveram curiosidade pelo final da história. 

Fonte: http://www.linguabrasil.com.br/img/colunas/Coluna_N027_2012-05-30.pdf

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