Lactente com 5 meses de idade portador de tetralogia de Fall...

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Q3883460 Medicina
Lactente com 5 meses de idade portador de tetralogia de Fallot, há três dias apresentando quadro diarreico agudo, hoje apresentou quadro de cianose importante ao choro; dando entrada no pronto atendimento com saturação de 65%.
A principal hipótese diagnóstica e conduta são, respectivamente,
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Lactente com tetralogia de Fallot, cianose súbita importante ao choro, saturação de 65% e provável desidratação por diarreia apresenta o padrão clássico de crise hipoxêmica por aumento do shunt direita-esquerda e espasmo infundibular; isso favorece a alternativa que propõe oxigênio, morfina e correção volêmica/hidroeletrolítica.

Tema central: Crise hipoxêmica na TOF
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A combina corretamente diagnóstico e conduta inicial. O quadro descrito é típico de crise hipoxêmica na tetralogia de Fallot: piora aguda da cianose precipitada por choro em cardiopatia cianótica, agravada por provável hipovolemia da diarreia. A morfina é adequada porque reduz agitação, hiperpneia e descarga adrenérgica, ajudando a diminuir o componente dinâmico da obstrução da via de saída do ventrículo direito. O oxigênio entra como medida de suporte para maximizar a oferta de O2. A correção de distúrbios hidroeletrolíticos e da hipovolemia trata um gatilho relevante do caso e ajuda a melhorar a hemodinâmica do shunt.
B
Errada
O diagnóstico está correto, mas a conduta principal está errada. Adrenalina não é medida inicial clássica da crise hipoxêmica na tetralogia de Fallot e seu efeito beta-adrenérgico pode aumentar contratilidade e piorar a obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo direito, agravando o shunt direita-esquerda.
C
Errada
Erra a conduta por escalonar para adrenalina, milrinona e ventilação mecânica sem base no enunciado para falência respiratória refratária ou choque. Além disso, milrinona não é tratamento inicial padrão desse quadro e pode reduzir a resistência vascular sistêmica, o que é potencialmente desfavorável em situação de shunt direita-esquerda.
D
Errada
O erro central é sindrômico: o quadro não sugere insuficiência cardíaca congestiva. Faltam sinais de congestão pulmonar ou sistêmica, como taquidispneia persistente, hepatomegalia congestiva, dificuldade alimentar crônica, estertores ou edema. O padrão agudo precipitado por choro em lactente com tetralogia de Fallot é muito mais compatível com crise hipoxêmica. Por isso, dobutamina e ventilação mecânica não correspondem à abordagem inicial apropriada.
E
Errada
Além de rotular incorretamente o caso como insuficiência cardíaca congestiva, propõe furosemida em criança com diarreia e provável depleção volêmica, o que pode piorar a hemodinâmica. Adrenalina também não é a droga inicial de escolha na crise hipoxêmica. A alternativa erra tanto no diagnóstico quanto na fisiologia da conduta.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre hipoxemia grave em cardiopata e insuficiência cardíaca congestiva, além do impulso de escolher catecolamina pela baixa saturação sem reconhecer o padrão clássico de crise hipoxêmica precipitada por choro e desidratação.
Dica para questões semelhantes
  • Em tetralogia de Fallot, cianose súbita desencadeada por choro ou agitação aponta primeiro para crise hipoxêmica, não para congestão.
  • Se houver diarreia ou outro contexto de perda volêmica, trate isso como gatilho hemodinâmico relevante da crise.
  • Na conduta inicial, procure medidas que reduzam espasmo infundibular e consumo de oxigênio: morfina, oxigênio e correção volêmica/hidroeletrolítica.
  • Desconfie de alternativas com adrenalina, dobutamina, milrinona ou diurético como primeira resposta quando o enunciado não mostra choque, congestão ou refratariedade.

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