É correto afirmar que o texto “O melhor das pessoas” é pred...
Leia o texto a seguir para responder à questão.
O melhor das pessoas
A frase – “A gente precisa chamar o melhor das pessoas” – é um válido lembrete de como podemos enxergar mais pelo filtro da compaixão. Quando olhamos para uma pessoa, o primeiro tipo de pensamento que vem à mente é de julgamento ou de curiosidade?
É que, às vezes, nem dá tempo do outro se apresentar e já recebe nossa etiqueta invisível de “bom” ou “ruim”, de “aceito conviver” ou “melhor evitar”.
Não simpatizamos com todo mundo, mas cultivar uma noção positiva sobre o outro é educar-se pela régua da generosidade, o que resulta em saúde e bem-estar para nós mesmos. Já reparou como pessoas indispostas têm o hábito de criticar com rapidez, constância e facilidade? É um hábito e, como tal, também é possível revertê-lo com a devida prática.
E se, para cada sentença negativa sobre alguém, encontrarmos um aspecto a ser elogiado? Não precisa ser sempre em voz alta. O discurso interno bem direcionado é capaz de reprogramar nosso cérebro e, em sequência, nossos sentimentos e atitudes. (...)
Assim tem procedido uma amiga brasileira que recém ingressou no curso de História, em uma universidade lisboeta. Ela me relatou que, se antes, respondia a todo e qualquer comentário de forma impulsiva, agora tem elaborado melhor as falas e discernido quando vale a pena ser mais incisiva. Aprendizado que veio após alguns anos de cansaço e motivado pelas novas interações estudantis.
Há situações em que é preciso ser firme e defender seus direitos. Entretanto, minha amiga vem buscando ponderar o que ouve e o que replica, escolhendo com sabedoria suas pelejas. Quando percebe que não é o momento de insistir, resguarda-se para um futuro colóquio. Com isso, descobriu que ganhou paz de espírito, diminuiu a ansiedade e aumentou a empatia.
Quem sabe se, de tanto chamarmos o melhor dos outros, como sugeriu meu colega escritor, atenda já na primeira tentativa o melhor de nós também.
FONTENELE, Cristina. O melhor das pessoas. DN Brasil.
Disponível em <https://dnbrasil.dn.pt/crnica-o-melhordas-pessoas>.
Gabarito comentado
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Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a predominância tipológica: o texto é dissertativo-reflexivo quando expõe e discute ideias por meio de avaliações, generalizações e perguntas retóricas, como em “A frase – “A gente precisa chamar o melhor das pessoas” – é um válido lembrete de como podemos enxergar mais pelo filtro da compaixão. Quando olhamos para uma pessoa, o primeiro tipo de pensamento que vem à mente é de julgamento ou de curiosidade?”; assim, o eixo do texto é a reflexão sobre julgamento, empatia e mudança de atitude, e não a narração principal de fatos nem a descrição física de pessoas, o que confirma a alternativa A.
- Verifique o que organiza o texto inteiro: se predominam ideias, avaliações e tese, a base é dissertativa, mesmo que apareça um exemplo narrado.
- Perguntas retóricas e generalizações sobre comportamento humano costumam marcar tom reflexivo.
- Não transforme um caso particular em objetivo central do texto; primeiro identifique a função desse caso dentro do conjunto.
- Para excluir descrição, observe se há retrato de características físicas; se o foco está em atitudes e valores, o texto não é descritivo.
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Comentários
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Alternativa A: Correta. O texto classifica-se predominantemente como dissertativo (mais especificamente, uma crônica dissertativo-argumentativa), pois seu objetivo principal é debater e expor ideias, opiniões e reflexões a respeito das relações humanas. O tom é eminentemente reflexivo, convidando o leitor a analisar seus próprios hábitos cotidianos ("Quando olhamos para uma pessoa, o primeiro tipo de pensamento que vem à mente é de julgamento ou de curiosidade?") e a adotar uma postura pautada pela generosidade e pela empatia.
Alternativa B: Incorreta. Embora o texto seja dissertativo, ele defende exatamente a tese oposta: a de que as pessoas são capazes de mudar seus comportamentos e reverter hábitos negativos. O autor afirma textualmente: "É um hábito e, como tal, também é possível revertê-lo com a devida prática."
Alternativa C: Incorreta. O texto não é predominantemente narrativo e não foca em apresentar "aventuras". O relato sobre a amiga brasileira que estuda História em Lisboa funciona apenas como um exemplo ilustrativo (recurso de exemplificação) para corroborar a tese dissertativa principal sobre o autocontrole e a mudança de atitude.
Alternativa D: Incorreta. A estrutura textual não é narrativa e o tom passa longe de ser um "pessimismo sobre o fim da humanidade". Pelo contrário, a mensagem final possui um viés marcadamente otimista e humanitário ("...chamarmos o melhor dos outros... atenda já na primeira tentativa o melhor de nós também.").
Alternativa E: Incorreta. A tipologia descritiva foca em retratar detalhadamente cenários, objetos ou pessoas. O texto não se propõe a fazer isso e, de forma alguma, diferencia pessoas boas e más a partir de "características físicas"; a abordagem é estritamente comportamental, psicológica e atitudinal.
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