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Sra. A.B.C., 84 anos, portadora de insuficiência cardíaca av...

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Q3883423 Medicina
Sra. A.B.C., 84 anos, portadora de insuficiência cardíaca avançada (FEVE 20%), DPOC grave e insuficiência renal crônica, estágio V, encontra-se internada em UTI há 15 dias após nova descompensação. Permanece em ventilação mecânica invasiva, uso de drogas vasoativas e sem perspectiva de recuperação clínica, segundo a equipe multiprofissional. A família relata que a paciente vinha apresentando sofrimento intenso, com internações frequentes e perda progressiva de autonomia.
Sobre os conceitos de distanásia e ortotanásia dentro dos cuidados paliativos, é correto afirmar:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: O achado decisivo é a paciente terminal, sem perspectiva de recuperação clínica, em suporte invasivo prolongado. Nesse cenário, a ortotanásia corresponde à não instituição ou à limitação de medidas fúteis, ineficazes e desproporcionais; por isso, a alternativa E é a que traduz corretamente o conceito e diferencia a conduta da distanásia, que é o prolongamento indevido do processo de morrer.

Tema central: Ortotanásia e distanásia
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa inverte os conceitos. Abreviar intencionalmente a vida de doente incurável remete à eutanásia, não à distanásia. Já o prolongamento do processo de morrer por intervenções inúteis é definição de distanásia, não de ortotanásia. O erro é conceitual e elimina a opção.
B
Errada
A distinção entre distanásia e ortotanásia não depende de a morte ser lenta ou rápida. O critério médico decisivo é a proporcionalidade e a finalidade das intervenções no fim de vida: distanásia implica obstinação terapêutica; ortotanásia implica evitar medidas fúteis e desproporcionais. Reduzir o tema à duração do morrer distorce o conceito.
C
Errada
A alternativa erra ao afirmar aceitabilidade ética de ambas as práticas. A ortotanásia é compatível com cuidados paliativos porque evita futilidade terapêutica sem abandono. A distanásia, ao contrário, é o prolongamento artificial e inútil do morrer, frequentemente com aumento de sofrimento e sem benefício clínico real. Portanto, não pode ser equiparada ao cuidado devido ao paciente terminal.
D
Errada
É falsa a afirmação de que ambas são vedadas. A base sustenta que a ortotanásia é eticamente reconhecida no contexto de assistência digna ao paciente terminal, desde que mantidos cuidados paliativos e medidas proporcionais. O que se afasta do cuidado paliativo é a distanásia, por representar obstinação terapêutica.
E
Certa
A alternativa E está correta porque define ortotanásia como a não realização de tratamentos fúteis, ineficazes e desproporcionais em paciente terminal. Isso não é abandono nem abreviação da vida: é evitar obstinação terapêutica e permitir a morte natural, com manutenção dos cuidados de conforto. Em contraste, a distanásia é o prolongamento artificial e inútil do processo de morrer.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre ortotanásia, distanásia e eutanásia, além da falsa ideia de que limitar tratamento fútil seria abandono do paciente.
Dica para questões semelhantes
  • Separe os conceitos pelo mecanismo: ortotanásia não provoca a morte; apenas evita obstinação terapêutica.
  • Se a alternativa falar em prolongamento inútil do processo de morrer, pense em distanásia.
  • Em cuidados paliativos, limitação de terapia fútil não significa suspensão de conforto, analgesia ou dignidade.
  • Não use como critério a velocidade da morte; use a proporcionalidade e a utilidade clínica das intervenções.

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