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Ano: 2023 Banca: IBFC Órgão: EBSERH Prova: IBFC - 2023 - EBSERH - Médico - Nefrologia |
Q2637574 Medicina

Mulher de 22 anos procura seu consultório para obter uma segunda opinião. Possui antecedente de hipertensão arterial de difícil controle desde os 15 anos de idade, com três internações prévias para reposição endovenosa de potássio. Pai da paciente também tem hipertensão arterial com diagnóstico na adolescência. Medicações em uso atualmente: hidralazina 75 mg 8/8h e diltiazem 60 mg 8/8h. Exames laboratoriais de investigação recentes: pH 7,46, pCO2 42 mmHg, bicarbonato (HCO3) 28 mEq/L, Cloro (Cl) 96 mEq/L, sódio (Na) 142 mEq/L, potássio (K) 3,6 mEq/L, creatinina (Cr) 0,6 mg/dL, Aldosterona Plasmática: 1,1 ng/dL (valor de referência: 5 a 15 ng/dL), Atividade de renina plasmática: < 0,3 ng/mL/h (valor de referência: 0,3 a 5,8 ng/mL/h). Assinale a alternativa que apresenta corretamente a hipótese diagnóstica mais provável e a medicação de escolha para o tratamento.

Alternativas

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Para compreender essa questão, é importante identificar o tema central: **hipertensão arterial de difícil controle em uma paciente jovem**, associada a **hipocalemia** (baixo potássio sérico) e antecedentes familiares, sugerindo um componente genético.

Justificativa para a alternativa correta (D): Síndrome de Liddle e amilorida

A **Síndrome de Liddle** é uma condição genética rara que causa hipertensão devido ao aumento da reabsorção de sódio nos túbulos distais do néfron, levando a hipocalemia e hipertensão arterial como sintomas predominantes. A característica chave é a **supressão dos níveis de renina e aldosterona**, exatamente o que é apresentado nos exames laboratoriais da paciente (aldosterona plasmática baixa e atividade de renina plasmática baixa).

O tratamento de escolha para a Síndrome de Liddle é a amilorida, um diurético poupador de potássio que atua bloqueando os canais de sódio nos túbulos distais, corrigindo a hipocalemia e ajudando a controlar a hipertensão. Esta medicação é preferida em relação a outros diuréticos por sua ação específica na correção do defeito tubulointestinal.

Análise das alternativas incorretas:

A - Hiperaldosteronismo primário e espironolactona

No hiperaldosteronismo primário, espera-se níveis elevados de aldosterona e uma atividade de renina plasmática suprimida. No entanto, os exames da paciente mostram aldosterona baixa, o que descarta essa condição. A espironolactona é um antagonista da aldosterona e não seria eficaz aqui devido ao nível já baixo de aldosterona.

B - Síndrome de Liddle e hidroclorotiazida

A hidroclorotiazida é um diurético tiazídico que não corrige a disfunção básica da Síndrome de Liddle. Embora possa reduzir a pressão arterial, ela não aborda a reabsorção exacerbada de sódio específica da síndrome.

C - Hiperaldosteronismo primário e amilorida

Similar à alternativa A, a presença de níveis baixos de aldosterona descarta o hiperaldosteronismo primário. Embora a amilorida possa ajudar na correção da hipocalemia, não é usada para tratar o hiperaldosteronismo primário.

E - Hiperaldosteronismo secundário e espironolactona

No hiperaldosteronismo secundário, espera-se níveis elevados de aldosterona devido a uma causa externa, como estenose da artéria renal. Novamente, os níveis baixos de aldosterona na paciente não são consistentes com essa condição. A espironolactona não seria o tratamento de escolha.

Considerações finais:

Essa questão exige um entendimento claro das diferenças fisiopatológicas entre as condições que causam hipertensão e hipocalemia. A interpretação correta dos exames laboratoriais é essencial para o diagnóstico preciso e escolha do tratamento adequado.

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