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"Mas esta forma de pensar ...

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Q4193847 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão


Por que é melhor comer com inteligência do que contar calorias?


A sabedoria popular indica que a solução para manter o peso saudável é contar quantas calorias ingerimos e quantas nós gastamos.


Este cálculo faz sentido: a energia que entra em comparação com a que sai. Parece simples, não é mesmo?


Mas esta forma de pensar desconsidera uma verdade importante: nem todas as calorias da nossa alimentação são iguais.


Na verdade, existe uma complexa interação biológica ocorrendo no interior do nosso corpo, influenciada pelo tipo de alimento que ingerimos, pela rapidez com que o consumimos e pela sua interação com a agitada comunidade de micróbios que vive nos nossos intestinos.


"Esta é uma área de pesquisa em enorme expansão", afirma a professora de nutrição Sarah Berry, do King's College de Londres.


"Estamos realmente começando a ver como a nossa reação aos alimentos varia e que eu posso comer algo que irei metabolizar de forma muito diferente da sua, em relação ao mesmo alimento."


Quando comemos


O que comemos certamente ainda é importante. Uma alimentação rica em legumes e verduras frescas será melhor do que se for dominada por x-búrguers.


Mas esta consideração está longe de ser a única.


O horário da refeição, por exemplo, também influencia a qualidade da digestão e quais nutrientes serão absorvidos pelo nosso corpo.


Um estudo demonstrou que mulheres obesas e com excesso de peso perderam mais peso ao consumir a maior parte das suas calorias no horário do café da manhã, em comparação com aquelas que comiam mais à noite, mesmo que o total de calorias fosse o mesmo.


Outro pequeno estudo, realizado por pesquisadores do Reino Unido, concluiu que reduzir o período de tempo entre a primeira e a última refeição do dia pode fazer com que você, ao todo, coma menos calorias.


Quando adultos saudáveis, mas levemente acima do peso, postergaram sua primeira refeição do dia em uma hora e meia e comeram pela última vez 90 minutos mais cedo que o normal, sua ingestão de energia foi menor e eles sofreram redução da gordura corporal, em comparação com um grupo controle, mesmo tendo acesso à mesma quantidade de comida.


Os cientistas acreditam que isso pode ocorrer porque o nosso ritmo circadiano é conectado a como digerimos e metabolizamos os alimentos. Este é um campo emergente de pesquisa conhecido como crononutrição.


E comer mais cedo também pode ajudar. Pesquisadores da Espanha descobriram que as pessoas que almoçam mais cedo perderam peso ou mantiveram peso mais baixo com mais facilidade do que aquelas que comem após as 15 horas.


Também podemos reavaliar o horário dos nossos lanches, pois as pesquisas relacionaram os lanches após as 21 horas a altos níveis de colesterol ruim e açúcar no sangue, o que pode aumentar o risco de obesidade e doenças cardiovasculares.


Nos EUA e no Reino Unido, cerca de 25% da nossa energia diária vêm dos lanches. Por isso, repensar o que lanchamos e quando fazemos pode melhorar nossa saúde.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/czxr55plyk5o- fragmento

"Mas esta forma de pensar desconsidera uma verdade importante: nem todas as calorias da nossa alimentação são iguais."


Considerando o texto-base, assinale a alternativa correta que expressa a ideia apresentada no trecho.

Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a paráfrase fiel do sentido contextual de “Mas esta forma de pensar desconsidera uma verdade importante: nem todas as calorias da nossa alimentação são iguais.” A resposta correta precisa preservar a negação de equivalência entre calorias de diferentes alimentos e processos de metabolização, sem reduzir o trecho à mera contagem numérica.

Tema central: efeito das calorias
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque reexprime a ideia do trecho ao relacionar o efeito das calorias no corpo à qualidade dos alimentos e à forma como são metabolizados. Assim, ela mantém o sentido central de que nem todas as calorias produzem o mesmo resultado no organismo.
B
Errada
Está errada por contradição direta com a tese do texto. A alternativa afirma que todas as calorias exercem o mesmo efeito no organismo, mas o trecho decisivo diz exatamente o contrário: “nem todas as calorias da nossa alimentação são iguais.”
C
Errada
Está errada por extrapolação indevida e falta de apoio textual. O texto não afirma que o organismo humano não consegue processar calorias de alimentos naturais; ao contrário, sustenta que “O que comemos certamente ainda é importante” e valoriza alimentação rica em legumes e verduras frescas.
D
Errada
Está errada porque retoma a visão simplificadora que o texto contesta. O trecho citado começa justamente criticando a ideia de que basta contar calorias, e os parágrafos seguintes mostram que tipo de alimento, metabolização e outros fatores biológicos também interferem.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a ideia inicial apresentada no texto e a tese efetivamente defendida pelo autor: contar calorias aparece como ponto de partida, mas é depois relativizado. Também induz erro quem lê “calorias” de forma abstrata e ignora o sentido contextual de que seus efeitos variam conforme alimento e metabolização.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão pedir a ideia de um trecho, procure a alternativa que preserve o sentido central sem inverter a tese do texto.
  • Desconfie de alternativas absolutas como “todas”, “não consegue” e “é suficiente” quando o texto trabalha com variação, condicionamento ou relativização.
  • Use os parágrafos explicativos seguintes ao trecho para confirmar se a alternativa é paráfrase fiel ou se distorce o que o texto desenvolve.

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