O tempo não paraO processo é conhecido. Os custos crescem, o...

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Ano: 2013 Banca: FCC Órgão: TRT - 18ª Região (GO)
Q1205651 Português
O tempo não para
O processo é conhecido. Os custos crescem, os competidores avançam, e os acionistas querem resultados. Saída: renovar os quadros. Leia-se: livrar-se dos funcionários mais velhos e caros, contratar jovens efebos, com muita vontade e pequeno salário. Dito e feito. Então, o trabalho emperra, os clientes reclamam, mas a planilha de custos fala mais alto. Assim tem sido: a cada crise, interna ou externa, as empresas rejuvenescem seus quadros. Alguns observadores batizaram o processo de “juniorização”.
Uma empresa “juniorizada” salta aos olhos. Antes, o escritório, silencioso e solene, era dominado por calvícies e cabelos brancos. Seis meses depois, o nível de ruído aumentou, e uma horda juvenil se estabeleceu. Foram-se as regras e procedimentos, substituídos por um frenesi frequentemente confundido com agilidade e produtividade. O mais importante é, porém, que a folha de pagamento foi reduzida. Inferno na Terra, paz no Olimpo corporativo.
Renovar sistematicamente os quadros é um princípio de gestão importante para as empresas. Profissionais mais jovens trazem novas ideias, colocam em xeque processos anacrônicos e ajudam a evitar que a empresa envelheça e perca o contato com as mudanças em seu ambiente de negócios. A renovação, realizada na medida certa, traz efeitos positivos.
A juniorização, por ser realizada com o propósito de reduzir custos, compromete a qualidade da gestão e põe em risco o futuro das companhias. Vista como panaceia, evita que a empresa trate de questões mais substantivas, relacionadas ao seu modelo de negócios e às suas práticas de gestão.
Além disso, a juniorização segue na contramão da demografia. O Brasil está envelhecendo. Nas próximas décadas, as empresas terão de lidar com quadros profissionais cada vez mais maduros. Uma pesquisa recente, realizada pela consultoria PwC e a FGV-Eaesp, instituição à qual este escriba está ligado, procurou avaliar como o mundo corporativo se prepara para o fenômeno. Foram ouvidas mais de cem empresas, de diversos segmentos da economia. Algumas conclusões são preocupantes.
Em primeiro lugar, menos de 40% das organizações pesquisadas reconhecem que quadros mais maduros podem constituir alternativa à escassez de talentos. Consequentemente, a maioria das empresas não possui mecanismos para atrair e manter tais quadros. Em segundo lugar, as companhias reconhecem: profissionais mais maduros possuem competências valiosas, relacionadas à capacidade de realizar diagnósticos e resolver problemas, além de apresentar maior equilíbrio emocional. Paradoxalmente, elas não contam com modelos de gestão de carreira que facilitem os processos pelos quais tais características poderiam ser mais bem exploradas. Em terceiro lugar, há poucas iniciativas para garantir maior qualidade de vida e para ter quadros mais saudáveis no futuro. Há também poucas ações para acomodar o perfil e as necessidades dos profissionais próximos da aposentadoria.
(Adaptado de: Thomaz Wood Jr., CartaCapital, 21/04/2013, www.cartacapital.com.br/sociedade/o-tempo-nao-para)
A definição do processo de “juniorização” que pode ser corretamente depreendida do texto é:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é depreender, pelo encadeamento textual, a definição contextual de “juniorização”. O trecho “Saída: renovar os quadros. Leia-se: livrar-se dos funcionários mais velhos e caros, contratar jovens efebos, com muita vontade e pequeno salário. Dito e feito. Então, o trabalho emperra, os clientes reclamam, mas a planilha de custos fala mais alto. Assim tem sido: a cada crise, interna ou externa, as empresas rejuvenescem seus quadros. Alguns observadores batizaram o processo de “juniorização”.” explicita composição, contexto de crise, redução de custos e consequência negativa; por isso, a alternativa correta é a A.

Tema central: definição contextual de juniorização
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A recompõe com fidelidade os traços centrais que o texto associa à “juniorização”: há substituição de funcionários mais velhos por mais jovens, em contexto de crise, com redução da folha de pagamento e prejuízo ao funcionamento do trabalho. Essa leitura é sustentada pelos trechos que explicitam “livrar-se dos funcionários mais velhos e caros”, contratar jovens de “pequeno salário”, e pela consequência “o trabalho emperra, os clientes reclamam”, além da avaliação de que a prática “compromete a qualidade da gestão”.
B
Errada
A alternativa erra porque inverte a avaliação do texto: chama a juniorização de “saudável revitalização” e a associa a produtividade e rapidez, mas o texto é crítico e afirma que o frenesi é “frequentemente confundido com agilidade e produtividade”. Essa leitura elogiosa é contrariada pela orientação argumentativa explícita.
C
Errada
A alternativa introduz uma qualificação não autorizada pelo texto ao dizer que os funcionários antigos são “acomodados”. O texto não faz essa caracterização; ao contrário, reconhece competências valiosas dos profissionais mais maduros. Portanto, há extrapolação semântica e deturpação do perfil desses trabalhadores.
D
Errada
A alternativa distorce o sentido ao tratar a juniorização como “inevitável” e ao atribuir a ela o objetivo de “aumentar a criatividade”. O texto não apresenta inevitabilidade; apresenta uma prática empresarial recorrente em crises. Também não define o processo pela busca de criatividade, mas pela redução de custos, com efeitos negativos sobre trabalho e gestão.
E
Errada
A alternativa descaracteriza o processo porque fala em contratação de jovens que “gradualmente vão se mesclando” aos mais antigos. O texto define a juniorização como substituição: “livrar-se dos funcionários mais velhos e caros” para contratar jovens. Ao retirar esse traço substitutivo, a alternativa altera o núcleo da definição.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre renovação positiva dos quadros e “juniorização”. O texto admite que a renovação, “realizada na medida certa”, pode ser benéfica, mas define a juniorização como substituição de trabalhadores mais velhos por jovens mais baratos, em nome da redução de custos e com prejuízos à gestão.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão pede a definição de um termo no texto, procure os trechos em que o autor o explica diretamente e observe a avaliação que acompanha essa explicação.
  • Não aceite alternativa que preserve só um traço superficial da palavra, como rejuvenescimento; confira se ela inclui também finalidade, contexto e consequência indicados no texto.
  • Desconfie de alternativas que positivamente reformulam um processo que o texto avalia de modo crítico.
  • Elimine opções que acrescentem qualificações sobre personagens ou grupos sem apoio expresso no texto, como estereótipos ou intenções não declaradas.

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Gabarito letra A:

"Então, o trabalho emperra, os clientes reclamam, mas a planilha de custos fala mais alto."

Alternativa A:

Podemos encontrar a resposta no texto, "Os custos crescem, os competidores avançam, e os acionistas querem resultados. Saída: renovar os quadros. Leia-se: livrar-se dos funcionários mais velhos e caros, contratar jovens efebos, com muita vontade e pequeno salário. Dito e feito. Então, o trabalho emperra, os clientes reclamam, mas a planilha de custos fala mais alto."

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