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Q3508549 Medicina
A resistência evolutiva a venenos em predadores de animais peçonhentos frequentemente envolve alterações em qual nível molecular?
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Tema central: A questão aborda resistência evolutiva a venenos em predadores de animais peçonhentos, focando o nível molecular onde ocorrem as adaptações. Em toxicologia médica, a maioria dos venenos age ligando-se a alvos específicos (p. ex., receptores nicotínicos, canais de sódio/potássio), desencadeando efeitos rápidos e potencialmente fatais (Harrison’s; UpToDate – Envenomation).

Alternativa correta: CAlterações na estrutura tridimensional dos alvos moleculares das toxinas no predador (ex.: receptores nicotínicos, canais iônicos).

Justificativa didática: A resistência evolutiva mais consistente é a chamada target-site insensitivity: mutações pontuais alteram a arquitetura 3D do sítio de ligação, reduzindo a afinidade da toxina, mas preservando a função fisiológica do alvo. Exemplos clássicos incluem: (1) mangustos com alterações no receptor nicotínico que diminuem a ligação de α-neurotoxinas de cobras; (2) camundongos “grasshopper” com mutações no canal Nav1.8 que transformam a ação da toxina de escorpião em menos nociva. Esses casos ilustram o mecanismo evolutivo diretamente no alvo molecular (Casewell et al., Nat Rev Drug Discov; UpToDate).

Análise das alternativas incorretas:

A) “Enzimas de degradação do veneno”: embora existam proteínas séricas neutralizantes em alguns mamíferos, não é o padrão mais frequente. Venenos atuam muito rapidamente; depender de metabolismo/depuração é menos eficiente do que impedir a ligação inicial no receptor (Harrison’s).

B) “Estrutura primária das toxinas da presa”: isso diz respeito à evolução da presa, não do predador. A pergunta exige adaptações no predador. Pegadinha comum: trocar o lado da interação.

D) “Transporte e distribuição do veneno”: alterações farmacocinéticas (p. ex., barreiras teciduais) são inespecíficas e pouco descritas como principal via de resistência. O efeito do veneno costuma ser local/rápido; bloquear o alvo é mais eficaz.

E) “Resposta inflamatória”: inflamação é tardia e inespecífica. Neurotoxinas e toxinas de canais causam efeitos diretos que independem de modulação inflamatória inicial; logo, não confere resistência efetiva.

Estratégia de prova: destaque palavras-guia como “evolutiva”, “nível molecular” e “predador”. Em biologia de venenos, quando se fala em resistência eficiente e específica, pense em modificação do alvo (receptores/canais). Evite confundir com alterações no veneno da presa (opção B).

Referências úteis: Harrison’s Principles of Internal Medicine (cap. Envenomations); UpToDate – “Snake, scorpion and spider envenomation”; Casewell NR et al. The evolution of venom and its targets (Nat Rev Drug Discov).

Gabarito: C

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