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Q4196768 Medicina
Mulher, 23 anos, apresenta quadro agudo de delirium, pele seca, face ruborizada, taquicardia, ruídos intestinais diminuídos, pupilas dilatadas e retenção urinária. Há suspeita de tentativa de suicídio e que a paciente tenha ingerido vários medicamentos desconhecidos.
O medicamento que, mais provavelmente, é o responsável pelos achados descritos é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O caso descreve toxíndrome anticolinérgica/antimuscarínica: delirium, pele seca, rubor, midríase, taquicardia, redução dos ruídos intestinais e retenção urinária. Entre as alternativas, a difenidramina é o fármaco com perfil farmacológico clássico para causar esse quadro em superdose, sustentando o gabarito D.

Tema central: Síndrome anticolinérgica aguda
Análise das alternativas
A
Errada
Clonidina é agonista alfa-2 central. Na intoxicação, o padrão esperado é depressão do sistema nervoso central, bradicardia, hipotensão e frequentemente miose. Isso contrasta com o quadro descrito, que mostra midríase, pele seca, íleo e retenção urinária, achados de bloqueio muscarínico e não de ação alfa-2.
B
Errada
Pseudoefedrina é simpatomimético e pode explicar taquicardia e midríase, o que gera confusão. Porém o conjunto decisivo aqui é pele seca associada a diminuição dos ruídos intestinais e retenção urinária, eixo muito mais compatível com síndrome anticolinérgica do que com toxíndrome simpatomimética.
C
Errada
Sertralina não é causa típica de síndrome anticolinérgica. Quando há intoxicação sintomática, o raciocínio aponta mais para síndrome serotoninérgica, que se associa a hiperreflexia, clônus, tremor, agitação e diaforese. O enunciado traz o oposto do ponto de vista autonômico periférico: pele seca, íleo e retenção urinária.
D
Certa
A difenidramina é um anti-histamínico de primeira geração com importante ação antimuscarínica e penetração no sistema nervoso central. Em intoxicação, pode causar exatamente a combinação descrita: delirium, pele seca, face ruborizada, taquicardia, midríase, hipomotilidade intestinal e retenção urinária. O acerto não depende de um sinal isolado, mas da correspondência direta entre a toxíndrome apresentada e o perfil anticolinérgico desse fármaco.
E
Errada
Zolpidem é sedativo-hipnótico de mecanismo gabaérgico. A intoxicação costuma cursar com sedação, ataxia e depressão do nível de consciência, sem perfil antimuscarínico que justifique midríase, pele seca, redução da motilidade intestinal e retenção urinária.
Pegadinha da questão
A banca explora a semelhança parcial entre anticolinérgico e simpatomimético: taquicardia e midríase aparecem nos dois, mas pele seca, hipomotilidade intestinal e retenção urinária deslocam o diagnóstico para bloqueio muscarínico. Outra armadilha é lembrar a difenidramina apenas como sedativa e esquecer seu forte efeito antimuscarínico em overdose.
Dica para questões semelhantes
  • Não feche o raciocínio em taquicardia e midríase; procure os sinais que definem bloqueio muscarínico: pele seca, íleo e retenção urinária.
  • Delirium com sinais autonômicos periféricos deve ser lido como toxíndrome, não apenas como alteração inespecífica do sensório.
  • Entre fármacos comuns de prova, anti-histamínicos de primeira geração com ação antimuscarínica relevante, como difenidramina, são causas clássicas desse padrão.
  • Se a hipótese alternativa for serotoninérgica ou simpatomimética, confronte com os achados ausentes: clônus/hiperreflexia/diaforese na serotoninérgica e ausência do eixo pele seca + íleo + retenção urinária na simpatomimética.

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