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Q3508540 Medicina
Qual dos seguintes exames laboratoriais é mais útil para monitorar a gravidade de um envenenamento botrópico?
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Tema central: envenenamento botrópico (Bothrops) cursa principalmente com coagulopatia de consumo (desfibrinação) por metaloproteinases e serino-proteases do veneno, levando a incoagulabilidade do sangue e sangramentos. Assim, os exames que melhor refletem a gravidade são os que avaliam a hemostasia.

Alternativa correta: A – TP e TTPA. São os marcadores laboratoriais mais úteis para monitorar a gravidade e a evolução pós-soro: costumam estar prolongados na coagulopatia botrópica e se normalizam após a neutralização pelo antiveneno. Frequentemente acompanham-se de hipofibrinogenemia e aumento de D-dímero. A melhora do TP/TTPA após 6–12 h do soro indica resposta adequada. Referências: Manual do MS/SVS (Acidentes por Animais Peçonhentos), Diretrizes OMS (Snakebite, 2016/2021), UpToDate, Harrison’s.

Por que as outras estão incorretas?

B – Gasometria arterial: útil para avaliar acidose em choque ou insuficiência respiratória, mas não reflete a coagulopatia característica do Bothrops, nem monitora resposta ao soro. Alterações gasométricas são inespecíficas.

C – CK: marcador de rabdomiólise, mais típica em Crotalus. Em Bothrops pode haver mionecrose local, porém CK não correlaciona com a gravidade hemorrágica/coagulopática e não guia antiveneno.

D – Eletrólitos séricos: podem alterar-se em desidratação ou lesão renal aguda, que pode ocorrer no Bothrops, mas não mensuram a intensidade da coagulopatia. São complementares, não o melhor parâmetro de gravidade do envenenamento.

E – Hemograma completo (isoladamente): plaquetopenia pode ocorrer, mas na botrópica o principal é consumo de fibrinogênio e disfunção da cascata. Hemoglobina e leucócitos são inespecíficos. Sem TP/TTPA e fibrinogênio, o monitoramento fica incompleto.

Dicas de prova e pegadinhas: se aparecer “fibrinogênio” ou “WBCT20 (tempo de coagulação do sangue em 20 min)”, eles também são ótimos para detecção/monitorização da coagulopatia. Porém, o WBCT20 é um teste beira-leito (não exatamente “laboratorial”). Ausentes essas opções, escolha TP/TTPA como melhor monitor para gravidade/resposta ao soro.

Conduta essencial (resumo): administrar soro antibotrópico conforme gravidade (MS/OMS), repetir TP/TTPA ± fibrinogênio 6–12 h após, e reavaliar necessidade de nova dose. Crioprecipitado/plaquetas/FFP só se hemorragia grave ou quando não houver soro disponível/efetivo.

Referências: Ministério da Saúde – Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos; WHO Snakebite Envenoming Guidelines (2016/2021); UpToDate: Bothrops envenomation; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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