Assinale a alternativa que apresenta um fator que pode infl...
Gabarito comentado
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Tema central: variabilidade da composição do veneno de serpentes e seus determinantes. Isso é crucial na prática porque a expressão de toxinas (metaloproteinases, fosfolipases A2, neurotoxinas, hemotoxinas) impacta o quadro clínico (neuroparalisia, coagulopatia, necrose) e a eficácia do soro. Diretrizes da OMS e do Ministério da Saúde destacam que há variações intraespécie relevantes, com implicações na escolha do antiveneno.
Alternativa correta: B — A idade, a dieta e a localização geográfica
- Idade (variação ontogenética): serpentes jovens e adultas podem expressar perfis distintos de toxinas, adequando-se ao tipo de presa. Isso modifica potência e alvo do veneno (ex.: maior proporção de enzimas proteolíticas ou neurotoxinas).
- Dieta: pressões seletivas e plasticidade fenotípica ajustam a composição do veneno ao tipo de presa predominante, otimizando a predação (conceito de “venom optimization”).
- Localização geográfica: populações de uma mesma espécie apresentam polimorfismo geográfico no veneno por fatores genéticos/ambientais. Por isso, soros são produzidos com “pools” regionais de venenos. (Fontes: WHO Snakebite Envenoming Guidelines 2019; UpToDate – Snakebites: clinical features and diagnosis; Harrison’s)
Análise das alternativas incorretas
- A) Altitude: não é reconhecida isoladamente como determinante primário da composição. Pode influenciar ecologia/distribuição e indiretamente a dieta, mas os fatores validados são idade, dieta e geografia populacional. Não há evidência robusta de que altitude por si só mude o perfil toxicológico.
- C) Fase da lua: crença popular sem suporte científico. Não há correlação com síntese/expressão de toxinas ou gravidade do envenenamento.
- D) Temperatura no momento da picada: pode alterar atividade enzimática e comportamento do animal, mas não a composição do veneno naquele instante. A composição é definida previamente pela expressão glandular; variações sazonais existem, porém não dependem do “momento da picada”.
- E) Cor da serpente: característica fenotípica/ecológica (inclui mimetismo) que não prediz composição do veneno. Espécies com colorações similares podem ter venenos muito distintos.
Estrategia de prova: prefira alternativas que relacionem fatores biológicos/ecológicos plausíveis e reconhecidos por diretrizes (idade, dieta, geografia). Desconfie de itens com crenças populares (fase da lua) ou características fenotípicas irrelevantes (cor). Lembre-se: no Brasil, o MS recomenda soros produzidos com venenos regionais devido à variação geográfica intraespécie.
Referências essenciais: WHO Guidelines for the Management of Snakebite (2019); Ministério da Saúde – Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: B
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