Qual componente do veneno de escorpiões do gênero Tityus es...
Gabarito comentado
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Tema central: fisiopatologia do envenenamento por escorpiões do gênero Tityus, com foco em quais componentes do veneno causam liberação excessiva de neurotransmissores nas terminações autonômicas e junções neuromusculares.
Alternativa correta: B - Toxinas que afetam canais iônicos de sódio e potássio.
Justificativa: O veneno de Tityus é rico em neurotoxinas peptídicas que modulam canais de sódio voltagem-dependentes (Nav) e canais de potássio (Kv). As toxinas alfa para Nav retardam a inativação do canal, prolongando o potencial de ação; toxinas para Kv reduzem a repolarização. O resultado é hiperexcitabilidade neuronal com disparos repetitivos e entrada de Ca2+ nas terminações nervosas, levando à exocitose maciça de acetilcolina e catecolaminas. Clinicamente, isso explica sialorreia, sudorese, vômitos/diarreia, taquicardia/hipertensão, broncorreia, dor intensa e, em casos graves, edema pulmonar. (Fontes: Ministério da Saúde – Manual de Acidentes por Animais Peçonhentos; UpToDate – Scorpion envenomation; Harrison’s).
Análise das incorretas:
A - Hialuronidase: é “fator de difusão”, aumenta a permeabilidade tecidual e a disseminação do veneno, mas não desencadeia a liberação de neurotransmissores. Atua como coadjuvante, não como principal toxina neuroativa.
C - Fosfolipase: pode lesar membranas, contribuindo para dor/inflamação local, porém não é o mecanismo central da crise autonômica do Tityus. A descarga autonômica é predominantemente neurotóxica canal-mediada.
D - Proteases: associadas a dano tecidual e remodelamento de matriz; no escorpionismo por Tityus, têm papel secundário e não explicam a hiperliberação sináptica.
E - Peptídeos antimicrobianos: componentes de defesa inata do veneno; não modulam diretamente canais Nav/Kv e não causam descarga autonômica.
Dica de prova: a expressão “liberação excessiva de neurotransmissores” sinaliza neurotoxinas que alteram canais iônicos (Nav/Kv). Opções com “enzimas” (hialuronidase, fosfolipase, proteases) costumam ser pegadinhas por estarem no veneno, mas não explicam a crise autonômica sistêmica.
Conexão com a prática: Por ser um quadro de hiperestimulação autonômica, o manejo recomendado (MS/WHO/UpToDate) inclui suporte, controle de sintomas e soro antiaracnídico nos casos moderados/graves, justificando-se pela neutralização dessas neurotoxinas canal-dependentes.
Referências: Ministério da Saúde – Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos; UpToDate – Scorpion envenomation; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: B
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