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Q3508530 Medicina
O tratamento específico para um envenenamento grave por serpente do gênero Bothrops geralmente envolve a administração de
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Alternativa correta: E — soro antibotrópico

Tema central: Manejo específico do envenenamento por serpentes do gênero Bothrops (jararacas). O veneno é proteolítico e coagulante, causando dor intensa, edema, bolhas/necrose e coagulopatia/hemorragia (ex.: sangue incoagulável no teste do coágulo em 20 minutos).

Por que a alternativa E é correta? O soro antibotrópico contém anticorpos específicos que neutralizam as toxinas do veneno botrópico, revertendo a coagulopatia e limitando dano tecidual. Deve ser administrado o mais precocemente possível e a dose é guiada pela gravidade (em geral, leve: 2–4 ampolas; moderado: 4–8; grave: 8–12), com reavaliação clínica e do teste de coagulação para necessidade de novas doses. Essa conduta é recomendada pelo Ministério da Saúde (Brasil) e pelas diretrizes da OMS e UpToDate.

Como interpretar e não cair em pegadinha: Identifique o gênero da serpente. Para Bothropsantibotrópico. Não confunda com “antielapídico”, que é para Micrurus (coral verdadeira).

Análise das alternativas incorretas:

A - Atropina: Antagonista muscarínico útil em intoxicação por organofosforados/carbamatos e bradicardias. Não neutraliza toxinas botrópicas nem trata coagulopatia.

B - Adrenalina: Indicação principal é anafilaxia (inclusive reação ao soro) e choque refratário. Não é antídoto para veneno de Bothrops; pode ser usada apenas como suporte em reações adversas.

C - Soro antielapídico: Específico para Elapidae (corais verdadeiras), com veneno neurotóxico. Não cobre o veneno botrópico, que é predominantemente hemotóxico/proteolítico.

D - Gluconato de cálcio: Indicado para hipercalemia (estabilização de membrana) e intoxicação por ácido fluorídrico. Não atua na coagulopatia/lesão local do envenenamento botrópico.

Condutas associadas (resumo útil): acesso venoso, analgesia adequada (evitar AINEs se sangramento), hidratação, profilaxia antitetânica, limpeza/cobertura da ferida, evitar torniquete, cortes ou sucção. Monitorar sangramentos e realizar o Teste do Coágulo em 20 min para guiar soro. Internação para observação em casos moderados/graves. Referências: Manual do Ministério da Saúde (Acidentes por Animais Peçonhentos), WHO Snakebite Guidelines, Harrison’s, UpToDate.

Conclusão: Em envenenamento grave por Bothrops, o tratamento específico é o soro antibotrópico, instituído precocemente e na dose conforme gravidade, com suporte clínico adequado.

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