Diante de um acidente ofídico envolvendo uma serpente peçon...
Gabarito comentado
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Tema central: manejo do acidente ofídico e a terapia que neutraliza os efeitos sistêmicos do veneno. Em envenenamentos por serpentes, o que reduz morbidade e mortalidade é o antiveneno, que se liga às toxinas circulantes, revertendo coagulopatia, neurotoxicidade e miotoxicidade.
Alternativa correta: D — Administração de soro antiofídico específico.
Justificativa: O soro antiofídico contém anticorpos que neutralizam toxinas do veneno, interrompendo a progressão do quadro sistêmico. Indica-se conforme gravidade e tipo provável de serpente (Bothrops, Crotalus, Lachesis, Micrurus), com dose baseada no quadro clínico (dor/edema importante, sangramentos, sangue incoagulável, ptose/disfagia/insuficiência respiratória, rabdomiólise, insuficiência renal). Quanto mais precoce, melhor, mas é benéfico mesmo após várias horas. Deve-se monitorar e tratar reações alérgicas (adrenalina disponível). Referências: Ministério da Saúde – Manual de Acidentes por Animais Peçonhentos; OMS/WHO Snakebite Envenoming Guidelines; UpToDate; Harrison’s.
Conduta resumida: ABC, imobilização do membro, acesso venoso, exames (hemograma, coagulograma/20WBCT, fibrinogênio, CK, creatinina, eletrólitos), antiveneno específico, analgesia segura (paracetamol/opioide), hidratação, profilaxia antitetânica; antibiótico apenas se infecção.
Análise das alternativas incorretas:
A — Analgésicos: aliviam dor, mas não neutralizam o veneno. Cuidado com AAS/AINEs em coagulopatia (risco de sangramento). São medidas adjuvantes, não o pilar terapêutico.
B — Gelo local: provoca vasoconstrição e pode piorar isquemia/necrose. Diretrizes (MS/OMS) desaconselham gelo, incisão, sucção ou torniquete.
C — Antibióticos profiláticos: não indicados rotineiramente; o veneno é estéril. Usar apenas se houver sinais clínicos de infecção ou complicações (celulite, abscesso), conforme MS/UpToDate. Não reduzem toxicidade sistêmica.
E — Curativo compressivo: compressão local/torniquete pode agravar isquemia e aumentar risco de necrose/compartimento, sendo não recomendado nas diretrizes brasileiras. A técnica de “pressão-imobilização” é restrita a cenários específicos de elapídeos neurotóxicos (ex.: Austrália) e não é tratamento definitivo; ainda assim, não neutraliza o veneno.
Dicas de prova: quando o enunciado fala em “pilar” e “neutralizar efeitos sistêmicos”, pense em antiveneno. Medidas como analgesia, antibiótico e curativos são suporte. “Aplicar gelo” e “compressão” costumam ser pegadinhas frequentes.
Fontes: Ministério da Saúde (Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos); WHO Guidelines for Snakebite Envenoming; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: D
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