Qual serpente brasileira possui veneno neurotóxico?
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Tema central: envenenamentos por serpentes no Brasil e o tipo de ação do veneno. Saber distinguir venenos neurotóxicos (paralisia) de hemotóxicos/proteolíticos (sangramentos e necrose) é essencial para diagnóstico e conduta.
Alternativa correta: B – Cascavel (Crotalus durissus)
A cascavel possui veneno predominantemente neurotóxico (principalmente pela crotoxina, ação pré-sináptica) e miotóxico. Quadro típico: ptose palpebral, diplopia/oftalmoplegia, disartria, fraqueza progressiva podendo evoluir para falência respiratória, além de mialgia intensa, urina escura (mioglobinúria) e CK elevada. Em geral há pouca dor/edema local e sem coagulopatia importante. Conduta: soro anticrotálico (ou soro antibotrópico-crotálico, conforme disponibilidade), suporte ventilatório se necessário, hidratação vigorosa para prevenir lesão renal por rabdomiólise.
Por que as demais estão incorretas?
A – Jararaca (Bothrops): veneno hemotóxico/proteolítico, causando dor e edema intensos, equimoses, sangramentos, e coagulopatia (teste do vidro incoagulável). Neurotoxicidade não é característica. Tratamento é com soro antibotrópico, não anticrotálico.
C – Caninana (Spilotes pullatus): não peçonhenta (aglífa). Pode morder, mas não inocula veneno clinicamente relevante. Logo, não é fonte de neurotoxicidade.
D – Jiboia (Boa constrictor): não peçonhenta, mata presas por constrição. Sem envenenamento.
E – “Coral-falsa”: trata-se de serpentes miméticas (p.ex., Oxyrhopus, Erythrolamprus) que não possuem veneno neurotóxico clinicamente significativo. A pegadinha: a coral-verdadeira (Micrurus) é, sim, neurotóxica (família Elapidae), porém não foi oferecida como alternativa; a opção fala em coral-falsa.
Como acertar na prova: associe famílias e síndromes: - Crotalus (cascavel): neuro + mio (ptose, fraqueza, urina escura), pouca lesão local. - Bothrops (jararaca): dor/edema local + sangramentos/incoagulabilidade. - Micrurus (coral-verdadeira): neurotóxico puro, pouca reação local. - Boidae/“falsas corais”: não peçonhentas.
Conduta essencial no acidente crotálico: soro anticrotálico precoce, monitorar via aérea, função respiratória, CK, creatinina e diurese; hidratação e alcalinização urinária conforme caso; evitar torniquetes e incisões.
Referências rápidas: Ministério da Saúde – Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos; WHO Guidelines for the Management of Snakebites; UpToDate (Snakebites in South America); Harrison’s Principles of Internal Medicine (toxicology).
Gabarito: B
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