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Q1622675 Medicina

Leia o enunciado a seguir e responda à questão.


Mulher, 59 anos, tabagista, sem outros antecedentes mórbidos, procura atendimento médico com queixa de desconforto torácico subesternal, predominantemente à noite, fazendo-a acordar na madrugada, com duração de 5 a 15 minutos. Relata que, nos últimos 2 meses, acorda com esse desconforto praticamente todas as noites. Refere irradiação para região cervical anterior e mandíbula, além de sudorese e dispneia durante os episódios. O exame físico é normal, IMC = 23, PA = 120 x 70 mmHg. Foram realizados exames complementares: laboratório, ecocardiograma e teste ergométrico normais. Por persistência dos sintomas, optou-se pela realização de angiotomografia de coronárias, que evidenciou ateromatose e escore de cálcio discretos e ausência de redução luminal coronária.

Dentre as opções terapêuticas a seguir, assinale a alternativa que apresenta aquela que deve ser contraindicada para o tratamento da principal hipótese diagnóstica, uma vez que pode levar à deterioração ou piora do quadro atual.
Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda a angina vasoespástica (angina de Prinzmetal), quadro caracterizado por episódios de dor torácica em repouso, geralmente noturnos, associados a espasmo das artérias coronarianas e sem obstrução significativa ao exame de imagem.

Raciocínio clínico: O quadro clínico descrito (desconforto torácico noturno, irradiação atípica, ausência de fatores clássicos de risco, exames sem alterações isquêmicas, mas com discreta ateromatose) reforça o diagnóstico de angina de Prinzmetal. Segundo a literatura (Goldman–Cecil Medicina Interna, 25ª ed.; Diretriz SBC/SOCESP/SBC 2021), o tratamento baseia-se em bloqueadores de canais de cálcio e nitratos – agentes que promovem vasodilatação coronariana e aliviam o espasmo.

Propranolol está contraindicado – Por quê? Os betabloqueadores não seletivos (como o propranolol) bloqueiam a vasodilatação mediada pelos receptores beta2, podendo acentuar o tônus vasoconstritor via receptores alfa de artérias coronarianas. Resultado: aumento da frequência e gravidade dos espasmos. Por isso, o Propranolol é contraindicado em pacientes com angina de Prinzmetal. Como orienta a Telecondutas em Cardiologia Isquêmica/UFRGS (p. 13): "Não devem ser utilizados em pacientes com angina vaso-espástica ou variante Prinzmetal."

Análise das alternativas:

  • A) Isossorbida: Nitrato, indicado para prevenção e alívio dos espasmos. Correto usar.
  • B) Rosuvastatina: Estatina, importante na redução de eventos cardiovasculares e progressão da aterosclerose – indicação correta.
  • C) Domperidona: Anti-emético. Não há contraindicação específica nessa situação, embora não trate a dor torácica.
  • D) Propranolol: Contraindicado! Pode agravar os espasmos (explicação acima).
  • E) Verapamil: Bloqueador de canal de cálcio, é terapêutica de escolha para o quadro. Indicado.

Estratégia de prova: Identifique a cronologia dos sintomas (noite, repouso), exames sem obstrução significativa e alternativas que podem piorar vasoespasmo. Pegadinhas comuns incluem o uso de betabloqueadores em qualquer “angina” – atenção ao subtipo da doença!

Diretriz e evidências: O uso de betabloqueadores em angina vasoespástica é contraindicado pela SBC, UFRGS e Harrison’s: "A classe dos betabloqueadores deve ser evitada por risco de exacerbação dos sintomas." (SBC, 2021; Harrison’s, 21ª ed. p. 1970).

Resumo: Propranolol é contraindicado na angina de Prinzmetal. Os demais podem ser usados ou não agravam o quadro.

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A questão descreve um cenário médico clínico com uma mulher apresentando desconforto torácico noturno, sudorese e dispneia. Os sintomas e o histórico sugerem que ela pode estar sofrendo de angina, uma condição causada por fluxo sanguíneo insuficiente para o coração. A ausência de redução luminal coronária, juntamente com o escore de cálcio discreto e a ateromatose, confirmam essa hipótese. Quando se pensa em tratamento, a questão pede uma opção que seria contraindicada. Nesse caso, a alternativa correta é o Propranolol (opção D). O Propranolol é um bloqueador beta não seletivo que reduz a frequência cardíaca e a pressão arterial. Embora pareça intuitivo que essas ações possam ser benéficas para um paciente com angina, na verdade, o Propranolol pode ser perigoso nesses casos. Ele pode causar um aumento no tempo de diástole (quando o coração está relaxando e se enchendo de sangue), que é exatamente quando a circulação coronariana ocorre. Se esse tempo for prolongado excessivamente, pode levar a uma diminuição da perfusão miocárdica, piorando a angina. Portanto, o Propranolol pode levar à deterioração ou piora do quadro atual, tornando-o contraindicado para essa paciente.

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