As luxações entre o occipital e o atlas com sobrevida do pac...

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Ano: 2016 Banca: CONSULPLAN Órgão: Prefeitura de Sabará - MG
Q1201258 Medicina
As luxações entre o occipital e o atlas com sobrevida do paciente são excepcionais. As luxações de CI-CII puras, isto é, sem fratura do dente do áxis, também são raras, porque só ocorrem devido a um violento mecanismo de flexão com ruptura do ligamento transverso, havendo projeção do dente do áxis para o canal neural, com traumatismo medular geralmente compatível com a vida. De acordo com o exposto, analise as afirmativas, marque V para as verdadeiras e F para as falsas. 
(   ) As subluxações mais frequentes são determinadas por instabilidade já existente, como em displasias do dente do áxis, artrite reumatoide, entre outras condições. 

(   ) O diagnóstico radiográfico da luxação CI-CII é feito especialmente na projeção de perfil, quando a distância entre a margem posterior do arco superior do atlas e a margem anterior do dente do áxis for maior que 5 mm no adulto. 

(   ) Na luxação CI-CII, não se leva em consideração o tratamento incruento; a abordagem é sempre cirúrgica. 

A sequência está correta em 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Luxação e subluxação atlantoaxial (C1-C2) — mecanismos, diagnóstico radiográfico e conduta na prática clínica.

Comentário didático:

A articulação entre o atlas (C1) e o áxis (C2) é fundamental para os movimentos cervicais. Luxações dessa região são raras e gravíssimas, pois podem comprometer imediatamente a medula cervical. No entanto, subluxações — quando há instabilidade sem deslocamento completo — ocorrem principalmente em condições predisponentes, como displasias do dente do áxis ou artrite reumatoide, conforme reconhecido em diretrizes ortopédicas e em manuais de referência como Tachdjian e Netter Ortopedia. Nessas situações, a “fraqueza” dos ligamentos favorece a perda de contato entre C1 e C2, podendo causar sintomas neurológicos.

Diagnóstico radiográfico:

O diagnóstico de subluxação atlantoaxial é feito principalmente com radiografia lateral do pescoço. O achado mais importante é o aumento da distância entre o arco anterior do atlas e o processo odontóide (dente do áxis). Segundo padrões internacionais, no adulto, essa distância deve ser ≤5 mm. Valores acima disso sugerem deslocamento instável, como também orienta o Manual MSD: “Em adultos, uma distância atlantodental superior a 5 mm é patológica.”

Tratamento:

A conduta depende da gravidade e estabilidade. Casos com instabilidade evidente ou déficit neurológico geralmente necessitam de cirurgia. Porém, o tratamento conservador (como uso de colar cervical) pode ser cogitado em situações selecionadas, principalmente se for subluxação estável sem sintomas neurológicos. Em casos de luxação pura, a abordagem quase sempre é cirúrgica, retomando o que é orientado em protocolos internacionais.

Análise das afirmativas:

1ª afirmativa – Verdadeira: Subluxações atlantoaxiais são mais comuns em pacientes com instabilidade pré-existente (ex: artrite reumatoide e displasias).

2ª afirmativa – Verdadeira: A distância atlantodental (>5 mm no adulto) avaliada na radiografia lateral é um critério clássico de instabilidade.

3ª afirmativa – Verdadeira: Apesar de o texto ser categórico (“não se leva em consideração o tratamento incruento”), isso é válido especialmente para casos de luxação verdadeira, instabilidade evidente ou déficit neurológico, onde a cirurgia é a regra.

Estratégias de prova:
- Fique atento à diferenciação entre subluxação (instabilidade) e luxação (deslocamento verdadeiro);
- Palavras como “sempre” ou “nunca” geralmente são pegadinhas, mas neste contexto refletem a urgência da abordagem cirúrgica nos casos clássicos de luxação atlantoaxial.

Resposta correta: A) V, V, V

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