Muitas e urgentes são as razões sociais que justificam o
empenho da escola por um ensino da língua cada vez mais útil
e contextualmente significativo. Sabemos quanto a
incompetência atribuída à escola está ligada a conflitos com a
linguagem (cf. Soares, 1987), a percepções distorcidas e
míticas acerca do que seja o fenômeno linguístico (cf. Bagno,
1999, 2000). Sabemos quanto nos aflige a seletividade, a
manutenção da estrutura de classes e a reprodução da força de
trabalho (cf. Carraher, 1986) que, incondicionalmente, decorrem
também dessa incompetência e dessas distorções. Sabemos
que a educação escolar é um processo social, com nítida e
incontestável função política, com desdobramentos sérios e
decisivos para o desenvolvimento global das pessoas e da
sociedade. Sentimos na pele que não dá mais para "tolerar"
uma escola que, por vezes, nem sequer alfabetiza
(principalmente os mais pobres) ou que, alfabetizando, não
forma leitores nem pessoas capazes de expressar-se por
escrito, coerente e relevantemente, para, assumindo a palavra,
serem autores de uma nova ordem das coisas. É, pois, um ato
de cidadania, de civilidade da maior pertinência, que aceitemos,
ativamente e com determinação, o desafio de rever e de
reorientar a nossa prática de ensino da língua.
ANTUNES, Irandé. Refletindo sobre a prática da aula de português. In
ANTUNES, Irandé Aula de português: encontro e interação. São Paulo:
Parábola, 2003.
Ao defender que o ensino da língua deve formar pessoas
capazes de assumir a palavra para atuarem como autores
de uma nova ordem das coisas, o texto permite inferir uma
crítica ao ensino tradicional de língua. Assim, para atender
aos objetivos de cidadania e função política citados no texto,
o trabalho do professor de língua portuguesa deve
fundamentar-se na concepção de linguagem como
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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