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Q3511962 Medicina
Um paciente de 42 anos iniciou quadro de febre, cefaleia, artralgia, lesões cutâneas (máculas eritematosa, pápulas e vesículas) e lesões vesicobolhosas em mucosa oral e lábios, que rapidamente se ulceraram e formaram crostas sangrantes. Ela relata que estava com quadro viral respiratório e que fez uso de dipirona antes do aparecimento das lesões.
Diante do exposto, o quadro clínico sugere:
Alternativas

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Tema central: dermatose aguda com mucosite e lesões cutâneas polimórficas. O quadro descrito é típico de Eritema Multiforme (EM), especialmente a forma maior pela presença de acometimento oral.

Alternativa correta: A — Eritema multiforme

Justificativa: Início agudo com febre/mal-estar, lesões cutâneas polimórficas (máculas, pápulas e vesículas) e vesico-bolhas em mucosa oral/lábios que ulceram e formam crostas hemáticas caracterizam EM maior. Frequentemente há desencadeante infeccioso respiratório (HSV ou Mycoplasma) e/ou fármacos. A descrição de múltiplos tipos de lesões sugere as lesões-alvo (em íris), marcadoras do EM. Referências: UpToDate; Habif’s Clinical Dermatology; Harrison’s.

Por que as demais estão incorretas?

  • B — Candidíase oral: placas esbranquiçadas removíveis (sabor de leite coalhado), que deixam base eritematosa, sem lesões cutâneas polimórficas nem vesicobolhas hemorrágicas em lábios. Quadro sistêmico é raro.
  • C — Afta minor: pequenas úlceras dolorosas em mucosa não queratinizada, sem comprometimento cutâneo, sem fase vesicular e sem crostas sangrentas. Evoluem em 7–14 dias.
  • D — Doença de Behçet: requer aftas orais recorrentes + genital/ocular/pele (pseudofoliculite, eritema nodoso) e patergia. Não cursa com lesões vesicobolhosas orais e polimorfismo cutâneo típico do EM.
  • E — Síndrome de Peutz-Jeghers: máculas melanóticas periorais e em mucosa, crônicas, assintomáticas, associadas a pólipos hamartomatosos. Não é quadro agudo inflamatório.

Diagnóstico e diferenciais: O diagnóstico do EM é clínico: lesões-alvo acrais e mucosite. Biópsia pode mostrar dermatite de interface e necrose de queratinócitos quando houver dúvida. Diferenciar de Síndrome de Stevens-Johnson: esta apresenta descolamento cutâneo extenso, máculas purpúricas confluentes e toxemia importante; EM tem lesões-alvo bem formadas e menor descolamento.

Conduta resumida:

  • Suporte: analgésicos, cuidado de mucosa, bochechos anestésicos, emolientes labiais.
  • Identificar e suspender fármaco suspeito (ex.: dipirona).
  • Tratar gatilho: antivirais se recorrente por HSV; considerar macrolídeo se Mycoplasma (conforme quadro respiratório).
  • Corticosteroides sistêmicos: uso é controverso; reservar a casos selecionados com extensa mucosite, conforme avaliação especializada (SBD/UpToDate).

Estratégia de prova: procure por polimorfismo verdadeiro (mácula+pápula+vesícula), mucosite com crostas sangrentas e gatilho infeccioso/medicamentoso. Esses três elementos sinalizam EM e afastam aftas simples e candidíase.

Fontes: UpToDate (Erythema multiforme); Habif’s Clinical Dermatology; Harrison’s Principles of Internal Medicine; Diretrizes e textos da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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