Para o eu lírico, São Paulo é uma cidade
Leia o poema para responder à questão.
Soneto Sentimental à Cidade de São Paulo
Ó cidade tão lírica e tão fria!
Mercenária, que importa – basta! – importa
Que à noite, quando te repousas morta
Lenta e cruel te envolve uma agonia
Não te amo à luz plácida do dia
Amo-te quando a neblina te transporta
Nesse momento, amante, abres-me a porta
E eu te possuo nua e frígida.
Sinto como a tua íris fosforeja
Entre um poema, um riso e uma cerveja
E que mal há se o lar onde se espera
Traz saudade de alguma Baviera
Se a poesia é tua, e em cada mesa
Há um pecador morrendo de beleza?
(Vinicius de Moraes, Poemas esparsos. 2008)
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Tema central: Interpretação de Texto com ênfase na análise do eu lírico e no uso de figuras de linguagem para construir sentidos sobre a cidade de São Paulo.
Justificativa da alternativa correta – D:
A alternativa D é a correta porque reconhece que o eu lírico percebe São Paulo como uma cidade de multifaces e sente-se seduzido por suas noites. No poema, há referências explícitas à pluralidade da cidade (“Ó cidade tão lírica e tão fria”, “mercenária”, “lenta e cruel”, “nua e frígida”), indicando contrastes e complexidade. O eu lírico demonstra atração, especialmente durante a noite, como se vê nos versos “Amo-te quando a neblina te transporta / Nesse momento, amante, abres-me a porta”. Esses elementos confirmam a relação de sedução noturna, multifacetada e intensa.
Figuras de linguagem relevantes:
– Personificação (Prosopopeia): Atribui à cidade características humanas de amante.
– Antítese: Destaca os contrastes “lírica e fria”, sublinhando as várias faces da cidade.
– Metáfora: “Íris fosforeja”, sugerindo olhares brilhantes e vida noturna.
Análise das alternativas incorretas:
A) Errada. Não há menção a afastamento ou ausência de atrativos naturais; pelo contrário, há aproximação.
B) Errada. Apesar da complexidade, não há afastamento dos cidadãos, mas sim envolvimento.
C) Errada. Não a considera obscura por natureza, mas multifacetada e sedutora.
E) Errada. “Simples” contradiz o texto, que destaca complexidade e contraste; o bem-estar a qualquer hora não aparece no poema.
Estratégias de interpretação:
- Atenção a expressões que revelam emoção e relação do eu lírico com a cidade.
- Identificar palavras-chave (noite, amante, agonia, frígida) que reforçam o vínculo multifacetado.
- Cuidado com pegadinhas: alternativas vagas ou que afirmam afastamento/simplicidade devem ser descartadas pois não correspondem ao tom do texto.
Referências normativas: Gramáticas como Bechara e Cunha & Cintra orientam que o sentido global do texto deve prevalecer na interpretação, dando peso aos sentidos figurados quando dominam o poema.
Resumo: O poema mostra São Paulo como cidade de contrastes, de muitas faces, e o eu lírico sente-se atraído especialmente por sua noite e complexidade, justificando plenamente a alternativa D.
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Comentários
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Gab: D.
Versos que corroboram a alternativa:
Amo-te quando a neblina te transporta
Não te amo à luz plácida do dia
Tão lírica e tão fria. Ou seja, MULTIFACES. Ora o sentimentalismo, ora a frieza.
E o gosto do poeta pelas noites é percebido nos versos citados pelo David.
Textos poéticos são muito subjetivos. Entendi a parte da multiface, porém, nos trechos de "amo-te quando a neblina te transporta", entendi como uma metáfora ao visual cinzento da cidade e não que isso seria "noite".
"Que à noite, quando te repousas morta
Lenta e cruel te envolve uma agonia"
Isso deu entender que ele não é seduzido pelas noites.
Honestamente entendi que ele se apaixona por São Paulo mais pela:
Letra C*obscura por natureza, vendo ele a real beleza dela na tristeza.
do que pela
Letra D*marcada pelas multifaces, sendo ele seduzido pelas suas noites.
``Que à noite, quando te repousas morta
Lenta e cruel te envolve uma agonia
Não te amo à luz plácida do dia``
Se isto não parece a real beleza na tristesa, então, realmente, preciso muito estudar,..
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