Leia o caso clínico a seguir. Paciente do sexo feminino, de...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4152748 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Paciente do sexo feminino, de 65 anos, com história de que há cerca de dez anos iniciou quadro de urgência miccional, nictúria, polaciúria e incontinência urinária aos grandes esforços, sendo que, nos últimos anos, estes sintomas têm trazido grande desconforto social. Tem antecedentes de três partos cesarianas, menopausa há 15 anos, sem uso de terapia hormonal. Ao exame físico, apresenta vagina atrófica, sem distopia genital e sem perdas ao esforço.

Diante desde quadro, excluindo-se a infecção urinária, e após o tratamento da vaginite atrófica, a principal hipótese diagnóstica é a
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: O quadro é dominado por sintomas crônicos de armazenamento urinário — urgência miccional, polaciúria e nictúria — em mulher idosa, após exclusão de infecção urinária e correção da atrofia vaginal, sem perda ao esforço no exame nem sinais de distopia ou de causa neurológica. Isso sustenta bexiga hiperativa como principal hipótese e afasta, como diagnóstico central, os mecanismos de esforço e a bexiga neurogênica.

Tema central: Bexiga hiperativa
Análise das alternativas
A
Errada
Hipermobilidade vesical/uretral se relaciona à incontinência urinária de esforço por deficiência de suporte, com perda desencadeada por tosse, riso, exercício ou esforço. Aqui, o núcleo sindrômico não é perda aos esforços, mas urgência, polaciúria e nictúria. O exame ainda não mostra perda ao esforço nem distopia genital, o que enfraquece mecanismo anatômico de esforço como hipótese principal.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro é dominado por sintomas típicos de bexiga hiperativa: urgência crônica, polaciúria e nictúria. A base decisiva é que bexiga hiperativa é uma síndrome clínica de armazenamento caracterizada por urgência urinária, geralmente acompanhada desses sintomas, com ou sem urge-incontinência, na ausência de infecção urinária ou outra causa local evidente. A questão ainda informa que a infecção foi excluída e que a análise deve ser feita após tratar a vaginite atrófica, removendo causas irritativas locais que poderiam simular esse quadro. Além disso, não há sinais que sustentem como principal uma incontinência de esforço por defeito de suporte ou falha esfincteriana, nem há substrato neurológico descrito.
C
Errada
Deficiência esfincteriana intrínseca produz padrão de incontinência urinária de esforço por falha de coaptação uretral, frequentemente com perdas a pequenos esforços. Esse mecanismo não explica como hipótese principal um quadro dominado por urgência, polaciúria e nictúria. Além disso, o exame físico não evidenciou perda ao esforço, o que vai contra esse diagnóstico como eixo central do caso.
D
Errada
Bexiga neurogênica pressupõe disfunção vesicoesfincteriana secundária a doença ou lesão neurológica. O enunciado não traz história neurológica, trauma, neuropatia, alteração de esvaziamento ou qualquer dado que sustente etiologia neurogênica. Sintomas de urgência isoladamente não bastam para esse diagnóstico.
Pegadinha da questão
A banca tenta fazer o candidato supervalorizar o relato de perda aos grandes esforços e marcar uma causa de incontinência urinária de esforço, mas o diagnóstico principal é definido pelo predomínio de urgência, polaciúria e nictúria, somado à exclusão de infecção e ao exame sem perda ao esforço.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro qual síndrome predomina: sintomas de armazenamento com urgência apontam para bexiga hiperativa; perda desencadeada por esforço aponta para incontinência de esforço.
  • Quando a questão disser para excluir infecção urinária e considerar o caso após tratar atrofia vaginal, use isso para afastar causas irritativas locais antes de definir a hipótese principal.
  • Ausência de perda ao esforço e de distopia no exame não exclui absolutamente componente de esforço, mas reduz sua força como diagnóstico principal.
  • Só considere bexiga neurogênica como hipótese principal quando houver base clínica de disfunção neurológica; urgência isolada não sustenta esse rótulo.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo