Com a frase – ... ou, quem sabe, a saudade daquela manhã em ...

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Q2465161 Português
As pitangueiras d’antanho*


       Tem seus 23 anos, e eu a conheço desde os oito ou nove, sempre assim, meio gordinha, engraçada, de cabelos ruivos. Foi criada, a bem dizer, na areia do Arpoador; nasceu e viveu em uma daquelas ruas que vão de Copacabana a Ipanema, de praia a praia. A família mudou-se quando a casa foi comprada para construção de edifício.

             Certa vez me contou:

           – Em meu quarteirão não há uma só casa de meu tempo de menina. Se eu tivesse passado anos fora do Rio e voltasse agora, acho que não acertaria nem com a minha rua. Tudo acabou: as casas, os jardins, as árvores. É como se eu não tivesse tido infância...

             Falta-lhe uma base física para a saudade. Tudo o que parecia eterno sumiu.

         Outra senhora disse então que se lembrava muito de que, quando era menina, apanhava pitangas em Copacabana; depois, já moça, colhia pitangas na Barra da Tijuca; e hoje não há mais pitangas. Disse isso com uma certa animação, e depois ficou um instante com o ar meio triste – a melancolia de não ter mais pitangas, ou, quem sabe, a saudade daquela manhã em que foi com o namorado colher pitangas.

          Também em minha infância, há pitangueiras de praia. Não baixinhas, em moitas, como aquelas de Cabo Frio, que o vento não deixa crescer; mas altas; e suas copas se tocavam e faziam uma sombra varada por pequenos pontos de sol.


(Rubem Fonseca, “As pitangueiras d’antanho”. 200 crônicas escolhidas, 2001. Fragmento)


* d’antanho: de épocas passadas
Com a frase – ... ou, quem sabe, a saudade daquela manhã em que foi com o namorado colher pitangas. (5o parágrafo) –, o narrador faz uma
Alternativas

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Tema central: Interpretação de Textos — identificação de inferência e conjectura no discurso narrativo.

O foco da questão é avaliar a habilidade do candidato em compreender sentidos implícitos no texto. Em provas de concurso, dominar a diferença entre afirmação e conjectura é fundamental, pois a banca testa se o candidato percebe quando o narrador está apenas sugerindo alguma possibilidade (conjectura) e não declarando uma certeza (afirmação).

O termo "quem sabe" utilizado pelo narrador indica uma hipótese, suposição ou dúvida, nunca uma certeza. De acordo com a norma-padrão, conforme destaca Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), estruturas como essa são marcas linguísticas de conjectura, típicas da linguagem subjetiva.

No trecho analisado, após narrar a lembrança de uma senhora sobre as pitangas, o narrador diz: “...ou, quem sabe, a saudade daquela manhã em que foi com o namorado colher pitangas.” Aqui, ele não afirma diretamente o motivo do ar triste da senhora, mas sugere uma possível causa para o sentimento observado. Isso é inferência indireta, e exige do leitor a atenção ao contexto e às marcas textuais.

Justificativa da alternativa correta:

Alternativa B: conjectura sobre o que pode significar o ar meio triste da senhora. Correta, porque o narrador faz uma suposição (marcada pelo “quem sabe”) relacionando a tristeza da senhora à lembrança de um momento especial. O leitor percebe que se trata de uma possibilidade, não de certeza, pois há um distanciamento do enunciador típico da conjectura.

Análise das alternativas incorretas:

A — Incorreta. Não há afirmação de animação, mas sim sugestão de tristeza.

C — Incorreta. Não há crítica; o narrador apenas observa e supõe.

D — Incorreta. O foco não é conjecturar sobre felicidade, mas sobre tristeza.

E — Incorreta. Não há julgamento crítico do narrador, apenas observação.

Dica para provas: Palavras como “talvez”, “quem sabe”, “pode ser” sinalizam hipóteses. Sempre relacione essas expressões a conjectura, não a afirmação.

Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática, seção sobre interpretação textual.

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Comentários

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Assertiva B.

conjectura sobre o que pode significar o ar meio triste da senhora

(...) Disse isso com uma certa animação, e depois ficou um instante com o ar meio triste – a melancolia de não ter mais pitangas, ou, quem sabe, a saudade daquela manhã em que foi com o namorado colher pitangas.

CONJECTURA: Hipótese/ Suposição.

termo que a vunesp adora.

Com a frase – ... ou, quem sabe, a saudade daquela manhã em que foi com o namorado colher pitangas. (5o parágrafo) –, o narrador faz uma

B

conjectura sobre o que pode significar o ar meio triste da senhora.

CONJECTURA: Hipótese/ Suposição.

termo que a vunesp adora.

belo texto

Olá, Amanda! É possivel vc listar mais alguns termos que a Vunesp gosta de colocar nas suas provas? É sempre bom estar preparado para tudo rs. Obrigado!

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