A literatura, entretanto, não emite, não conecta, não irra...
No trecho, o autor se vale de um recurso de articulação de ideias ao apresentar dois posicionamentos acerca da literatura, sendo o segundo aquele que a considera uma atividade negativa.
Esse recurso e uma possível compreensão, no contexto, para o termo “negativa” estão apresentados, respectivamente, em:
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Gabarito comentado
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Gabarito: D
Fundamento decisivo: “A literatura, entretanto, não emite, não conecta, não irradia, não estimula e não excita, pelos menos não nos termos aqui em pauta. A literatura é uma atividade negativa, que demanda um tempo incompatível com aquele da sociedade excitada, da sociedade do cansaço.” O conectivo “entretanto” introduz oposição ao quadro anterior e marca contra-argumentação; no mesmo movimento, “negativa” é determinado pelo co-texto como recusa à lógica da excitação, com sentido de resistência e desaceleração.
- Quando a questão pedir recurso de articulação, localize primeiro o conectivo e determine a relação lógico-semântica que ele estabelece.
- Em itens de interpretação, não fixe o sentido da palavra isoladamente; verifique como o co-texto redefine esse valor no próprio texto.
- Desconfie de alternativas associadas ao tema geral, como “estética” ou “retórica”, se o trecho estiver construindo outro sentido mais específico.
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A literatura, entretanto (contra-argumentação) , não emite, não conecta, não irradia, não estimula e não excita, pelos menos não nos termos aqui em pauta. A literatura é uma atividade negativa (no sentido de resistência à excitação, de desaceleração), que demanda um tempo incompatível com aquele da sociedade excitada, da sociedade do cansaço.
Alternativa Correta: D
Justificativa: O emprego da conjunção adversativa "entretanto" no início do parágrafo introduce uma clara contra-argumentação (ou oposição) em relação ao fluxo generalizado de hiperestimulação descrito anteriormente na sociedade e na escola. No contexto da estética e da filosofia crítica, o termo "negativa" é empregado não no sentido de algo ruim ou defeituoso, mas como uma atividade de resistência — ou seja, uma recusa em se submeter à lógica utilitária, rápida e mercantilizada do mundo espetacularizado.
Resumo do Assunto: O texto discute o papel da literatura diante da contemporaneidade marcada pela "sociedade excitada" e pela "sociedade do cansaço". Enquanto a escola cede à espetacularização digital para atrair a atenção, a literatura atua como uma força de desaceleração. Por exigir tempo, reflexão e singularidade, a experiência literária torna-se um ato de oposição e resistência crítica frente à aceleração homogeneizante e à conversão de todas as coisas em mercadoria.
Distrator da Banca: O principal distrator presente na questão é a Alternativa A (dialética – de excelência). A banca utiliza essa opção para confundir o candidato porque o conceito de "atividade negativa" possui profundas raízes na filosofia dialética (notadamente na estética de Adorno), o que induz o aluno a associá-lo de forma precipitada a esse rótulo teórico, mas atribuindo ao termo "negativa" o sentido equivocado de "excelência" ou positividade superlativa, distorcendo o papel crítico e de oposição que o vocábulo assume no argumento do texto.
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