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Q4239705 Psicologia
Na 4º série, eu voltava da escola andando e, um dia, algum amigo de meu pai me viu na rua segurando meu material escolar contra o peito, com os dois braços cruzados à frente. Quando meu pai chegou em casa, conversou comigo em tom de preocupação e um pouco de raiva ou impaciência. “Meninas” andavam daquele jeito. Não entendi. Eu não sabia o que eu tinha feito de errado (e quantos anos se passariam até eu aventar a possibilidade de não haver nada errado da minha parte). Me achava tão cuidadoso por carregar meu material no colo, para que nada caísse no chão e se sujasse. Cada vez mais fui ouvindo coisas parecidas na escola. Nessa época, aprendi o que significava chamar um homem de “viado” ou “bicha” e foi assim que fui apresentado à tragédia da homossexualidade. O importante, para mim, era passar desapercebido, conseguir que ninguém me notasse, porque eu chamava a atenção pelos motivos errados. A fraternidade masculina de que tanto se fala, de que tanto se vangloria o patriarcado, é uma relíquia entregue apenas aos homens cujo comportamento corresponde a uma masculinidade de rigidez brutal (CRUZ, 2018, p. 80).

(CRUZ, Felipe. Você nunca fez nada errado. São Paulo: Monomito Editorial, 2018)

O excerto acima foi retirado do livro “Você nunca fez nada errado”, do escritor paraense Felipe Cruz. Nesta obra suas reflexões apontam para as discriminações vivenciadas em uma sociedade patriarcal e cisheteronormativa. Levando-se em conta o compromisso da psicologia no enfrentamento às discriminações de gênero, considere as afirmativas abaixo:

I. A orientação sexual não pode ser reduzida às variáveis biológicas e nem às indicações de algumas teorias psicológicas e pedagógicas, que induzem à conclusão de que esta seja natural e universal.
II. A reprodução sexual e do trabalho expressam-se nas relações de gênero. Assim, estabelecem as “diretrizes” das relações entre os homens e entre as mulheres, que, nas sociedades contemporâneas, propiciam o estabelecimento de relações assimétricas e desiguais.
III. Não há uma subjetividade, personalidade ou comportamento que seja isolado do contexto social.
IV. A(o) psicóloga(o) deve atuar de forma ativa na eliminação das violências, discriminações, opressões, dentre outras, indicando nitidamente que a postura ética da(do) profissional frente às LGBTFobias e aos preconceitos também muito atuantes na sociedade brasileira — como o racismo e o machismo — implica numa atitude ético-política de interdição, impedimento, bem como prevenção e intervenções educativas, na perspectiva de mudar concepções e preconceitos.

Considerando-se as afirmativas que são condizentes com as discussões realizadas e com as orientações das Referências Técnicas para atuação de psicólogas(os) nos Programas e Serviços de IST/HIV/aids é correto afirmar que
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