A leitura do texto permite analisar os princípios de organi...

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Q3910663 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que cabecear a bola em esportes como futebol pode ser tão perigoso


Para muitos jogadores de futebol, cabecear a bola em alta velocidade e marcar um gol é um dos momentos mais marcantes do esporte. Contudo, cresce o número de evidências científicas indicando que a repetição desse gesto ao longo da carreira provoca danos ao cérebro que se manifestam décadas depois, na forma de doenças neurodegenerativas, como mal de Alzheimer, mal de Parkinson e doença do neurônio motor.

Os riscos dos esportes de contato são conhecidos há quase um século. Em 1928, o patologista Harrison Martland descreveu uma condição observada em lutadores profissionais, chamada punch drunk, caracterizada por confusão mental e dificuldade de locomoção, associada a golpes repetidos na cabeça. Em alguns casos, o quadro evoluía para uma demência, mais tarde denominada demência pugilística. Inicialmente, acreditava-se que esse problema se restringisse ao boxe, mas o conhecimento se ampliou nas últimas décadas.

Casos envolvendo outros esportes reforçaram essa associação. Jogadores de futebol e de futebol americano que desenvolveram demência precoce tiveram, após a morte, diagnóstico de encefalopatia traumática crônica (ETC), condição degenerativa ligada a impactos repetidos no crânio. A ETC apresenta características específicas, como depósitos anormais de proteína no cérebro, e tem sido identificada em diversos atletas profissionais e ex-atletas.

Estudos com grandes grupos de ex-jogadores mostraram que esportistas profissionais têm risco significativamente maior de desenvolver doenças neurodegenerativas em comparação com a população em geral. Esse risco aumenta conforme o tempo de carreira e varia de acordo com a posição em campo, sendo mais elevado entre aqueles que cabeceiam a bola com maior frequência.

Pesquisas também indicam que o cabeceio não está relacionado apenas à ETC, mas a alterações cognitivas detectáveis ainda em jogadores jovens. Impactos repetidos, mesmo sem causar concussões evidentes, produzem acelerações rápidas da cabeça, fazendo com que o cérebro se movimente dentro do crânio. Esse movimento estira estruturas delicadas responsáveis pela transmissão de informações, sobretudo em regiões frontais do cérebro, consideradas mais vulneráveis.

As lesões microscópicas resultantes não causam sintomas imediatos, mas, ao longo do tempo, favorecem processos inflamatórios, danos nos vasos sanguíneos e degeneração neuronal progressiva. Nem todos os atletas desenvolverão doenças, o que sugere a influência de fatores individuais, como genética e estilo de vida, mas o risco acumulado permanece relevante.

Diante desse cenário, medidas preventivas vêm sendo adotadas. Tecnologias para reduzir impactos na cabeça estão em desenvolvimento, e, no futebol, a diminuição do número de cabeceios, especialmente durante os treinos, tem sido apontada como estratégia eficaz, já que a maior parte dos impactos ocorre fora dos jogos.

Embora seja difícil eliminar totalmente os choques na cabeça nos esportes de contato, reduzir sua frequência é uma das principais formas de proteção. A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para diminuir o risco de danos cerebrais e preservar a saúde neurológica de atletas no longo prazo.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g4xdn9k4qo.adaptado.
A leitura do texto permite analisar os princípios de organização interna responsáveis por sua clareza e unidade de sentido.

Quanto aos princípios de coesão e coerência textuais, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a distinção entre coerência e coesão textual: a coerência decorre da articulação lógica e semântica global do texto, com continuidade temática e progressão de informações. Isso se evidencia no encadeamento "Contudo, cresce o número de evidências científicas indicando que a repetição desse gesto ao longo da carreira provoca danos ao cérebro [...] Estudos com grandes grupos de ex-jogadores mostraram [...] Pesquisas também indicam [...] Diante desse cenário, medidas preventivas vêm sendo adotadas.", que sustenta a unidade de sentido e confirma a alternativa B.

Tema central: coesão e coerência
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao dizer que a coesão depende do conhecimento prévio do leitor. Conhecimento prévio pode ajudar na compreensão, mas não constitui coesão textual. Coesão é propriedade interna do texto, construída por mecanismos linguísticos de ligação e retomada, não pela bagagem do leitor.
B
Certa
A alternativa B está correta porque identifica exatamente o princípio que organiza o texto em nível global: a coerência. O texto mantém unidade de sentido ao desenvolver, em sequência lógica, o risco do cabeceio, os antecedentes históricos e científicos, os mecanismos de lesão, os fatores de risco e, por fim, as medidas preventivas. Esse encadeamento temático e argumentativo é o que sustenta a coerência textual.
C
Errada
A alternativa troca os conceitos. Relação lógica entre ideias e sentido global são traços de coerência, não de coesão. Além disso, a afirmação de que isso ocorreria "mesmo sem uso de conectores linguísticos" contraria o texto, que emprega articuladores como "Contudo", "Inicialmente", "mas", "também" e "Diante desse cenário".
D
Errada
A alternativa atribui à coerência elementos que são, na formulação apresentada, mecanismos de coesão: pronomes, conectivos temporais e repetições vocabulares ligam frases e parágrafos. Esses recursos ajudam na articulação formal do texto, mas não definem, por si, a coerência, que está no nexo semântico global entre tese, desenvolvimento e conclusão.
Pegadinha da questão
A banca explorou a troca conceitual entre coesão e coerência: apresentou características da coerência como se fossem de coesão e características da coesão como se fossem de coerência.
Dica para questões semelhantes
  • Se a alternativa falar em progressão lógica, unidade de sentido e encadeamento temático, o foco é coerência.
  • Se a alternativa mencionar pronomes, conectores, retomadas e repetições, o foco é coesão.
  • Não atribua ao leitor o que é propriedade interna do texto: conhecimento prévio auxilia a leitura, mas não define coesão.
  • Confira se a alternativa descreve o texto real: aqui há conectores explícitos, então não cabe afirmar sentido global sem articuladores linguísticos.

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