A respeito da telemedicina e das novas tecnologias, julgue o...
A respeito da telemedicina e das novas tecnologias, julgue o item a seguir.
No cuidado clínico apoiado por ferramentas de inteligência artificial é recomendável que o profissional de saúde aceite as sugestões das ferramentas.
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Tema central: Telemedicina e o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) no cuidado clínico. A IA tem papel de suporte à decisão, mas a autonomia clínica e a responsabilidade ética e legal permanecem com o médico.
Gabarito: E (errado)
Por que é errado afirmar que “é recomendável aceitar as sugestões da IA”? Porque diretrizes éticas e normativas exigem julgamento crítico do médico e supervisão humana. A Resolução CFM nº 2.314/2022 (telemedicina) reforça que a decisão é do médico e não pode ser delegada a sistemas. O Código de Ética Médica veda delegar atos privativos. A OMS (2021) – Guidance on Ethics & Governance of AI for Health recomenda que a IA seja auxiliar, nunca substituta, com avaliação clínica, transparência e responsabilização. Logo, o adequado é considerar criticamente as sugestões, não “aceitá-las” de modo automático.
Raciocínio clínico aplicado: o médico deve integrar a saída da IA a dados do paciente (história, exame físico, exames), checar consistência com diretrizes (Ministério da Saúde, SBC, SBP, etc.), avaliar riscos/benefícios e registrar no prontuário o motivo da decisão. A IA pode errar por viés algorítmico, treinamento em população distinta ou limitações do cenário clínico.
Estratégia para interpretar questões: termos absolutos como “aceite”, “sempre”, “obrigatório” sugerem pegadinha. Em ética/telemedicina, o verbo correto é avaliar/ponderar, com responsabilidade do médico e consentimento informado, preservando privacidade (LGPD).
Análise das alternativas:
- C (certo): Incorreta. Implica aceitação automática, favorece viés de automação e pode contrariar diretrizes clínicas. Ex.: um algoritmo de triagem radiológica pode gerar falso-negativo; aceitar sem revisão pode atrasar diagnóstico. Contraria CFM e OMS ao suprimir supervisão humana.
- E (errado): Correta. A afirmação do item é inadequada porque a IA é apenas apoio. O médico deve manter o controle da decisão, validar a recomendação, considerar contexto e documentar a justificativa.
Checklist prático para provas e rotina:
- Supervisão humana obrigatória e autonomia do médico preservada.
- Consistência com diretrizes e evidências atuais.
- Transparência, rastreabilidade e privacidade (LGPD).
- Registro em prontuário do raciocínio e da decisão.
Referências úteis: Resolução CFM nº 2.314/2022 (Telemedicina); Código de Ética Médica; OMS – Ethics & Governance of AI for Health (2021); princípios de sociedades médicas brasileiras.
Conclusão: a IA apoia, mas não substitui o julgamento clínico. Portanto, o item está ERRADO.
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Comentários
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Especificamente sobre a utilização de IA em teletriagem e teleatendimento, não há vedação explícita de seu emprego de acordo com a norma ética vigente. Entretanto, alguns pontos de relevância deontológica devem ser destacados: 1) A telemedicina e todas as ferramentas nela empregadas deverão ser meios complementares, sendo a consulta médica presencial o padrão ouro de referência para o médico; 2) A autonomia médica está diretamente relacionada à responsabilidade pelo ato médico. Em se tratando de uma plataforma de telemedicina, o médico deverá estar ciente que, ao utilizar recursos de apoio ao diagnóstico, eventuais insucessos não poderão ser atribuídos ao meio tecnológico ou a terceiros; 3) Ao identificar inconsistências ou possíveis vieses de análise, o médico deverá empregar todos os recursos ao seu alcance, especialmente o atendimento presencial, como meio de aprimoramento da qualidade e precisão do atendimento e cuidado oferecidos; 4) Casos crônicos ou de tratamento continuado requerem cuidado presencial, sendo 180 dias o prazo máximo de atendimento à distância sem a interação direta com o paciente;
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