Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2019 Banca: Quadrix Órgão: FHGV Prova: Quadrix - 2019 - FHGV - Médico Cardiologista |
Q1069712 Medicina
        Um  paciente  de  66  anos  de  idade,  assintomático,  sedentário,  portador  de  hipertensão  arterial  sistêmica  e  dislipidemia  há  dois  anos,  foi  ao  ambulatório  para  sua  avaliação de rotina. Ele estava em uso de atenolol 50 mg uma  vez ao dia e negava tabagismo, etilismo, outras comorbidades  e  antecedentes  familiares  de  doença  arterial  coronária.   Exame  físico  mostrou  IMC  (índice  de  massa  corpórea)  de   32 kg/m2 , pressão arterial de 166 × 76 mmHg (média de três  medidas),  frequência  cardíaca  de  64  bpm  e  circunferência  abdominal  de  109  cm.  Levou  os  seguintes  resultados:  triglicerídeos  de  204 mg/dL;  colesterol  total  de  202 mg/dL;  HDL  colesterol  de  38  mg/dL;  LDL  colesterol  de   123  mg/dL;  glicemia  de  jejum  de  108  mg/dL;  e  relação  albumina/creatinina urinária de 39 mg/g em amostra isolada  de urina
Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor abordagem farmacológica anti‐hipertensiva, visando ao controle dos níveis pressóricos e à redução do risco cardiovascular total.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: A questão aborda terapêutica anti-hipertensiva e redução de risco cardiovascular em paciente idoso com fatores de risco múltiplos (hipertensão estágio 2, obesidade, dislipidemia, glicemia de jejum alterada).

Raciocínio clínico e alternativa correta (D):

A alternativa D (substituir o atenolol por uma associação de um IECA com um BCC) é a melhor conduta. Explicação:

  • Efetividade superior: Betabloqueadores (ex: atenolol) não são primeira linha na HA essencial sem cardiopatia específica, principalmente em pacientes idosos com risco metabólico elevado.
  • Segundo as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 (cap. 9): “A combinação de um IECA com um BCC é recomendada como terapia inicial em pacientes com hipertensão estágio 2 ou com alto risco cardiovascular.”
  • Estudo ACCOMPLISH demonstra redução significativa de eventos cardiovasculares na associação IECA + BCC, reforçando esta recomendação.
  • Betabloqueadores: podem piorar o perfil metabólico (aumentar resistência insulínica, dislipidemia), o que já está alterado no paciente.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Dobrar a dose do atenolol: Não indicado. Mantém desvantagem metabólica e é insuficiente na maioria dos casos de HAS estágio 2.
  • B) Associar IECA ao atenolol: Melhora, porém mantém o betabloqueador, que não é prioridade em pacientes sem doença cardíaca estabelecida e com risco metabólico.
  • C) IECA + BRA: Associação não recomendada devido ao risco de efeitos adversos (hipercalemia, insuficiência renal) e ausência de benefício adicional comprovado (NÃO COMBINAR IECA + BRA!).
  • E) BCC isolado: Melhora em relação ao betabloqueador, porém, em HAS estágio 2 e alto risco, prefere-se associação de fármacos para atingir controle da PA e risco cardiovascular.

Destaques para leitura atenta:

  • Idoso, IMC elevado, dislipidemia, glicemia alterada: deve-se focar em drogas com perfil metabólico neutro ou favorável.
  • Não há cardiopatia isquêmica estabelecida: não há papel preferencial do betabloqueador.
  • Pressão 166 × 76 mmHg: hipertensão estágio 2 exige associação medicamentosa desde o início.

Dica para concursos: Priorize sempre a associação IECA/BCC ou BRA/BCC para HA com alto risco e evite combinações IECA+BRA e uso isolado de betabloqueadores em pacientes sem cardiopatia estrutural.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

O paciente em questão é obeso (IMC de 32 kg/m2), com hipertensão e dislipidemia. O atenolol que ele já está tomando é um beta-bloqueador, que reduz a pressão arterial, mas não está controlando adequadamente a hipertensão (indicada pela pressão arterial de 166 x 76 mmHg). A alternativa D propõe que o atenolol seja substituído por uma combinação de um inibidor da enzima de conversão da angiotensina (IECA) e um bloqueador dos canais de cálcio (BCC). Os IECAs reduzem a pressão arterial ao bloquear a formação de angiotensina II, um hormônio vasoconstritor, enquanto os BCCs reduzem a pressão arterial relaxando os vasos sanguíneos. Esta combinação tem demonstrado ser eficaz na redução da pressão arterial e na redução do risco de eventos cardiovasculares em pacientes com hipertensão e outros fatores de risco para doença cardíaca, como a obesidade. Portanto, a alternativa D é a melhor opção de tratamento para este paciente.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo