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Ano: 2019 Banca: Quadrix Órgão: FHGV Prova: Quadrix - 2019 - FHGV - Médico Cardiologista |
Q1069701 Medicina
Texto para as questões de 21 a 24

Uma paciente de 66 anos de idade compareceu ao ambulatório com queixa de dispneia. Há dois meses, iniciou  um  quadro  de  dispneia aos esforços maiores que os habituais e, há dois dias, acordou durante a noite devido a súbito  episódio de  dispneia,  que  melhorou após se  sentar. Ela  relatou o uso de anlodipino 5 mg e metformina 2 g ao dia devido a antecedentes de hipertensão arterial e diabetes mellitus há dez anos e tamoxifeno devido a câncer de mama tratado com mastectomia e quimioterapia (com critério de cura) há sete anos. No momento da consulta, estava assintomática.  Ao  exame  físico, apresentava‐se  afebril, com extremidades quentes, normocorada, com frequência cardíaca de 104 bpm, pressão arterial de 156×74  mmHg, turgência jugular a 30º, estertores crepitantes em ambas as bases pulmonares e sibilos expiratórios discretos. O íctus cardíaco estava desviado para a esquerda, o ritmo cardíaco estava irregular em três tempos (terceira  bulha) e não havia sopros. Adicionalmente, notava‐se refluxo hepatojugular e edema  de  membros  inferiores  na  região maleolar bilateralmente. O  restante do exame  físico  e  os  exames laboratoriais não revelaram anormalidades. O eletrocardiograma revelou fibrilação atrial e alterações difusas da repolarização ventricular e o ecocardiograma demonstrou hipocinesia difusa, com fração de ejeção de 34%. Diante desse quadro, o anlodipino 5 mg foi substituído por sacubitril/valsartana 49 mg/51 mg duas vezes ao dia e acrescentou‐se furosemida 40 mg duas vezes ao dia.  
Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O caso clínico discute insuficiência cardíaca (IC) com fração de ejeção reduzida em paciente idosa, hipertensa e diabética, e reforça a necessidade de elucidar a etiologia subjacente, com foco em doença arterial coronária (DAC).

Justificativa da alternativa correta – E:
O quadro apresenta fatores de risco cardiovasculares (hipertensão, diabetes), achados de disfunção ventricular (FE 34%) e sinais de congestão sistêmica e pulmonar. Segundo as Diretrizes Brasileiras para Diagnóstico e Tratamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida, “a DAC é uma das principais causas de IC”, especialmente em pacientes com perfil semelhante ao descrito. A investigação de DAC é mandatória, pois seu diagnóstico pode alterar diretamente o prognóstico e o tratamento.

Por que as demais estão erradas?

A) Cardiotoxicidade da quimioterapia: Geralmente se manifesta meses a poucos anos após o término; a paciente encerrou o tratamento há 7 anos. Sem outros indícios de recaída ou achados específicos, essa causa é improvável.
B) Cardiopatia hipertensiva: É pertinente, mas sozinha não explica todos os achados (hipocinesia difusa, arritmia, necessidade de investigação para DAC). As diretrizes evidenciam o alto risco de DAC em diabéticos/hipertensos.
C) Etiologia viral: Não pode ser excluída apenas pela idade; porém, em idosos sem quadro infeccioso prévio ou sinais de miocardite aguda, é uma causa menos prevalente.
D) Cor pulmonale por tromboembolismo: O quadro é insidioso, com congestão sistêmica; cor pulmonale agudo é caracterizado por início súbito, ausência de congestão esquerda e, geralmente, história de risco para tromboembolismo, não identificado aqui.

Dica para provas: Atenção aos fatores de risco e ao perfil clínico. A IC em idosos, diabéticos e hipertensos exige, por protocolo, a investigação de DAC – principal causa identificável e modificadora de prognóstico em IC.

Citações das diretrizes: “A insuficiência cardíaca é a via final de muitas doenças; a DAC é a mais comum como etiologia...”
Fonte: Diretrizes Brasileiras para Diagnóstico e Tratamento da IC com Fração de Ejeção Reduzida, Seção: Introdução.

Resumo: O raciocínio clínico deve privilegiar investigar DAC em pacientes com IC e múltiplos fatores de risco. Fatores históricos e o tempo de evolução das doenças servem para descartar diagnósticos menos prováveis. A alternativa E é a correta.

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Comentários

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A resposta correta é a alternativa E - "Deve ser investigado o diagnóstico de doença arterial coronária". A paciente apresenta uma série de sintomas que são comumente associados com doença arterial coronária, incluindo dispneia (falta de ar), estertores crepitantes (ruídos anormais nos pulmões durante a inalação), turgência jugular (inchaço ou distensão das veias do pescoço), e hipocinesia difusa (diminuição do movimento nos músculos do coração). Adicionalmente, a fibrilação atrial é uma condição que pode ser causada por doença arterial coronária. Embora outras condições possam causar sintomas semelhantes, a doença arterial coronária é uma possibilidade que certamente deveria ser investigada dada a apresentação clínica da paciente. Além disso, a idade da paciente, seu histórico de hipertensão e diabetes, e seu histórico de tratamento com tamoxifeno (uma droga que pode aumentar o risco de doença cardíaca) são todos fatores de risco para doença arterial coronária.

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