Sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, analis...

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Q201018 Direito Ambiental
Sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, analise as afirmações a seguir.

I - Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental, assim considerado pelo órgão ambiental competente, com fundamento em Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório (EIA/Rima), o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e a manutenção de unidade de conservação do Grupo de Proteção Integral.

II - Quando o empreendimento sujeito à compensação ambiental afetar a zona de amortecimento de uma Área de Proteção Ambiental (APA), essa Unidade de Conservação deverá ser uma das beneficiárias dos recursos da compensação ambiental.

III - O montante de recursos a ser destinado pelo empreendedor a título de compensação ambiental não pode ser inferior a meio por cento dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento, sendo o percentual fixado pelo órgão ambiental licenciador de acordo com o grau de impacto ambiental causado pelo empreendimento.

IV - Dentre as unidades de conservação de uso sustentável, cujo objetivo básico é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais, encontram-se as Áreas de Proteção Ambiental, as Áreas de Relevante Interesse Ecológico, as Florestas Nacionais e as Reservas de Fauna.

Está correto o que se afirma em
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A Lei nº 9.985/2000, art. 36, caput, estabelece: “Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental, assim considerado pelo órgão ambiental competente, com fundamento em estudo de impacto ambiental e respectivo relatório - EIA/RIMA, o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação do Grupo de Proteção Integral, de acordo com o disposto neste artigo e no regulamento desta Lei.” Esses requisitos confirmam I; os arts. 7º, § 2º, e 14 confirmam IV. II desconsidera a exceção relativa à APA no art. 25, segundo a leitura adotada pela banca, e III exige o piso de 0,5% declarado inconstitucional pelo STF na ADI 3.378/DF. Portanto, somente I e IV estão corretas.

Tema central: Compensação ambiental e categorias do SNUC
Análise das alternativas
A
Errada
Inclui II e exclui IV. A Lei nº 9.985/2000, art. 25, caput, dispõe: “As unidades de conservação, exceto Área de Proteção Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural, devem possuir uma zona de amortecimento e, quando conveniente, corredores ecológicos.” Na leitura adotada pela banca, II erra ao pressupor para a APA a zona de amortecimento típica obrigatória desse regime. O dispositivo excepciona a obrigatoriedade, mas não contém proibição expressa de criação dessa zona. Também não impede a APA diretamente afetada de receber recursos: o art. 36, § 3º, na redação dada pela Lei nº 15.190/2025, estabelece: “Quando o empreendimento afetar unidade de conservação específica ou sua zona de amortecimento, a unidade afetada, mesmo que não pertencente ao Grupo de Proteção Integral, deverá ser uma das beneficiárias da compensação definida neste artigo.” A distinção decisiva é entre afetar a própria APA e pressupor sua zona de amortecimento. Além disso, IV está correta pelos arts. 7º, § 2º, e 14.
B
Certa
A alternativa B reúne as duas afirmações juridicamente sustentadas. I contempla os requisitos do art. 36, caput: significativo impacto ambiental reconhecido pelo órgão competente com fundamento em EIA/RIMA, que gera a obrigação de apoiar a implantação e manutenção de unidade de proteção integral. IV corresponde ao objetivo e à classificação legal do Grupo de Uso Sustentável. A Lei nº 9.985/2000, art. 7º, § 2º, dispõe: “O objetivo básico das Unidades de Uso Sustentável é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais.” O art. 14 estabelece: “Constituem o Grupo das Unidades de Uso Sustentável as seguintes categorias de unidade de conservação: I - Área de Proteção Ambiental; II - Área de Relevante Interesse Ecológico; III - Floresta Nacional; IV - Reserva Extrativista; V - Reserva de Fauna; VI – Reserva de Desenvolvimento Sustentável; e VII - Reserva Particular do Patrimônio Natural.” As quatro categorias mencionadas em IV integram esse grupo. A afirmação não pretende enumerar todas as categorias, de modo que a ausência das demais não a torna incorreta.
C
Errada
Inclui as duas afirmações incorretas. II desconsidera a exceção da APA à obrigatoriedade de zona de amortecimento prevista no art. 25, conforme a leitura adotada pela banca. III exige compensação mínima de 0,5% dos custos de implantação, expressão declarada inconstitucional pelo STF na ADI 3.378/DF, Tribunal Pleno, rel. Min. Carlos Britto, julgada em 9 de abril de 2008. Segundo essa decisão, a compensação deve ser proporcional ao impacto ambiental apurado mediante estudo, com contraditório e ampla defesa; não se aplica o piso obrigatório indicado em III.
D
Errada
IV está correta, mas III não: o STF, na ADI 3.378/DF, afastou o piso obrigatório de 0,5% dos custos de implantação. A falsidade de III está nessa exigência mínima, e não na existência da compensação ambiental. A alternativa também exclui I, que corresponde à obrigação e aos requisitos do art. 36, caput, da Lei nº 9.985/2000.
E
Errada
A inclusão de todas as afirmações mantém dois erros jurídicos: II aplica à APA a premissa de zona de amortecimento obrigatória, apesar da exceção do art. 25, segundo a interpretação adotada pela banca; III impõe o piso de 0,5% declarado inconstitucional pelo STF na ADI 3.378/DF. A correção de I e IV não sana esses vícios.
Pegadinha da questão
A questão combina três confusões reais: aplicar à APA a regra geral de zona de amortecimento sem observar a exceção legal; considerar exigível o piso de 0,5% por sua presença no texto legal, apesar da declaração de inconstitucionalidade; e rejeitar IV por não listar todas as categorias, embora a expressão “encontram-se” indique enumeração não exaustiva.
Dica para questões semelhantes
  • Para reconhecer a obrigação do art. 36, caput, confira conjuntamente o significativo impacto ambiental, o reconhecimento pelo órgão competente e o fundamento em EIA/RIMA.
  • Distinga a afetação direta da APA da referência à sua zona de amortecimento. O art. 25 excepciona a obrigatoriedade dessa zona, mas não proíbe expressamente sua criação nem exclui a APA diretamente afetada da compensação.
  • Na quantificação da compensação, aplique a ADI 3.378/DF: o piso obrigatório de 0,5% foi afastado, não a própria compensação ambiental.
  • Nas listas de unidades de conservação, confira o pertencimento de cada categoria ao grupo indicado; uma enumeração não exaustiva não precisa reproduzir todo o art. 14.

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Comentários

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Galera, toda a questão está embasada na Lei 9.985/200 (SNUC).
I - CORRETA art. 36
II - ERRADA - art. 25 - a APA não possui zona de amortecimento
III - ERRADA - literalidade do art. 36, §1º, o qual teve a limitação quantitativa mínima de 0,5% considerada inconstitucional pelo STF na ADI 3.378/DF (abaixo)
IV - CORRETA  art. 14 - dúvida poderia advir sobre a similitude da Floresta Nacional (uso sustentável) e Parque Nacional (proteção integral). Como sempre tem pegadinha dessas, bolei um jeito próprio de diferenciar as duas, é meio pesado, mas funciona pro concurseiro na hora da prova e é o que vale: a letra F de Floresta admite que vc Foda a coisa com o uso, já o Parque, que não tem F, deve ser protegido.
Espero que ajude alguem que tenha tido a mesma dúvida que eu...

ADI 3.378/DF: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 36 E SEUS §§ 1º, 2º E 3º DA LEI Nº 9.985, DE 18 DE JULHO DE 2000. CONSTITUCIONALIDADE DA COMPENSAÇÃO DEVIDA PELA IMPLANTAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS DE SIGNIFICATIVO IMPACTO AMBIENTAL. INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL DO § 1º DO ART. 36. 1. O compartilhamento-compensação ambiental de que trata o art. 36 da Lei nº 9.985/2000 não ofende o princípio da legalidade, dado haver sido a própria lei que previu o modo de financiamento dos gastos com as unidades de conservação da natureza. De igual forma, não há violação ao princípio da separação dos Poderes, por não se tratar de delegação do Poder Legislativo para o Executivo impor deveres aos administrados. 2. Compete ao órgão licenciador fixar o quantum da compensação, de acordo com a compostura do impacto ambiental a ser dimensionado no relatório - EIA/RIMA. 3. O art. 36 da Lei nº 9.985/2000 densifica o princípio usuário-pagador, este a significar um mecanismo de assunção partilhada da responsabilidade social pelos custos ambientais derivados da atividade econômica. 4. Inexistente desrespeito ao postulado da razoabilidade. Compensação ambiental que se revela como instrumento adequado à defesa e preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações, não havendo outro meio eficaz para atingir essa finalidade constitucional. Medida amplamente compensada pelos benefícios que sempre resultam de um meio ambiente ecologicamente garantido em sua higidez. 5. Inconstitucionalidade da expressão "não pode ser inferior a meio por cento dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento", no § 1º do art. 36 da Lei nº 9.985/2000. O valor da compensação-compartilhamento é de ser fixado proporcionalmente ao impacto ambiental, após estudo em que se assegurem o contraditório e a ampla defesa. Prescindibilidade da fixação de percentual sobre os custos do empreendimento. 6. Ação parcialmente procedente.
Caros Colegas Concurseirsos

I - Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental, assim considerado pelo órgão ambiental competente, com fundamento em Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório (EIA/Rima), o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e a manutenção de unidade de conservação do Grupo de Proteção Integral. (CERTA )
Está prevista no artigo 36 da lei 9985/2000. O empreendedor de atividades de significação impacto ambiental deverá destinar recursos financeiros para a implantação e manutenção de unidade  de conservação do grupo de PROTEÇÃO INTEGRAL e de USO SUSTENTAVEL. Trata-se da aplicação do usuario-pgador que estabelece que o usuario de recursos naturais deve pagar por sua utilização;

II - Quando o empreendimento sujeito à compensação ambiental afetar a zona de amortecimento de uma Área de Proteção Ambiental (APA), essa Unidade de Conservação deverá ser uma das beneficiárias dos recursos da compensação ambiental. (ERRADA)
ZONA DE AMORTECIMENTO é o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições especificas, com o proposito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade (art. 2, XVIII); POREM vale lembrar  que  todas as unidades de conservação  deven possuir zona de amortecimento, exceto as AREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) e RESERVA PARTICULAR DO PATRIMINIO NATURAL.

III - O montante de recursos a ser destinado pelo empreendedor a título de compensação ambiental não pode ser inferior a meio por cento dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento, sendo o percentual fixado pelo órgão ambiental licenciador de acordo com o grau de impacto ambiental causado pelo empreendimento. Na ADI 3378-DF discutiu-se a constitucionalidade do instrumento da compensação dos impactos ambiental prevista no artigo 36 e paragrafos, da lei 9985/00. O Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente pedido formulado em ação direta para declarar a inconstitucionalidade, com redução de texto, das expressões " não pode ser inferior a meio por cento dos custos totais previstos para implantação do empreendimento" e " percentual", constantes do § 1 do art. 36, da Lei 9985/2000.

IV - Dentre as unidades de conservação de uso sustentável, cujo objetivo básico é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais, encontram-se as Áreas de Proteção Ambiental, as Áreas de Relevante Interesse Ecológico, as Florestas Nacionais e as Reservas de Fauna. (CORRETA)

UNIDADES DE USO SUSTENTAVEL
 

AREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA); AREA DE RELEVANTE INTERESSE ECOLOGICO; FLORESTA NACIONAL; RESERVA EXTRATIVISTA; RESERVA DE FAUNA; RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL; RESERVA PARTICULAR DO PATRIMONIO NATURAL;


    
Essa questão é um absurdo de difícil, principalmente por exigir do candidato que se lembre do disposto no art. 25 da Lei n. 9.985/2000:

As unidades de conservação, exceto Área de Proteção Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural, devem possuir uma zona de amortecimento e, quando conveniente, corredores ecológicos (item II).

Georgiano e demais colegas, 

Eu também não sou muito fã da Lei do SNUC pq acho que ela dá margem a um milhão de pegadinhas, como essa do item II. Mas com relação a esse artigo tem ummodo de guardas as exceções sem ter que decorar:

Art. 25. As unidades de conservação, exceto Área de Proteção Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural, devem possuir uma zona de amortecimento e, quando conveniente, corredores ecológicos.

As APAs são UCs, como diz o próprio art. 15 da norma, são áreas dotadas de certo grau de ocupação humana, ou seja, são áreas já bastante impactadas. Não sei se vcs sabem, mas praticamente toda a zona sul de BH é parte de uma APA. Desse modo, não faria qualquer sentido prever uma zona de amortecimento en torno dela, pois a APA quase não traz restrições ao uso e a ocupação

Com relação à RPPN, basta lembrar que se trata de uma área privada. Assim, quando um particular grava um terreno seu, não se poderia exigir que terceiros (seus vizinhos) suportassem o ônus de terem a utilização de seus terrenos restringida por um ato que não foi deles nem do Estado.

Espero que isso ajude, pelo menos nessa pegadinha!
Certissimo Ana Luiza!

Obrigado pelos esclarecimentos.

Essa lei do SNUC é recheada de pegadinhas, porque são várias as exceções.

Persistência e repetição! Nada de moleza, hein, Carlos !

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