Homem, 71 anos de idade, portador de bioprótese aórtica, es...

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Q4236167 Medicina
Homem, 71 anos de idade, portador de bioprótese aórtica, está internado por endocardite.  

Exames laboratoriais:
Leucócitos: 9 800/µL (8 % bastonetes)
Hb: 11,2 g/dL
Plaquetas: 180 000/mm3
PCR: 78 mg/L
Cr: 1,4 mg/dL

Foram realizados três pares de hemoculturas positivas para Enterococcus faecalis, sensível à ampicilina com Concentração Inibitória Mínima (CIM) de 1 mg/L e com resistência de alto nível a gentamicina. Ecocardiograma transesofágico revela vegetação de 8 mm em cúspide não coronariana da bioprótese e discreto aumento do gradiente transvalvar. Em relação ao caso descrito, assinale a alternativa que apresenta o tratamento mais adequado.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Endocardite em bioprótese aórtica por Enterococcus faecalis sensível à ampicilina, com resistência de alto nível à gentamicina. Nesse cenário, a gentamicina perde utilidade clínica e o esquema indicado é ampicilina + ceftriaxona por pelo menos 6 semanas.

Tema central: Endocardite enterocócica protética
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A traz o esquema recomendado para E. faecalis sensível à ampicilina quando há resistência de alto nível a aminoglicosídeo. Em endocardite por enterococo, a eficácia bactericida depende de sinergia; aqui, a sinergia com gentamicina não é válida, e a combinação ampicilina + ceftriaxona é a opção efetiva para esse perfil microbiológico. Como há bioprótese, a duração deve ser de pelo menos 6 semanas.
B
Errada
Está errada porque o antibiograma mostrou resistência de alto nível à gentamicina, o que inviabiliza a sinergia clássica com aminoglicosídeo na endocardite enterocócica. Assim, manter ampicilina + gentamicina por 6 semanas não é a conduta adequada.
C
Errada
Está errada porque daptomicina em monoterapia não é a melhor opção neste caso. A base destaca que, quando usada em endocardite enterocócica, deve ser em alta dose e combinada, e não como monoterapia, além de haver esquema dirigido preferencial para esse perfil.
D
Errada
Está errada porque linezolida não é tratamento de primeira linha para endocardite por E. faecalis sensível à ampicilina. Neste contexto, existe esquema dirigido mais bem sustentado com ampicilina + ceftriaxona, reservando-se linezolida para cenários de resistência ampla ou intolerância.
Pegadinha da questão
A banca explora o automatismo de marcar ampicilina + gentamicina para enterococo sem valorizar o detalhe que realmente muda a conduta: a resistência de alto nível à gentamicina. Outra confusão real é achar que ceftriaxona não serve em enterococo em nenhuma hipótese, quando aqui ela é útil pela sinergia com ampicilina.
Dica para questões semelhantes
  • Em endocardite por enterococo, não basta saber se há sensibilidade à ampicilina; é obrigatório verificar se existe resistência de alto nível a aminoglicosídeo.
  • Se houver resistência de alto nível à gentamicina em E. faecalis suscetível à ampicilina, pense em dupla beta-lactâmica com ampicilina + ceftriaxona.
  • Bioprótese conta como material protético, então a duração do tratamento deve ser prolongada, em regra pelo menos 6 semanas.
  • Não confunda cobertura microbiológica com melhor esquema para endocardite: linezolida e daptomicina não substituem o esquema dirigido preferencial quando ele existe.

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