Uma paciente de 25 anos de idade procura uma unidade básica...
Uma paciente de 25 anos de idade procura uma unidade básica de saúde (UBS) queixando-se de dor de cabeça. Relata que, na noite anterior, ficou até tarde assistindo a aulas on-line e ingeriu várias xícaras de café. A cefaleia é bilateral, de forte intensidade e pulsátil. Precisou ficar em silêncio e no escuro do quarto para aliviar a dor. O pequeno esforço de se levantar e ir ao banheiro piorava a dor. Associados à dor, teve vômitos. O médico da UBS verifica que a paciente não manifesta nenhuma alteração visual, nem sensitiva, nem motora e nem de linguagem. A nuca estava livre, sem sinais meníngeos. Constatam-se PA = 130 mmHg x 90 mmHg, FC = 95 bpm, FR = 19 ipm e SatO2 = 96% em ar ambiente. Está afebril, lúcida e orientada em tempo e espaço. O exame físico está normal. O médico prescreve um medicamento injetável e orienta que a paciente retorne no dia seguinte. Ela retorna no outro dia, relatando estar com dificuldade de concentração e apresenta alodinia. Informa que já teve crises parecidas nos últimos anos, geralmente relacionadas ao cansaço e ao estresse. Tem, em média, cinco crises parecidas mensalmente, e isso prejudica sua vida profissional e pessoal. Como comorbidades, observam-se asma (crises bem raras) e sobrepeso (IMC de 29).
Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
Caso essa paciente apresente indicação de iniciar a
profilaxia, existem algumas boas opções para ela, como
propranolol, fluoxetina e topiramato.
Gabarito comentado
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Gabarito: E (errado)
Tema central: Profilaxia da enxaqueca.
No caso apresentado, trata-se de uma paciente jovem com crises recorrentes de cefaleia, intensidade incapacitante, sintomas associados e prejuízo funcional, quadro típico de enxaqueca com indicação de tratamento profilático.
Raciocínio clínico:
A escolha do medicamento para prevenção da enxaqueca deve seguir as diretrizes clínicas validadas. Segundo o Ministério da Saúde (“Uso Racional de Medicamentos: Temas Selecionados”, p. 331), os fármacos com uso comprovado são betabloqueadores (propranolol, atenolol), antidepressivos tricíclicos (como amitriptilina e imipramina), antagonistas dos canais de cálcio (verapamil) e anticonvulsivantes (topiramato).
Análise das opções citadas:
- Propranolol: Betabloqueador, amplamente recomendado e eficaz para profilaxia.
- Topiramato: Anticonvulsivante de primeira linha com evidência consistente para prevenção.
- Fluoxetina: Embora seja um antidepressivo, a evidência de sua eficácia na profilaxia da enxaqueca é limitada. Não é classificada como opção de primeira linha segundo as diretrizes nacionais e internacionais. ISRS, como a fluoxetina, não têm sua eficácia plenamente comprovada para esse fim. Antidepressivos tricíclicos (ex: amitriptilina) são preferíveis.
Ponto-chave para provas: Evite generalizar todos os antidepressivos no tratamento profilático da enxaqueca. O examinador pode tentar confundir citando a fluoxetina, pouco eficaz, ou pegando alunos desatentos ao confundir ISRS com tricíclicos.
Diretriz oficial destacada:
“A abordagem terapêutica inclui (...) betabloqueadores (atenolol), antidepressivos tricíclicos (imipramina), antagonistas dos canais de cálcio (verapamil) e anticonvulsivantes (topiramato).” (Ministério da Saúde, p. 331)
Análise crítica das alternativas:
A alternativa estaria correta SE não citasse a fluoxetina como “boa opção”, o que destoa das diretrizes e evidências vigentes.
Resumo prático:
Propranolol e topiramato: opções corretas.
Fluoxetina: não é profilático de escolha para enxaqueca.
Dica de prova: Atenção ao tipo do antidepressivo citado. Priorize tricíclicos, não ISRS, nas profilaxias de cefaleia!
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