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Q3616235 Português
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Desemprego cai, precarização sobe

    A taxa de desemprego de 6,2% apurada pelo IBGE para o trimestre encerrado em maio não representa apenas o patamar mais baixo da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. O indicador reflete a mudança profunda de um mercado de trabalho marcado pela “uberização”, que vai muito além da informalidade dos aplicativos de transportes para se estender a inúmeras atividades criadas com a digitalização da economia.

    Os dados do IBGE, monitorados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, atestam que há 39,3 milhões de trabalhadores informais no País, o que não é pouco. E embora a taxa de informalidade tenha caído de 38,1% para 37,8% de um trimestre móvel para outro, é uma queda que deve ser relativizada, já que houve alta de 3,7% daqueles que trabalham como CNPJ, os autônomos da era da “pejotização”. Há alguns anos o emprego atravessa uma fase de precarização, fenômeno não apenas brasileiro, mas mundial.

    Num mundo sob novos parâmetros, faz-se necessário o aperfeiçoamento dos critérios de análise para compor um retrato mais fiel do mundo do trabalho. O gráfico do desemprego, em trajetória de queda desde o trimestre encerrado em maio de 2021, não pode ser traduzido como um caminho firme ao pleno emprego, por mais auspiciosos que os dados possam parecer.

    Nelson Marconi, professor da FGV Eaesp, comparou, em recente artigo, microdados da Pnad do ano de 2012, quando a taxa de desemprego estava baixa (média de 7,4%) com o ano fechado de 2024 (média de 6,9%). Em vez de abordar as condições de oferta de emprego, como nível de escolaridade e qualificação profissional, o trabalho de Marconi foi orientado pela demanda, buscando identificar quem contrata e para qual tipo de ocupação. Concluiu que o mercado de trabalho no ano passado estava tão aquecido quanto em 2012, mas com empregos de menor qualidade e remunerações mais baixas mesmo para ocupações que demandam maior qualificação.

    É o mesmo cenário deste ano, com perda de dinamismo do setor produtivo, redução de setores industriais relevantes e investimento insuficiente em setores tecnologicamente mais sofisticados. Um quadro distante do alvissareiro pleno emprego, já que, ao fim das contas, o saldo é a perda do poder de compra, embora a massa de salários em circulação tenha renovado a máxima da série do IBGE, chegando a R$ 354,605 bilhões no trimestre terminado em maio.

    Os dados confirmam que um indicador isolado pouco reflete a economia como um todo. Enquanto o poder de compra se mantiver corroído por uma inflação acima da meta, a queda no desemprego não significa felicidade.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 02.07.2025. Adaptado)
A concordância verbal e a concordância nominal atendem à norma-padrão em:
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Tema central: Concordância verbal e nominal. O objetivo da questão é avaliar sua habilidade de identificar estruturas sintáticas de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa. Para Analista Jurídico, dominar essas regras demonstra domínio da precisão e formalidade exigidas em documentos oficiais.

Regra-chave:

Concordância verbal: O verbo deve concordar em número e pessoa com o sujeito.
Concordância nominal: Adjetivos e determinantes devem concordar em gênero e número com o substantivo.

Análise da alternativa correta (B):

"O IBGE dispõe de dados bastante expressivos, os quais atestam que se trata de 39,3 milhões de trabalhadores informais no País. Além disso, já faz alguns anos que os empregos brasileiro e mundial atravessam uma fase de precarização."

Justificativa:

- “Dispõe” está correto (sujeito singular: IBGE).
- “Bastante” (=muito) está certo no singular, pois é advérbio invariável (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa).
- “Faz alguns anos”: verbo “fazer” indicando tempo decorrido é invariável (Cunha & Cintra, 2017).
- “Se trata de”: concordância correta porque o verbo concorda com o sujeito “de 39,3 milhões” (estrutura impessoal habitual em textos formais).

Ponto de atenção: Embora “empregos brasileiro e mundial” estivesse melhor como “brasileiros e mundiais”, a alternativa é a que menos erra em concordância, e os erros das demais são mais graves.

Análise das alternativas incorretas:

A) “Fazem alguns anos” → erro (verbo “fazer” no sentido de tempo deve ficar no singular).
“Empregos brasileiro e mundial” → erro de concordância nominal (o correto: “empregos brasileiros e mundiais”).

C) “Dispõem” (erro: IBGE é singular). “Se tratam” (erro: oração impessoal). “Já têm alguns anos” (erro: deve ser “faz”). “[…] atravessa uma fase” (erro de concordância, pois o sujeito está no plural).

D) “Dispõem” (erro: IBGE é singular). “Chegam a 39,3 milhões o número” (erro: sujeito singular, deveria ser “chega”). “Bastantes expressivos” (erro, pois “bastante” quando advérbio é invariável).

E) “Bastantes expressivos” (erro: invariável). “O emprego brasileiros e mundiais atravessa” (erro: discordância entre sujeito e predicativo).

Dica de prova: Sempre isole o verbo e observe quem é o núcleo do sujeito para enquadrar o verbo corretamente. Atenção ao sentido de advérbios e à função de “fazer” e “haver” como marcadores temporais!

Referências: Bechara, Evanildo; Cunha & Cintra; Rocha Lima.

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GAB: B -"O IBGE dispõe de dados bastante expressivos, os quais atestam que se trata de 39,3 milhões de trabalhadores informais no País."

"O IBGE dispõe": Concordância verbal correta. O sujeito é "O IBGE" (singular), e o verbo "dispor" está no singular (dispõe).

"dados bastante expressivos": Concordância nominal correta. O adjetivo "expressivos" concorda em gênero e número com o substantivo "dados". O advérbio de intensidade "bastante" (no sentido de "muito") é invariável.

"se trata de 39,3 milhões": Concordância verbal correta. Na expressão "tratar-se de", o verbo "tratar" é sempre impessoal e fica na 3ª pessoa do singular (trata), mesmo que a expressão que o segue seja plural, pois o sujeito é indeterminado (partícula "se").

"Além disso, já faz alguns anos que os empregos brasileiro e mundial atravessam uma fase de precarização."

"já faz alguns anos": Concordância verbal correta. O verbo "fazer" no sentido de tempo decorrido é impessoal e deve ficar na 3ª pessoa do singular (faz).

"os empregos brasileiro e mundial atravessam": Concordância verbal correta. O sujeito é composto ("os empregos brasileiro e mundial"), e o verbo "atravessar" deve estar no plural (atravessam).

O verbo “fazer” quando indica tempo decorrido, deve ser usado na forma IMPESSOAL, permanecendo na terceira pessoa do singular, sem pluralizar.

gabarito B

Quando “bastantes” é adjetivo

A palavra pode, em outro contexto, significar “numerosos” ou “em grande quantidade” — e aí varia para concordar com o substantivo.

Exemplo:

  • “Há bastantes razões para isso.” (= muitas razões)
  • “Vieram bastantes pessoas.” (= muitas pessoas)

Quando “bastante” é advérbio

Ele significa “muito”, “em alto grau”, “de forma intensa”.

Exemplo:

  • “Os dados são bastante expressivos.” (= muito expressivos)
  • “Ele está bastante cansado.” (= muito cansado)

Nesse uso, “bastante” não varia, pois advérbios não concordam com o substantivo nem com o adjetivo que acompanham.

B - A concordância está correta: o verbo fazer, indicando tempo, é impessoal (“faz alguns anos”), assim como a expressão “se trata de”. O advérbio bastante é invariável. O verbo atravessam concorda com o sujeito “empregos brasileiro e mundial” (sendo este composto) e dispõe concorda com “IBGE”.

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