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Q583890 Português
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

No Engenho do Pau d’Arco, na Paraíba, nas ruas do Recife e João Pessoa, no início do século XX, cismava, sofria, escrevia poemas, um homem jovem, magro e taciturno, que se tornaria conhecido na história da literatura brasileira pelo nome de Augusto dos Anjos.

Augusto dos Anjos vive em um ambiente de decadência, doença e luto. Mas o que desmorona não é apenas sua família: é todo um amplo setor da classe latifundiária do Nordeste atingida por transformações econômicas, sociais e políticas.
Na época em que Augusto forjava os instrumentos de sua expressão poética, o Parnasianismo e o Simbolismo eram as tendências atuantes na poesia brasileira. Tanto uma como outra influíram na sua formação, mas a nenhuma delas se filiou.
Na obra de Augusto dos Anjos aparecem, não de maneira eventual, e sim como elemento constitutivo de sua linguagem, alguns traços que caracterizam a nova poesia, a que se convencionou chamar de poesia moderna. Daí a presença, em sua obra, de elementos que o põem adiante de sua época. Mas em que me baseio para afirmar que existe, no poeta do Eu, elementos que antecipam a linguagem moderna da poesia brasileira? Para responder essa questão, devo primeiramente esclarecer o que entendo por “poesia moderna” ou “nova linguagem da poesia”.
Quando a linguagem da poesia desceu ao nível da prosa, o próprio poeta decidiu que habitaria o cotidiano e passou a ver nele não o mundo de que se deve fugir e sim o mundo que se deve transformar. A desmistificação do real implica, naturalmente, a desmistificação da linguagem. A poesia se torna, cada vez mais, o trabalho objetivo do poeta sobre a linguagem, visando exprimir a complexidade desse mundo concreto e dinâmico. Sua “ação” só terá sentido na medida em que sua linguagem não apareça como um discurso vazio a deslizar pela superfície das coisas.
Toda atividade humana é um esforço para superar a contradição sujeito-mundo. A poesia é um modo específico de tentar essa superação infinitamente recomeçada. É, por isso, um discurso deliberadamente desconcertante, que contraria a normalidade.
Para atingi-lo, o poeta moderno lança mão de uma série de recursos que constituem as características de sua nova linguagem: construção sintática inusitada, choque de palavras, enumeração caótica, mistura de formas verbais coloquiais e eruditas, de palavras vulgares com palavras “poéticas”, etc. Alguns desses recursos foram utilizados por Augusto dos Anjos.

(Adaptado de: GULLAR, Ferreira. Disponível em: jornal-daparaiba.com.br/euaugusto)
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TEMA CENTRAL:
A questão aborda pronomes pessoais oblíquos átonos, suas referências e empregabilidade no texto, além de envolver regência verbal e uso da crase. É fundamental reconhecer como esses pronomes estabelecem coesão e clareza textual, além de identificar corretamente o termo a que se referem, observando sempre a norma-padrão.

ALTERNATIVA CORRETA: E
O termo em destaque em “Para atingi-lo, o poeta moderno...” refere-se claramente ao “discurso deliberadamente desconcertante” mencionado anteriormente. O uso de “-lo” ocorre conforme a regra dos pronomes oblíquos átonos: após verbo terminado em “r”, “s” ou “z”, retira-se a consoante final e acrescenta-se “-lo/-la”, mantendo adequada referência e função de objeto direto (Bechara, “Moderna Gramática Portuguesa”). Assim, “atingi-lo” está correta e logicamente vincula-se ao substantivo antecedente.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS:

A) Erro de regência: O verbo “superar” é transitivo direto, não aceita preposição. O correto é “superá-la” (referindo-se a “contradição”), jamais “lhe superar”.

B) Apesar de “nele” poder parecer referir-se a “mundo”, ao analisar o contexto, verifica-se que ele pode retomar “cotidiano” (“habitaria o cotidiano e passou a ver nele...”), o que compromete a assertividade da alternativa.

C) O pronome “o” da frase serve como objeto direto de “põem” e refere-se a “Augusto dos Anjos”, mas não justifica a flexão verbal; o sujeito “elementos” é quem exige o plural em “põem”, não o referente do pronome.

D) Erro sobre a crase: O uso da crase antes de “nenhuma” é obrigatório na norma padrão, pois ocorre a fusão da preposição “a” (regida pelo verbo “filiar-se” — filiou-se a quem?) com o artigo da palavra feminina “nenhuma” (Cunha & Cintra). Logo, não é facultativo.

ESTRATÉGIA E PONTO DE ATENÇÃO:
Em questões de pronomes, sempre retorne à frase imediatamente anterior ou mesmo a termos-chave do texto para localizar o termo de referência. Pronomes oblíquos costumam ser pegadinhas, especialmente ao misturarem regras de regência e colocação pronominal.

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A RESPOSTA ENCONTRA-SE NO FINAL DO TEXTO. SEGUE O MESMO:

. É, por isso, um discurso deliberadamente desconcertante, que contraria a normalidade.

Para atingi-lo, o poeta moderno lança mão de uma série de recursos que constituem as características de sua nova linguagem: construção sintática inusitada, choque de palavras, enumeração caótica, mistura de formas verbais coloquiais e eruditas, de palavras vulgares com palavras “poéticas”, etc. Alguns desses recursos foram utilizados por Augusto dos Anjo



A poesia é um modo específico de tentar essa superação infinitamente recomeçada. É, por isso, um discurso deliberadamente desconcertante, que contraria a normalidade.

Para atingi-lo.....

Atingir o quê? O discurso deliberadamente desconcertante.

A) Errada. Pronome "lhe" é usado para substituir objeto indireto. "o/a" substitui objeto direto. é um esforço para superar (quem supera, supera algo VTD) lembrando que verbos terminado em R/S/Z fica lo, la, los, las. Então ficaria: para supera-lo.

B) Errada. Nele se refere a cotidiano. "O próprio poeta decidiu que habitaria o cotidiano e passou a ver nele não o mundo de que se deve fugir... 

C) Errada. A forma verbal "põem"(plural) se refere ao pronome relativo "que" que retoma o seu anterior "elementos"(plural).

D) Errada. Casos facultativos de crase: Diante de nomes próprios femininos( a Paula. á Paula), Diante de pronome possessivo feminino( a minha mãe. à minha mãe), Depois da preposição até( Fui até a/à praia.)

E) Correta.

Não se usa crase antes de pronomes indefinidos que não admitem artigo (seguidos ou não de “s”): alguém, alguma, nenhuma, cada, certa, determinada, pouca, quanta, tal, tamanha, tanta, toda, ninguém, muita, outra, tudo, qual, qualquer, quaisquer.

Casos facultativos de crase: 

- Diante de nomes próprios femininos

- Diante de pronome possessivo feminino

- Depois da preposição até

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