Homem de 72 anos, internado por sepse urinária, evolui nas ú...

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Q3833205 Medicina
Homem de 72 anos, internado por sepse urinária, evolui nas últimas 12 horas com oligúria marcada, fraqueza muscular progressiva e episódios de palpitação. Exames laboratoriais mostram potássio 7,3 mEq/L, creatinina 3,8 mg/dL (prévia 1,2), bicarbonato 16 mEq/L e pH 7,25. ECG revela ondas T apiculadas, QRS alargado e redução de amplitude complexa. Pressão arterial 94/58 mmHg com baixo suporte vasopressor. Perfusão periférica diminuída. Qual é a conduta imediata? 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas e lesão renal aguda oligúrica configura emergência com risco arrítmico imediato; o achado decisivo é o ECG alterado, que torna inadequadas medidas lentas ou isoladas e sustenta a alternativa C.

Tema central: Hipercalemia grave
Análise das alternativas
A
Errada
Resina de troca iônica isoladamente não trata a toxicidade cardíaca imediata da hipercalemia. O problema decisivo do caso é o risco arrítmico já manifesto no ECG, e a resina tem início de ação tardio, sem estabilizar membrana nem oferecer redução rápida e confiável da calemia nesse cenário.
B
Errada
Está errada porque a gravidade já foi definida pelos dados disponíveis: potássio de 7,3 mEq/L e ECG compatível com hipercalemia grave. Em presença de alteração eletrocardiográfica, o tratamento é imediato, sem aguardar nova gasometria ou nova confirmação laboratorial.
C
Certa
A alternativa C é a única que segue a sequência correta do manejo da hipercalemia ameaçadora à vida. O gluconato de cálcio intravenoso é a medida prioritária porque reduz imediatamente o risco arrítmico ao estabilizar a membrana miocárdica, sem depender de queda do potássio sérico. A insulina com glicose atua em seguida promovendo redistribuição do potássio para o meio intracelular, com redução temporária da calemia. Neste caso, a oligúria marcada, a creatinina elevada em relação ao basal e a acidose metabólica indicam baixa capacidade de excreção renal de potássio, o que justifica considerar terapia renal substitutiva como possibilidade de remoção efetiva se a hipercalemia persistir ou pelo alto risco de recorrência.
D
Errada
Furosemida em altas doses não é primeira escolha quando há hipercalemia grave com repercussão elétrica. Além de não estabilizar o miocárdio, sua eficácia depende de diurese residual, perfusão renal e resposta tubular, todos incertos ou desfavoráveis em lesão renal aguda oligúrica no contexto séptico.
E
Errada
Aumentar vasopressor pode ser parte do suporte hemodinâmico da sepse, mas não corrige a emergência eletrolítica nem reduz o risco arrítmico imediato da hipercalemia com QRS alargado. Neste cenário, priorizar apenas vasopressor posterga a intervenção que realmente modifica o risco iminente.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre contexto séptico com oligúria e a verdadeira prioridade do caso: a hipercalemia com toxicidade elétrica no ECG, que exige tratamento imediato e não pode ser substituído por resina, diurético, espera por exame ou ajuste hemodinâmico isolado.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver hipercalemia com alteração no ECG, trate como emergência imediata sem esperar repetição de exame.
  • Separe mentalmente as medidas por objetivo: cálcio IV protege o coração; insulina com glicose reduz temporariamente a calemia.
  • Em oligúria por lesão renal aguda, pense que a excreção de potássio está comprometida e que pode ser necessária terapia renal substitutiva.
  • Desconfie de alternativas com medidas lentas ou dependentes de função renal quando o caso já mostra instabilidade elétrica.

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