A cada passo que damos na chamada progressão civilizatória, ...
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Buscas de sentido
Se há algo que nos define como espécie é a busca de sentido da nossa própria vida. O poeta Carlos Drummond de Andrade imaginou um marciano que visitasse a Terra, desse conosco e voltasse para seu planeta intrigado com essa gente que existe para interrogar ou mesmo negar o sentido de sua existência. "Existirmos, a que será que se destina?" -interrogou Caetano Veloso numа canção sua.
Podemos especular que seriam três os principais caminhos tomados pelo homem na busca de resposta para essa pergunta fundamental: o do pensamento racional, o da crença religiosa e o da representação artística. No primeiro entroncam-se a ciência ea filosofia, como modos de investigar e agir sobre a realidade cognoscível; no segundo, a fé propõe bases e dogmas para se crer que o sentido de tudo opera num plano divino, a ser cultuado; no terceiro, o homem se faz ele mesmo criador de sentidos, que figura por meios simbólicos.
Ainda que diferentes, tais caminhos não precisam ser antagônicos. Há em cada um de nós mudanças de rotas, mistura de passos, misto de linguagens diversas. Ninguém duvida de que somos criaturas complexas. Nenhum desses recursos em que investimos para explicar o sentido da nossa vida tem uma resposta cabal. A ciência sabe que sua objetividade tem limites, além dos quais não pode se arriscar para perder o que já ganhou. Se a religião se dá como verdade atingida e completa, a teologia e os místicos não desprezam o valor da dúvida humana, que ajuda na sedimentação da perfeição divina. E a arte, tantas vezes, encontra um prazer maior em figurar o sentido por meio de instrumentos negativos, como a ironia, o humor, a reflexão desencantada.
Machado de Assis se diverte com o plano raso das criaturas que vivem de "achar o achado", de se contentar com o lugarcomum. Mas o irónico humor machadiano tem um fundo sério, talvez trágico: o grande escritor se reconhece ele mesmo longe de qualquerverdade absoluta, e relativiza os valores humanos, mostrando sua falibilidade essencial.
"A que será que se destina?" Na canção popular, na tragédia clássica, nos laboratórios da ciência, nos templos, nos teatros, nos romances e nas telas, essa pergunta se impõe, mesmo quando simula alguma resposta. A cada passo que damos na chamada progressão civilizatória, a busca de sentido se refaz no subterrâneo do espaço avançado.
(Cláudio Thales de Araújo, a editar)
Numa nova, correta e coerente redação da frase acima, o segmento sublinhado poderá ser substituído por:
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TEMA CENTRAL: Esta questão aborda interpretação de texto, com foco nos elementos de coesão e coerência textual, exigindo a identificação de uma paráfrase que mantenha o sentido do trecho original.
JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA (C):
A alternativa C ("a investigação do significado restabelece-se por baixo do campo alcançado") preserva integralmente o sentido do segmento original (“a busca de sentido se refaz no subterrâneo do espaço avançado”):
- “busca de sentido” é corretamente substituída por “investigação do significado” — ambos remetem ao ato de procurar compreender o propósito da existência.
- “se refaz” equivale semanticamente a “restabelece-se”, indicando renovação/continuidade.
- “no subterrâneo do espaço avançado” corresponde a “por baixo do campo alcançado” — ambas mantêm a metáfora de algo que ocorre em uma camada profunda, abaixo do que já foi conquistado.
Segundo Ingedore Koch (2001), a substituição lexical só é coesa e coerente quando mantém a estrutura de sentidos e a progressão argumentativa do texto.
ANÁLISE DAS INCORRETAS:
A: "Demanda da explicação" e "imiscui" alteram o foco para explicação, não para sentido/existência. “Plano último” destoa do caráter metafórico de “subterrâneo”, e “conquista” foca em resultado, não em espaço em si.
B: “Pesquisa sensitiva” difere de “busca de sentido”, pois remete ao sensorial, e “duplica no fundamento obtido” não expressa renovação oculta, mas apenas repetição sobre algo já adquirido.
D: “Especulação do senso verdadeiro” e “ratifica” mudam o significado e “ocultando-se no caminho” é ambíguo, sem equivaler a uma camada profunda ou a continuidade implícita no original.
E: “Inquirição sensorial” não se relaciona com a “busca existencial” descrita. “Reaplica-se minando-se no progresso retomado” introduz muitos termos deslocados, alterando a lógica e o foco.
Pegadinha: Palavras como “sensorial” e “explicação” mudam o campo semântico da frase.
DICA DE PROVA: Sempre observe se a substituição respeita sentido, coerência e nível metafórico do texto original, evitando opções que restrinjam, ampliem ou distorçam a ideia principal.
Referências: Koch & Travaglia (2006); Cunha & Cintra (2013).
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Comentários
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GAB: C
– “busca de sentido” → investigação do significado
– “se refaz” → restabelece-se
– “no subterrâneo” → por baixo
– “do espaço avançado” → campo alcançado
que viaje é essa véi
É muita brisa meu examinador. Hahah...
Por isso gosto da fgv!
.
Questão assim é olhar palavra por palavra e achar o correspondente na frase e vê se bate com o significado. Se tiver palavra extra no meio provalmente não é a alternativa.
Questão assim na hora da prova, com mente cansada, queima muitos neurônios
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