Em nosso caminho da busca de sentido da nossa própria vida,

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Q3506104 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Buscas de sentido


        Se há algo que nos define como espécie é a busca de sentido da nossa própria vida. O poeta Carlos Drummond de Andrade imaginou um marciano que visitasse a Terra, desse conosco e voltasse para seu planeta intrigado com essa gente que existe para interrogar ou mesmo negar o sentido de sua existência. "Existirmos, a que será que se destina?" -interrogou Caetano Veloso numа canção sua.


        Podemos especular que seriam três os principais caminhos tomados pelo homem na busca de resposta para essa pergunta fundamental: o do pensamento racional, o da crença religiosa e o da representação artística. No primeiro entroncam-se a ciência ea filosofia, como modos de investigar e agir sobre a realidade cognoscível; no segundo, a fé propõe bases e dogmas para se crer que o sentido de tudo opera num plano divino, a ser cultuado; no terceiro, o homem se faz ele mesmo criador de sentidos, que figura por meios simbólicos.


        Ainda que diferentes, tais caminhos não precisam ser antagônicos. Há em cada um de nós mudanças de rotas, mistura de passos, misto de linguagens diversas. Ninguém duvida de que somos criaturas complexas. Nenhum desses recursos em que investimos para explicar o sentido da nossa vida tem uma resposta cabal. A ciência sabe que sua objetividade tem limites, além dos quais não pode se arriscar para perder o que já ganhou. Se a religião se dá como verdade atingida e completa, a teologia e os místicos não desprezam o valor da dúvida humana, que ajuda na sedimentação da perfeição divina. E a arte, tantas vezes, encontra um prazer maior em figurar o sentido por meio de instrumentos negativos, como a ironia, o humor, a reflexão desencantada.


        Machado de Assis se diverte com o plano raso das criaturas que vivem de "achar o achado", de se contentar com o lugarcomum. Mas o irónico humor machadiano tem um fundo sério, talvez trágico: o grande escritor se reconhece ele mesmo longe de qualquerverdade absoluta, e relativiza os valores humanos, mostrando sua falibilidade essencial.


        "A que será que se destina?" Na canção popular, na tragédia clássica, nos laboratórios da ciência, nos templos, nos teatros, nos romances e nas telas, essa pergunta se impõe, mesmo quando simula alguma resposta. A cada passo que damos na chamada progressão civilizatória, a busca de sentido se refaz no subterrâneo do espaço avançado.


(Cláudio Thales de Araújo, a editar)

Em nosso caminho da busca de sentido da nossa própria vida,
Alternativas

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Tema central: Interpretação de Texto. Exige a compreensão da mensagem principal, da relação entre as ideias e das estratégias utilizadas pelo autor para construir o sentido.

Comentário da alternativa correta (B):

A opção B está correta pois, de acordo com o texto, mesmo que a humanidade tenha percorrido diferentes caminhos na busca de sentido (ciência, religião, arte), nenhuma dessas respostas elimina de modo definitivo nossa inquietação essencial. O texto afirma: “Nenhum desses recursos em que investimos para explicar o sentido da nossa vida tem uma resposta cabal”. Ou seja, há um reconhecimento explícito de que todas as respostas apenas simulam dar conta dessa busca, mas não resolvem por completo nossa inquietação, validando a alternativa.

Segundo Koch e Elias (Ler e compreender: os sentidos do texto), a coerência textual é essencial para interpretar corretamente: precisamos conectar as informações e inferir ideias não explicitadas, identificando a linha de argumentação do autor.

Análise das alternativas incorretas:

A) ERRADA. Distorce o papel da ironia em Machado de Assis, pois o texto indica que o autor relativiza valores e mostra a falibilidade das certezas, não que o sentido já está dado.

C) ERRADA. Supõe que a resposta definitiva seria alcançada pela combinação dos caminhos, algo que o texto nega expressamente, ressaltando a ausência de resposta cabal.

D) ERRADA. Interpreta as citações a Drummond e Caetano como indicações positivas de um rumo, quando, na verdade, elas são exemplos ilustrativos da busca ininterrupta de sentido.

E) ERRADA. Afirma um “antagonismo incontornável” entre os caminhos, mas o texto destaca que tais caminhos "não precisam ser antagônicos", podendo coexistir em nossa busca.

Estratégia de prova: Atenção a termos como “resposta cabal”, “simulam” e negações sutis. Busque relacionar todas as alternativas à ideia central e à construção lógica do texto, evitando interpretações precipitadas.

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Comentários

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Resposta certa: Letra B. ✅

Por quê?

  • O texto diz que, mesmo com o progresso, a busca por sentido nunca para (as respostas não acabam com nossa inquietação).
  • A alternativa B capta exatamente essa ideia: as respostas parecem suficientes, mas não acabam com a dúvida humana.

As outras alternativas ou distorcem o texto (A, C, E) ou inventam informações que não estão lá (D).

Que texto incansavelmente terrível

 A cada passo que damos na chamada progressão civilizatória, a busca de sentido se REFAZ no subterrâneo do espaço avançado.

Resposta no último parágrafo: Na canção popular, na tragédia clássica, nos laboratórios da ciência, nos templos, nos teatros, nos romances e nas telas, essa pergunta se impõe, mesmo quando simula alguma resposta.

Eu achava o português da FGV difícil, até me deparar com FCC

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