A afirmação A seta sempre apontou para o futuro (4º parágraf...

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Q3506096 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós


        Em seu livro mais recente, "The Al Mirror" ("O espelho da IA"), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligéncia artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O "risco existencial" para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem quea IA reflete, como o de Narciso em seu lago.


        Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos "os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie - nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria serem afogados no espelho da lA". Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.


        Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.


        Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora. "Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral", pregaa autora, "porque a IA representa uma forte tentação de esquecé-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejaria sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?"


(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025)

A afirmação A seta sempre apontou para o futuro (4º parágrafo) está considerando o fato de que
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Tema central: Interpretação de texto. A questão exige a compreensão da metáfora “A seta sempre apontou para o futuro”, analisando-a dentro do contexto argumentativo do texto sobre tecnologia e inteligência artificial (IA).

Regra envolvida: De acordo com Cunha & Cintra, a metáfora substitui um termo por outro com base em semelhança implícita, exigindo interpretação além do sentido literal. Nesse caso, “seta” simboliza a orientação histórica da civilização em busca do progresso. Soma-se a isso o princípio da coerência textual (Bechara): compreender o que cada trecho acrescenta ao todo argumentativo.

Justificativa da alternativa correta (D):
A alternativa D destaca que “a tendência histórica e moral da tecnologia é visar a um futuro melhor, ameaçada agora pelas tentações da IA”. O texto enfatiza que, até o momento atual, o desenvolvimento tecnológico impulsionou a humanidade para frente (“seta apontando para o futuro”). Porém, a autora alerta para o risco de estagnação causado por uma dependência passiva da IA, sinalizando possível ruptura desse avanço constante.

Análise das alternativas incorretas:

A) Fala de “projetar futuro pouco auspicioso para a ciência”, o que não é a crítica central do texto, que discute estagnação moral e intelectual - não científica.

B) Apresenta “obsessão pelo futuro da IA”, mas o texto critica o excesso de delegação decisória à IA, e não a preocupação obsessiva com seu futuro.

C) Indica que nunca houve retrocessos, o que é uma generalização não sustentada pelo texto. O texto sugere, ao contrário, um perigo de retrocesso quanto à autonomia humana.

E) Atribui à IA o abandono de conquistas passadas, mas o foco do texto é o risco de negligenciar capacidades humanas, não de perder realizações históricas.

Estratégia para questões similares: Ao lidar com metáforas e sentidos figurados, destaque sempre o contexto argumentativo da passagem no texto. Busque palavras-chave que indiquem intenção do autor e rejeite respostas que ampliem, limitem ou distorçam o sentido central.

Regra de ouro (Bechara): O sentido da metáfora depende do contexto.

Resposta correta: D

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Comentários

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No trecho "A seta sempre apontou para o futuro - até agora", a autora argumenta que, historicamente, as tecnologias desafiaram os seres humanos a evoluir moralmente, contribuindo para o progresso da humanidade. No entanto, com a IA, essa tendência está em risco, pois há uma tentação de delegar decisões importantes a algoritmos que apenas espelham o passado, o que pode nos levar à estagnação moral e intelectual.

A alternativa D interpreta corretamente essa ideia ao dizer que "a tendência histórica e moral da tecnologia é visar a um futuro melhor, ameaçada agora pelas tentações da IA".

"Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora. "Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral", prega a autora, "porque a IA representa uma forte tentação de esquecê-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito."

Assertiva Letra D

Não aguento esses erros de digitação.

Acho bem errada essa D, parece que a banca nem leu o texto.

"Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora."

A frase é clara "Todas" e "sempre" não estão falando em tendência, sim em absolutos. E "levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade" é uma frase em si neutra, que ganha contexto com "A seta...".

A C se parece mais com o que a autora de fato escreveu. É um tipo de questão curiosa, se você não ler o texto elimina as outras por absurdo e fica com a D que é menos radical. Daí eu desconfiar que quem fez essa questão pode não ter lido o texto, só olhado as questões que o pessoal estava fazendo. Frustrante.

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