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Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Hepatologia |
Q1673739 Medicina
Uma paciente de 62 anos de idade, casada, natural da Colômbia, residente em Brasília (DF) há 20 anos, foi encaminhada à consulta médica por aumento de enzimas hepáticas, em exames de rotina. Os exames apresentaram transaminase oxalacética = 84 (VN = 35), transaminase pirúvica = 189 (VN = 35), fosfatase alcalina =128 (VN = 120), gamaglutamil transferase = 610 (VN = 50), bilirrubinas normais, tempo de protrombina em níveis normais e albumina sérica normal. Ultrassonografia abdominal indica: esteatose moderada a acentuada. Quanto aos antecedentes, informa etilismo social, nega tabagismo, apresenta sobrepeso (20 kg acima do peso ideal), dislipidemia compensada com estatinas, em uso há seis anos, nega hipertensão, diabetes, uso de anabolizantes ou substâncias hepatotóxicas.
Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
Os níveis elevados de GGT, nesse caso, poderiam ser associados à colelitíase.
Alternativas

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Gabarito: E (Errado)

Tema central: A questão aborda elevação de enzimas hepáticas, sobretudo GGT (gamaglutamil transferase), em contexto de esteatose hepática não alcoólica (EHNA), diferenciando de causas colestáticas como colelitíase.

Análise detalhada do caso:

A paciente apresenta sobrepeso, dislipidemia e achado ultrassonográfico de esteatose hepática. Os exames laboratoriais evidenciam GGT bastante aumentada (610, VN=50), além de elevação de ALT e AST. Não há alterações de bilirrubina, TP ou albumina – importantes para afastar disfunção hepática avançada.

GGT e EHNA:

Segundo o PCDT do Ministério da Saúde (Seção 22.4): “A maioria dos pacientes apresenta elevação da GGT e dos níveis de enzimas hepáticas...”. Assim, a elevação da GGT está intimamente relacionada à esteatose hepática, especialmente em pacientes com fatores de risco metabólico, como no caso descrito.

GGT e colelitíase:

A GGT pode se elevar em situações de colestase, porém, a colelitíase isolada (sem obstrução ou colangite) normalmente não leva a elevações expressivas da GGT. Alterações laboratoriais desse grau só ocorrem em complicações como coledocolitíase ou colangite, geralmente acompanhadas de elevação marcante de fosfatase alcalina e bilirrubinas – o que não ocorre nesse caso.

Ponto-chave e possíveis pegadinhas:

A pegadinha é ligar todo aumento de GGT a doenças biliares, esquecendo-se da alta sensibilidade da GGT para alterações hepáticas de contexto metabólico e não apenas biliar. Por isso, atente sempre ao conjunto de sinais, sintomas e exames!

Análise das alternativas:

Certo: Seria incorreto, pois associaria a GGT elevada à colelitíase isolada, o que não condiz com o caso ou os protocolos atuais.

Errado: Correto: a GGT elevada neste contexto é típica de EHNA. A literatura e os protocolos não associam esse perfil à colelitíase sem complicação.

Referência: Ministério da Saúde, PCDT HIV/AIDS, seção 22.4 – “A maioria dos pacientes apresenta elevação da GGT e dos níveis de enzimas hepáticas...” (ver página específica sobre doença gordurosa não alcoólica do fígado).

Dica para provas: Sempre correlacione exames laboratoriais ao contexto clínico, evite interpretações automáticas que não considerem fatores de risco e história pregressa do paciente.

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Significa lesão no fígado.

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